segunda-feira, junho 27, 2011

FAREJAR SELINS E LONGAS SERPENTES NEGRAS

«Sei, meu caro Joaquim, que não lhe é indiferente a intensa beleza, a perfeição da linda cabeça da matadora... Mas, por falar em eventos e festividades, as manifestações deste fim-de-semana, em Lisboa, são bem sintomáticas da estultice que contamina a leitura de “democracia” e “liberdade” por parte dos ditos manifestantes. Não é que ‘alguém’ tenha uma patente ou direitos de autor acerca daquilo que “democracia” é ou deva ser; mas trata-se, sim, de um mínimo de bom-senso e até, por que não dizê-lo?, de bom gosto. Enumeremos pois: 1- o festival “pride”, ou gay-pride, ou arraial gay (ou lgbt, ou o que se lhe quiser chamar) sabujamente apoiado pelo reluzente-costa; 2- o desfile nu em bicicleta; 3- a manifestação das “Galdérias contra a moral machista” (!!!) 4- uma ‘coisa’ a que chamaram “dia internacional de Buda” (???? Será verdade, e até possível?) que, pacífica, zen, simpática, levou algumas escassíssimas dezenas de amigos a contemplar – embevecidos  a imobilidade marmórea de tipos parcamente vestidos com panos. 5- outra manifestação na Ponte Vasco da Gama, ainda de ciclistas (estes devidamente vestidos e equipados). Neste mundo, outrora vasto mas agora transformado numa pequena pocilga pelas passagens baratas e pela internet, já não existem novidades ou diversidades; ou se existem, perdem esse caracter em poucas horas. Todas as actividades e manifestações deste fim-de-semana foram importadas, são estilos de vida ou ‘opiniões’ que nos são um corpo estranho, são um “franchising” da vontade de exibir carnes ou hábitos pessoais. Tudo, porém, nos é candidamente impingido pelas progressivas TV como “manifestações”, mesmo que tenham já perdido toda a razão de ser. Eça tinha – pela boca sardónica de João da Ega – uma excelente difinição de todos estes ‘incrementos civilizacionais’: “…chegam-nos lá de fora pelo caminho de ferro, em caixotes; não foram feitos para nós, ficam-nos largos nas mangas…” E a resposta amodorrada e ociosa do povo a toda esta colecção de modernices não podia ser mais eloquente: questionadas, as gentes diziam sem qualquer indignação ou convicção o rotineiro “t’á mal” ou “acho bem…”. Os gays-lésbicos-trans-bis, mesmo com plumas salientes dos glúteos e esborratados de dourado, não perturbaram as velhinhas do Príncipe Real ou da Praça do Comércio. As “Galdérias”, estultas como são, não entenderam que só vale a pena a sua indignação-manifestação enquanto existirem muitos machistas e, principalmente, se existirem cada vez mais e mais – coisa que ‘elas’ dizem querer combater: uma contradição idiota. Bem sei que elas pretendem exibir um decote maroto, daqueles que vai do capuz do clitóris até às glândulas salivares, sem serem importunadas em público (pessoalmente, não tenho nada contra…); mas se porventura ninguém lhes passar cartucho, se ninguém lhes ligar pevide, se o rapaz das obras permanecer frio como granito, se ‘o pintas’ fixar a mente em Lurdes Pintassilgo ou Gomes, se TODOS – homens e mulheres  ficarem indiferentes, serão as Galdérias verdadeiramente felizes e livres? Depois, os ciclistas nus (por oposição aos ‘gendarmes’ fardados), terão o direito de mostrar as suas patéticas partes ao mundo que passava bem sem as ver? E se, de entre alguns deles, se destacar – diante de crianças  um grupo de guineenses com as suas longas serpentes negras, teremos atingido um estádio civilizacional superior? A meu ver, este desfile dos ciclistas nus só terá tido a vantagem de permitir à Pitta e ao Câncio irem farejar selins durante toda a pausa do almoço.» Besta Imunda

1 comentário:

Bic Laranja disse...

Ah! Ah! Ah! Ah!
Cumpts.