CADÁVERES ESQUISITOS — CAPÍTULO XVIII

«Pela janela do seu quarto, entregue à aragem que só o casario intrincado da Graça exala, Simão olhou a paisagem fechada à sua frente, nada mais que um edifício pardo, alto, repleto de janelas, alguns vasos tombados, esquecidos, marcados pela pátina do tempo e do desleixo, flores ressequidas, beirais ao longo dos quais alguma peça de roupa pendia abandonada, recolhendo o afago do último calor outonal. Por vezes, mergulhava no vozear indistinto da telefonia, melodias de alma que confirmavam, na fatalidade das coisas necessárias, o comodismo e a prudência ordeira portugueses.» Cadáveres Esquisitos

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