quarta-feira, junho 22, 2011

EXÉQUIAS A UM PASSADO FUSCO

«A "Quadratura" já era. Efectivamente, com Pacheco embrenhado depressivamente no seu próprio umbigo político-intelectual e Costa reluzente e imbecil-de-corpo, apenas sobra o azougado Xavier. Bafio. Seguindo sabujamente a opinião do Dr. Gonçalves, também 'acho' que agora a "Prova dos Nove" é que é (até porque todas as semanas já antecipo com satisfação os gorjeios e os entupimentos da tremelicante Constança); e existem razões: Medeiros fala como um professor (com calma) e caracteriza com alguma graça as atitutes do friso-político; Lopes está desafogado, leve, e emite piadas  'calando-se' estrategicamente, e com a indisfarçável satisfação que morde o riso, quando "os outros dois" zurzem Cavaco. Resta Rosas, sempre agitado e sentencioso  agora cada vez mais. Ontem precisamente, Rosas embarcou no desfiar do desespero da esquerda  revelando ali os seus mais fundos receios acerca do neoliberalismo e o radicalismo de certos ministros. O homem ainda não percebeu que a esquerda perdeu as eleições; e que o PSD não teve de mentir (muito) para isso; e que o programa que foi sufragado foi 'o da troika'; e que as perigosas medidas anunciadas durante a campanha não meteram medo a ninguém; e que o povo  de um modo geral  se esteve cagando para o 'desmantelamento do estado-social' e do respectivo serviço de saúde. Etc., etc. Tomam agora (os rosas) consciência de que, por imposição e por escolha, o governo de direita vai governar à direita e que não vai (poder) apoiar-se mais na confortável muleta do socialismo preguiçoso, deixando tudo na mesma para conforto dos 'humanistas' da sociedade. O Céu e a Terra, o Norte e o Sul, o Sol e a Lua de Rosas e da esquerda moderna estão a desaparecer-lhes  deixando-os órfãos, desamparados, assustados. Até porque, mesmo que muito muito dificilmente(!), algumas das reformas e medidas neoliberais podem mesmo vir a dar resultado e a entrar na rotina do português médio - o grande terror dos eternos 'legítimos defensores do povo'. O ex-MRPP, o duro maoista, o Rosas do ataque e do saque à embaixada de Espanha, o Rosas apedrejador dos comícios sociais-fascistas do PCP (tenho fotografias de jornal da época...), o Rosas que tomou para si a posse-única e legítima da História da 1.ª República, o Rosas libertário e anarco-sindicalista dos anos 10 do século passado  tem agora 'receios' de avô e treme diante do radicalismo dos ministros: os ministros são "ultra-radicais"! Rosas e o Bloco passaram assim, em poucas semanas, de portadores dos estandartes revolucionários e rebeldes face aos credores (e a tudo), para serem agora a última rocha do bom-senso, o último reduto de moderação, fortaleza de diálogo, escrínio de mansidão, abrigo de tolerância, castelo da virtude, estojo das boas-práticas... Quem os viu e quem os vê! Habituem-se e sigam também em frente! E fiquem felizes se as 'reformas' não chegarem também às vossas cátedras (nas universidades que vos adoptaram generosamente como um pai tolerante e rico), do alto das quais dizem missa imperturbada há décadas.» Besta Imunda

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