sexta-feira, junho 26, 2009

EXORCISMO ELEITORAL URGENTE


Faz todo o sentido político que a PT (que é uma empresa formalmente privada, mas está ali à mão para servir de ariete de iniciativas da lavra dos Governos e de este Governo-PS, graças à sua golden share) tenha sido impedida de realizar um estranho negócio, o qual, vindo do nada, consideraria porventura estratégico, se considerar alguma coisa estratégica é andar entre a negação e a assunção com imensos desmentidos-Granadeiro e hesitações-Bava pelo meio, conforme se tem visto, com o profundo embaraço geral consabido. E o negócio era a compra de uma percentagem da Media Capital que poderia aumentar ulteriormente. Porque é para isso que existem, para exercer escrutínio apertado, os partidos políticos da oposição, do BE ao CDS, insurgiram-se contra este negócio e descreram da santa ignorância governamentalesca. Falou-se muito justa e oportunamente de “transparência”, da falta dela. Directores de Televisões e de Jornais, José Manuel Fernandes, António José Teixeira, Ricardo Costa, mostraram-se chocados e preocupados com a liberdade de expressão e com a fortíssima possibilidade de um putch editorial contra José Eduardo Moniz, com este a ser, tarde ou cedo, afastado da direcção-geral da TVI. O PS de Sócrates metera-se em nova trapalhada, uma confusão de todo o tamanho. Só uma minoria de avençados do Poder pode argumentar a favor de um negócio e da sua gestão pelo Governo como se se tratasse da coisa mais natural e normal do mundo. Certamente não ouviram atentamente João Cravinho a demonstrar cirurgicamente, diante de Mário Crespo, de que modo e porquê tal negócio nunca poderia progredir sem pleno conhecimento e intervenção do Governo. Não o é nem por sombras. Por isso mesmo, recuando completamente, está o Governo aí, pressionado pelo clamor geral que grassa na sociedade portuguesa e dando-lhe absoluta razão. Vem portanto supostamente não autorizar um negócio que desconhecia: «Compreendemos o interesse empresarial da PT mas esperamos que possa prosseguir esse interesse de outra forma porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração na sua linha editorial.», disse o Ainda-PM. O facto de Estado deter uma golden share na PT permite-lhe vetar negócios que "desconhece", mas que alguém lhe recorda poderem ser contrários aos interesses nacionais. Para tanta gente ter clamado e tanta indignação e insurgência moral ter aflorado na sociedade portuguesa, despoletados no debate parlamentar por BE e PP e depois explorados por MFL e sublinhadas por Cavaco, provavelmente estava em causa a Liberdade e a Pluralidade da informação em Portugal. Chávez na Venezuela, o grande milionário do petróleo e amigo populista desleal nos negócios com este Governo, pelo contrário, tem conseguido minar e rasurar quaisquer antigos vestígios de pluralismo mediático, encerrando e absorvendo os media que pode para que dominem e predominem as suas conversas doutrinárias em família e os seus monólogos de tirania suavizada, mas não menos eficaz. Tudo isto talvez porque aquela sociedade não tem nem um terço da capacidade de alarme social portuguesa sob um Governo em absoluto e escandaloso descontrolo e trapalhadas infinitas. Efectivamente, Portugal necessita de um Exorcismo Eleitoral com a máxima urgência porque até às legislativas compreender-se-á a que limites de Rapina Clientelar e desbragamentos perdulários se entreteve esta socialmente devastadora legislatura.

2 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Um recuo "todo bem intencionado" que não deixa muita gente convencida do pudibundismo aparente, Joshua. Não achas?

joshua disse...

Acho. Pelo contrário, Nuno, acentua o lado camaleónico desesperado e mal-intencionado do Ainda-PM.