sexta-feira, junho 19, 2009

28 HOMENS QUE O PS NÃO COMPROU

Um Sócrates Infiável, esse "humilde" recente, que não enfia uma derrota óbvia, um argumento de valor acrescentado, esse que nem escuta multidões, esse que nem ouve especialistas, nem atende a técnicos a não ser previamente domesticados aos interesses e intenções do Poder, provavelmente também, na sua autossatisfação e na sua manigância de neo-Salazar Democrático, também ignorará o Manifesto Patriótico de 28 Economistas (Luís Campos e Cunha, Daniel Bessa, Augusto Mateus, Eduardo Catroga, Arlindo Cunha, Medina Carreira, Silva Lopes, Mira Amaral, Miguel Beleza, Henrique Neto, Miguel Cadilhe, Sarsfield Cabral, Vitor Bento, João Duque, João Salgueiro e Rui Moreira, entre outros) contra o avanço desmesurado de certo tipo devastador de investimento público, pois, como escrevem, «Os desequilíbrios estruturais que atingem a economia portuguesa, que têm vindo a piorar na última década, e que se agravaram com a actual crise económica mundial, não são compatíveis com “a insistência em investimentos públicos de baixa ou nula rentabilidade, e com fraca criação de emprego em Portugal”.». As políticas de um homem só, além de anacrónicas, estão condenadas na sociedade interpenetrada da informação e da partilha do conhecimento. Mais guardiães de privilégios e das suas próprias saídas futuras profissionais de luxo [para a MotaEngil ou para a Martifer agigantada pela protecção diligente e o favorecimento sistemático de este Governo, o que é bom e mau] que verdadeiros gestores da coisa pública, estes governamentais e os que os antecederam não aprendem absolutamente nada. Passam de predadores a humildes, mudam a forma. Conservam os vícios de conteúdo. Não têm emenda. É bom que se perceba que, para além das histórias que o nervoso Ricardo Costa conte nas suas intervenções soliloquiais extensivas com convidados na SICN, a situação das contas públicas é desastrosa e não vale a pena mentir dizendo que estão em ordem ou foram postas na ordem. Não foram. Estão pior que nunca. Portugal não é o brinquedo de bolso do sr. Sócrates. Portugal não um pechisbeque que se empurre com a barriga e improvise como uma licenciatura na Independente, há que lembrá-lo. Supostamente, isso de colocar as contas públicas em ordem foi o que Salazar terá feito algures no primeiro quartel do século XX, antes de se considerar danosamente providencial. Travar as autoestradas redundantes ao serviço do lóbi do betão e do asfalto. Há argumentos, contexto, razões sólidas para travar o desbragamento betoneiro. Há outras prioridades humanas. Há cidades para requalificar. Pense-se nos portugueses. Veja-se a que desesperos novos, novas emigrações massivas, se condenam as pessoas sem trabalho, com trabalho mal remunerado, sem ambientes saudáveis e felizes de trabalho, adoecendo de desgosto e ressentimento por dentro, ao longo de décadas, por causa das maçãs podres da ganância e exploração mais bravia: «Vinte e oito economistas dos mais diversos quadrantes apelam ao governo que reavalie os grandes investimentos públicos e que faça um travão imediato nos projectos da área de transportes. Em causa está a construção do TGV e de novas auto-estradas, bem como o calendário para a construção do novo aeroporto de Lisboa.»

3 comentários:

manuel gouveia disse...

Miguel Cadilhe é mal agradecido! Depois de receber 10.000.000 euros por 6 meses no BPN, que todos nós vamos ter que suportar, aparece aqui contra o TGV.

Pois eu digo: sou contra o ordenado destes senhores, uma inutilidade faraónica que não podemos sustentar!

antonio ganhão disse...

28 economistas a caminho do PSD...

Luis Melo disse...

A notícia de que a decisão final sobre o TGV ficaria para o próximo governo, foi a medida mais inteligente que tomou este governo (a seguir à substituição de Correia de Campos). Ainda assim, peca por tardia e por apenas ter sido tomada em consequência dos resultados eleitorais, o que prova que não foi por sensatez, mas por taticismo eleitoral.

De qualquer forma, é preciso mesmo saber se os compromissos até agora tomados, não implicam grandes indeminizações, caso o projecto seja abandonado. Já aconteceu o mesmo recentemente com outras obras que foram abortadas.

Também a propósito do TGV, ao contrário de alguns notáveis, não sou a favor da suspensão do projecto. Sou totalmente contra a sua realização. Só pode pensar em TGV quem, das duas uma: ou nunca andou nem sabe o que é o Alfa Pendular, ou vai beneficiar (financeiramente) com a realização desta grande obra.

Já agora, e por causa desta certeza em Abril 2009, o Ministro Mário Lino leva mais 3 pontos para a Superliga "incompetente-mor"