terça-feira, novembro 10, 2009

ENTRE GRITINHOS DE INDIGNAÇÃO

É muito difícil compreender para que raio se invoca o refúgio das leis e nas leis, quando o que avulta de um modo geral é a improcedência e o bloqueio, para não falar nos grandes bodes expiatórios do costume, a arraia pequena, os últimos da rede, os insignificantes e certamente não autores morais do Sistema. Uns vêem o primeiro-ministro sob o fogo malicioso de uma conspiração interminável. Outros vêem-no como o símbolo supremo de um sistema implantado no País, basicamente acima da lei, sendo a lei, sempre a escapar fedendo, sempre em estado de graça, apesar da espessa desgraça. Normalmente, o António resume a coisa com inabitual ironia, num País que não se sente: «É evidente que o senhor presidente relativo do Conselho diz-se vítima de perseguições, ódios pessoais, invejas políticas e outras coisas mais. Também é evidente que o senhor presidente relativo do Conselho não tem sido penalizado por todos estes casos, tanto do ponto de vista político como judicial. Antes pelo contrário. Governou quatro anos e meio com maioria absoluta, ganhou as últimas eleições Legislativas e aí está de novo à frente de um Executivo que tem por missão principal preparar novas eleições para o partido do senhor presidente relativo do Conselho voltar a ter maioria absoluta. E em matéria de Justiça estamos devidamente conversados. Na Cova da Beira, apesar de muitas suspeitas, o senhor presidente relativo do Conselho é apenas testemunha de uma das arguidas, os projectos da Guarda foram devidamente arquivados, a licenciatura ficou na gaveta do Ministério Público, no Freeport é o que se sabe e agora, na ‘Face Oculta’, as conversas com o arguido e amigo Armando Vara estão há quatro meses no baú do senhor procurador-geral da República, prontas para ser despejadas na lixeira mais próxima quando chegar o momento oportuno. Para grande satisfação dos suspeitos do costume, que já andam por aí a dar gritinhos de indignação pelo simples facto de um arguido ter sido escutado a ter conversas menos próprias com o senhor presidente relativo do Conselho. Como se previa, a normalidade está prestes a ser reposta neste sítio horrível, pobre, deprimido, corrupto, manhoso e obviamente cada vez mais mal frequentado. Uma normalidade execrável e podre que serve às mil maravilhas aos abutres do costume, que se alimentam todos os dias à mesa do Estado e atiram para a miséria milhões de indígenas sem presente e muito menos com futuro.» António Ribeiro Ferreira

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