sexta-feira, dezembro 23, 2011

PASSOS COELHO ESTÁ A DESILUDIR?

Que via sacra nos será 2012? Passos Coelho começa a crescer na nossa percepção dele quer pelas suas acções quer pelas suas omissões. Não o considero de Direita. Considero-o mais um oligarca, ao serviço dos mesmos, caminhando um caminho diverso do percorrido por Sócrates, talvez mais sóbrio e mais eficaz, mas incidindo a canga nos cordeiros de sempre: nós. A Esquerda portuguesa é estúpida e consumista. A Direita portuguesa é avara, exploradora, e deve gostar dos métodos chineses de produtividade: sem olhar a meios nem a ética nem a direitos humanos, esbulhando as pessoas já mal pagas de dias de lazer, de horas de família, e tudo por um prato reles de lentilhas que ainda se não descortinam no horizonte. A Direita está sempre no Governo, quer com Governos Socialistas quer com Governos Pseudo-Sociais Democratas. Servir os ricos, todos os Governos os servem e alguns, como Sócrates, enriquecem criminosa e obscenamente no processo. Servir os portugueses, a grande e amorfa massa deles, não enriquece políticos. Ajudar banqueiros e empresários, sim. O nosso ministro das Finanças não está submetido a um Gastador Compulsivo e a um Optimista Intrujão, como Sócrates, a quem se submetia Teixeira dos Santos. Gaspar ou "Raspar" não está em nada subordinado a Passos Coelho e não é propriamente Passos Coelho o instigador de um Serviço Nacional de Saúde solvável e não falido, do recuo nos direitos laborais, quer do descanso quer de uma remuneração justa: essas matérias são-nos impostas de fora e é perfeitamente natural que, à vez, umas vezes a Troyka lave as mãos e outras o Governo. Porventura, não há saída senão neste esmagamento progressivo e nesta verdade dita olhos nos olhos: morrei a trabalhar, escravos portugueses. Organizem-se. Talvez se tenha passado do oitenta da desonestidade crassa de Sócrates para o oito impiedoso sobre as pessoas, todas as pessoas, que não sejam nem ricas, nem eleite, nem poderosas, nem grandes investidores. Talvez. Os socialistas ressabiados e apeados dos tachos e do Estado-que-Dizem-Seu, acham que Passos vai ser corrido mais cedo do que imagina. Eu acho que não. Vítor Gaspar pode exercer crueldade nas medidas tomadas e por tomar, pode revolucionar quase tudo no Fisco e no resto que vertebra, sonho ou quimera, o Estado Mínimo: toda a gente compreende que Sócrates gastou e gastou como se não houvesse amanhã e agora tudo o que puder ser feito para nos dar orgulho e escapar do estigma grego valerá a pena: Passos pode falhar. Portugal, não pode. Gaspar agrada ao instinto elementar dona de casa que sobrou nos que viveram o salazarismo e um Governo avalia-se pelos resultados averbados e nada mais. 

1 comentário:

Miguel disse...

Desiludir não diria. Não havia grandes esperanças. Não está a mudar. A linha do Tua continua (e o património e a agricultura para as urtigas). As nomeações de «boys» (à primeira vista em menor número) continuam. As grandes reformas da Educação, pelos vistos, em saco roto ficam. As rendas de algumas empresas do "regime" (PT, GALP, EDP...) continuam. A falta de poderes de regulação continua. O domínio, pelas grandes distribuidoras, do mercado dos produtos alimentares continua (isto é, a corda sobre o pescoço dos agricultores continua a apertar).
A concorrência e a competitividade não se ficam pelo mero aumento do tempo útil de trabalho. Nem pelo Estado. A má organização do trabalho é um dos problemas principais. A sub-preparação leva à perca preciosa de tempo, o que diminuiu a produtividade. A energia cara retira competitividade. A forte carga fiscal sobre as empresas (as pequenas claro!), com pagamentos especiais por conta e afins, retira competitividade. O domínio de sectores fundamentais por um ou dois grandes grupos privados retira competitividade e agudiza a má distribuição da riqueza. A sensação de impunidade, o mau funcionamento dos tribunais, retira competitividade...

Não podemos estar constantemente a trabalhar mais e mais para alimentar o crescente capitalismo financeiro. Aquele que de dinheiro, faz dinheiro. Em Portugal, e na Europa (mais nuns sítios que outros), a desindustrialização, em favor da China e afins, vai deixar as suas marcas.