sábado, julho 10, 2010

MEDO, APATIA, DISSOLUÇÃO

Navegar segundo as sondagens sempre guiou este primeiro-ministro e a sua hábil e esconsa clique. Daí o habitual discurso errático e a retórica plástico-oportunista, capaz de todos os movimentos do cata-vento e de todas as inflexões da Feira, capaz de dançar finalmente o tango com alguém que aceita dançar com ele o tango do perfeito apodrecimento final (Passos Coelho!) e logo depois insultar esse mesmo dançarino, rebaixando-o com todos os laivos de vileza e do mais reles escárnio. Funcionou perfeitamente com Ferreira Leite? Há-de funcionar com o sucessor, logo ele que se deitou e compactuou voluntariamente com a perfídia do inimigo, tornando-se na sua concubina política. Mais uma. Se os espanhóis da Telefónica aparecem agora como o papão da PT e da presença da PT na Vivo, o socratismo é a acabada praga de gafanhotos de Portugal, devastando-o de miséria, de medo e de mentira, com a cumplicidade abominável de homens provenientes do PSD, do CDS, do BE e do PCP. Nesta fase do Regime, o socratismo compra, castra e capta gente proveniente de todo o espectro político: todos eles se conquistam pelo estômago e é a jantar que tudo se suaviza, irmanando-se o vendilhão com o apóstolo. O Tarrafal dos tempos de nojo que vivemos são o Desemprego a que são condenados pelos tentáculos do Sistema muitos que pensam pela sua própria cabeça e denunciam a verdade inconveniente. Reconheço que nós, os portugueses, reagimos ao assédio da Telefónica com as vísceras e a intuição do simbolismo e desconfiamos do dualismo da União Europeia, quanto à "livre" circulação de capitais, complacente com os Fortes e implacável com os Fracos, mas por que não acordamos das garras do abominável e horrendo socratismo de uma vez por todas? Por que não denunciamos a podridão partidocrata por todos os meios ao alcance da cidadania?

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