PASSOS E AS FERIDAS DE PORTUGAL

A insistência na falta de confiança marcou o discurso de Natal que sua excelência o Primeiro-Ministro proferiu. O passado recente representou efectivamente o descalabro da confiança, com actores políticos marcados por desonestidade crassa, a confiança deixou de ser um activo público, deixou de representar um capital invisível, deixou de ser um bem comum. Se a mensagem do PS-Governo foi sendo cada qual por si, o Governo pelas Empresas que lhe subsidiam campanhas eleitorais, o Governo pelos cargos-prémio aos seus, o Governo pela mordaça maçónica colocada nas nossas bocas, na boca de corajosos denunciadores da injustiça de uma Governação de Favor, com Passos, a (des)confiança tem passado por medidas gravosas com a corda ao pescoço colocada em quase todos, menos nos que estão sempre por cima e para além de qualquer crise ou deriva austeritária. Podem ser tais medidas repletas de boas intenções e tomadas sob a pressão dos mercados, dos credores, das metas do défice, mas do estrito ponto de vista das promessas eleitorais e do pacto que elas representam com os eleitores, era necessário uma revolução copernicana na forma de fazer política em Portugal e Passos, contra o que seria suposto, não a fez. Não a representa. As nossas chagas alargam-se. As nossas feridas crescem. A confiança esboroou-se e deixou de colar os cacos nacionais, não mais determinante para o desenvolvimento social, para a coesão e para a equidade, aliás, palavras. Só palavras.

Comments

Miguel said…
Gostei do discurso. Não posso deixar de concordar com ele. Mas, como bem dizes, são "só palavras". Faltam os actos. Quando (e se) vierem estaremos cá para dar a mão à palmatória.