segunda-feira, junho 29, 2009

MFL E O CAMARTELO DA VERDADE

A esta luz, o impacto das palavras de Manuela Ferreira Leite na entrevista a Ana Lourenço são impressionantes quanto aos efeitos devastadores no estado avançado da negociação entre a PT e a Media Capital. Ao manifestar quase inteira certeza de que Sócrates era conhecedor de que a PT estava em negociações com a Media Capital, MFL não podia ter sido mais certeira e devastadora para com um putch editorial na TVI, de génese socratinizante, que apareceria como um facto consumado. Há quem faça por esquecer o problema político levantado por Sócrates no célebre Congresso Norte-Coreano de Espinho, no qual a TVI foi mais vezes invectivada e verberada que qualquer partido da Oposição. A mentira em política não pode vulgarizar-se ainda mais e por isso mesmo quando se invocam os estatutos da PT no que ao campo de acção do Estado diz respeito por possuir 500 acções golden share, citando para o efeito a fonte "credível" e "nada governamentalizada" do DN, compreendemos ser apenas verdade o que interessa ao Governo e aos seus avençados que seja verdade. Não é sério invocar que, de acordo com os estatutos, a PT não tinha qualquer obrigação de informar o Governo sobre as suas intenções porque se o Estado não podia vetar o arranjo também não se compreende por que motivo Sócrates apenas porque pressionado o vetou efectivamente ou como é que ainda alguns se apostam em convencer-nos a ser ingénuos ao ponto de ignorar até que ponto se preparam, contornam e dominam as assembleias-gerais seja onde for e a PT não é excepção porque também ela, por muito privada que seja, tem homens de mão da Política e do Poder, como acontece com a GALP e com a EDP. Manuela Ferreira Leite cumpriu, portanto, a sua obrigação. Não lhe cabia uma leitura estatutária da PT, treta para enganar papalvos, mas política e foi essa a determinante. Sócrates, habituado que está, nas suas raivas e neuras, a errar imenso e a enormes atrapalhações freeportianas-fatais em fim de mandato, ele é que não pode errar tanto, tendo em conta uma longa permanência em Governos Socialistas nos últimos dez a doze anos de poder socialista. Lembre-se que todo o desastre português começou nesses Governos. Foi com eles e então que empreendemos a longa e penosa caminhada rumo ao estado economicamente precário e periclitante em que nos encontramos. Fartem-se embora alguns em dizer que a senhora foi uma má ministra. Insista-se, como faz com nítida acrimónia Clara Ferreira Alves, no Eixo do Mal, em detrair essa mulher, mas não se lhe aponte do Dom de Mentir que esse tem dono. De resto, também não compreendo por que se queixam das palavras incendiárias de Cavaco quanto a este negócio gorado, ele que passou o penoso período de três anos e meio numa cumplicidade conivente com todas as malfeitorias, sombras e excessos perpetrados pelo Governo de Sócrates: Governo que centralizou em Lisboa o escasso QREN destinado às diversas regiões, sobretudo ao Porto; Governo do relatório educativo elogioso forjado da OCDE; Governo que insistiu num processo avaliativo da docência absolutamente kafkiano e castrante dos professores; Governo que tortura estatísticas e números para cima ou para baixo conforme as conveniências para os relatórios internacionais; Governo que agravou enormemente a despesa pública; Governo que cavou deliberadamente a desertificação e o desequilíbrio do interior; Governo que desprezou manifestamente a agricultura e os agricultores. Portanto, não se queixem de Cavaco. Cavaco foi a mão omissa que segurou o Show Propagandesco de um Governo sem densidade, sem patriotismo, sem visão estratégica.

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