sexta-feira, junho 19, 2009

MENEZES E O HUMÍLIMO SÓCRATES


O eficiente autarca de Gaia não consegue compreender que não é a forma (feroz/humilde) que condena Sócrates ao mais que certo malogro nas próximas eleições porque o descaracteriza e enfraquece. É a incompetência mesmo. Menezes e Sócrates, velhos bichos buliçosos do Sistema, bem como uma boa parte dos deputados de décadas no Parlamento Português, fazem parte de um tipo de carreiristas da política que secaram o País a novas mentalidades e a novas capacidades superiores de pensamento e acção políticas. O facto de Menezes ser um excelente decisor político (e um seleccionador nato dos melhores talentos e técnicos) não o salva de falhar quanto à mentalidade de facção por que se pauta ou mesmo à inscrição das suas afirmações em pressupostos pré-fabricados em contraste com a percepção geral das pessoas. Perante o esgotamento e defraudamento da nociva alternância PSD/PS, a qual se veio revelando o princípio de desagregação social, de empobrecimento galopante de vastos sectores da sociedade portuguesa na última década, e de assalto sistemático aos Orçamentos de Estado pelas Clientelas, o discurso de Menezes nem diagnostica este factor corrosivo, nem consegue renovar o discurso ao encontro do desejo dos cidadãos por novos e mais autênticos actores políticos, por atitudes e mensagens que suscitem o melhor dos cidadãos e não a desmoralização transversal trazida pelo sr. Sócrates. Por último, seria óptimo que se acabasse de vez com o preconceito da ingovernabilidade, com o papão das minorias. A situação em vigor hoje em Portugal é de plena, consumada e cabal ingovernabilidade. O sr. José Sócrates, na sua torre de marfim fantasista e ficcional e no seu masturbatório autocomprazimento, não faz a ponta de um corno de uma ideia sobre que País é este que apascenta. Primeiro, porque não o ouve. Segundo, porque, ouvindo mal, não o atende. Terceiro, não o atende porque não sabe, munido apenas com com as suas licenciaturas e formações instantâneas e com a caríssima, onerosíssima propaganda pífia (engenharia de imagem fracassada, marketing político falhado) como se tem visto. Estava na hora de o sr. Menezes desdramatizar as futuras minorias coligadas putativas e acabar com o papão da ingovernabilidade. PS e PSD têm de se reformar ideológica e mentalmente de alto a baixo, começando pelos Valores e pela Ética de Estado. O Poder, o Controlo, o Escrutínio dos políticos e das políticas pertence ao Povo e essa é a reforma que urge, quando vemos um PS em glutonarias de toda a espécie numa altivez majestática que não presta contas a absolutamente ninguém. Um País em piloto automático não precisa de maiorias absolutas que lhe vampirizam os recursos essenciais e lhe decepam o futuro ao ceder aos lóbis do asfalto e do betão e ao não priorizarem as pessoas. Qualquer outro Governo que emirja das próximas legislativas será bem mais sério e responsável para com os cidadãos, porque não os hostilizará nem os extorquirá de Fisco imoderado, que este PS de Sócrates ao qual, misteriosamente, Menezes tem o hábito de pôr a mão por baixo, falando na honestidade e na lisura do espécimen sem se rir. Só pode ser chalaça: «"Esta descaracterização é perigosa politicamente", afirmou Luís Filipe Menezes durante mais uma sessão de debate do Clube dos Pensadores, em Gaia, na qual recordou que após as eleições Sócrates apareceu "com novo estilo e alterações de discurso" sendo agora "mais tranquilo e mais humilde". O ex-líder do PSD usou mesmo de algum humor referindo que "se Schwarzenegger e Stallone se virassem para a comédia, perdiam 80 por cento dos fãs".»

Sem comentários: