terça-feira, junho 30, 2009

GRANADEIRO ENSAIA LEALDADE CANÍDEA

Quando o mega-empresariado entra na política e cumpre desígnios de pau-mandado que lhe são linguisticamente exóticos e ideologicamente excêntricos está o caldo profissional entornado. Adeus, pose! Adeus, objectividade e isenção! Granadeiro, o gestor-administrador-presidente da PT, tal como muitos críticos recentes de Manuela, aparece no "i" a pintá-la com as cores mais carregadas normalmente usadas para caracterizar os tiques comprovadamente pressionantes, maquiavelicamente ferozes de Sócrates. Mas a táctica não cola. Não consta, nunca constou!, esse tipo de perfil em Manuela ao passo que Sócrates está queimadinho no que toca a pressões, a neuras e a grandes fúrias se as coisas não lhe correm de feição (visionarismo imoral!) porque aquilo foram anos de relações intensas com o bas fond das negociatas que subjazem aos negócios de Estado, entre o fazer e o ouvir falar que se fez algo ficou e agora a TVI revela-o com todo o desassombro. Smith, por exemplo, tem medo e recentemente anda com tento na língua. Depois, se aquilo que estava negociado entre a PT e a Media Capital eram 140 milhões, quando a Media Capital vale 80 milhões, cabe perguntar para que bolsos iriam os restante 60 milhões. Conheço quem se morda por não ter estado a negociar isto em nome do Governo. Diz-me que não aceitaria menos de 20 milhões para o PS e 10 para o PSOE. O homem da rua não sabe de nada e dificilmente a Imprensa com testículos que rareia lhe daria a saber a fundo a natureza subjacente a estes negócios demasiado sigilosos em fim de ciclo político. Mas o mecanismo de rumor dos e-emails e dos comentários já deixa passar como verosímil a malévola flatulência. Não se sabe, nunca se saberá, mas pode suspeitar-se dada a sofreguidão neste negócio de última hora em fim de mandato com o mesmo cheiro a pressa que o caso Freeport atesta. De resto, para um administrador-gestor do gabarito de Granadeiro, quais as vantagens e a utilidade em se abalançar numa guerra de bocas polémicas contra MFL numa fase em que o PS-Governo e o seu líder perdem em toda a linha?! Para quê ensaiar uma lealdade canídea sem quaisquer vantagens futuras, bem pelo contrário?! Sócrates na verdade é um temível amestrador: «Manuela Ferreira Leite entrou hoje na polémica com Henrique Granadeiro, que a acusou de ter feito pressões, quando estava no Governo, para a sua saída da Lusomundo Media, em 2004. E disse que, se algum dia um Governo PSD tentou influenciar a linha editorial do “Diário de Notícias” e do “Jornal de Notícias”, então detidos pela Lusomundo, “fez mal”.»

1 comentário:

manuel gouveia disse...

Em alturas de crescimento económico, ou expansão dos negócios na área das telecomunicações, estes 60 milhões seriam recuperados num favor do governo em novos mercados. O pequeno acionista não ficaria prejudicado. Era como se a PT tivesse comprado uma licença. Por isso estes negócios privados demoram tanto tempo a serem negociados e envolvem directamente os governos.

Neste negócio, fez bem Cavaco em ter pedido transparência, existem limites ao que o mercado está disposto a aceitar e o facto do PS e do PSOE estarem no fim de um ciclo de poder exige atenção redobrada!