sábado, junho 27, 2009

PASSE CONTROLEIRO FATAL

Fica para a posteridade que o modo sonso e controleiro de esta gente governamentalesca proceder não lembrava ao diabo. Mesmo que me pagassem, não poderia dizer nem concluir qualquer outro tipo de coisa contrária, como infelizmente surpreende encontrar por aí. Resta desenterrar quantas vezes de que formas este modo de proceder (mentiroso, à leão, não olhando a quaisquer meios) foi utilizado em quatro anos. Porque a constatação fica: quem procede de um modo obscuro e tortuoso numa matéria tão delicada (PT/Estado-Media Capital) pode proceder de um modo tortuoso e obscuro em quase todas as demais matérias, o que configura um cenário de a desonestidade e o vício moral terem lambido de lés a lés todas as políticas, todos os embates, todas as causas, todos os pretextos, todos os abusos pseudo-reformistas governamentalescos. Uma sociedade que toda se levantou numa leitura unânime de um negócio mal-cheirento pode ter de levantar-se muitas mais vezes. Talvez seja a hora de crivar bem crivado o conjunto das actuações governamentalescas socratinas para lhe aferir o 'valor' humano, as verdadeiras motivações e a bondade do interesse nacional. Não custa nada antecipar descobrir-se que o País tem comido incompetência e incúria tão crassas, tão devastadoras, nos seus dirigentes políticos, que aos cidadãos a breve trecho só restará a emigração aflitiva ou o suicídio desgostoso: «Da esquerda à direita, qualquer que seja a leitura do caso, os partidos da oposição não ilibam a imagem do Governo e de José Sócrates em particular. O CDS-PP associou o "recuo" do Governo à continuidade de José Eduardo Moniz à frente do canal. "Quando o director já não sai, já não há interesse no negócio", afirmou o deputado Pedro Mota Soares, apontando uma contradição a Sócrates: "Há dois dias, queria ter mais uma televisão, agora já não quer." Para Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda, o caso "é uma demonstração da trapalhada, falta de transparência e de seriedade política". O deputado nota a mudança de posição em poucos dias: "quarta e quinta-feira, era o mercado a funcionar e que deixassem os privados resolver tudo; hoje, afinal a golden share obriga o Governo a pronunciar-se e afinal parecia que havia qualquer coisa de profundamente obscuro". Na mesma linha, o deputado do PCP António Filipe diz que o veto foi uma decisão avisada, mas retira algumas conclusões: "Põe em evidência que a decisão do negócio só podia ser tomada com a concordância do Governo e retira credibilidade à ideia de que o Governo não estava a par do negócio".»

1 comentário:

antonio ganhão disse...

Era sem dúvida um mau negócio... ainda bem que os interesses de Sócrates coincidiram com os do estado, ficámos todos a ganhar!