BPP E A SOLENE HIPOCRISIA DO MF

Toda a gente sabe que o aval accionado pelo Estado há alguns meses salvou imediatamente os megadepositantes do BPP, gente de nomeada, gente grada da 'economia' e do Regime, elite protegida e salvaguardada sem pestanejar pelos serventuários que nos desgovernam, gente pela qual este PS fez tudo o que pôde e não podia, fez o que não deveria pois o não faz por qualquer de nós cidadãos. E toda a gente percebeu que o Governo e o seu MF é hoje ainda mais um naufrágio de ideias. Roçando a sem-vergonha das justificações esfarrapadas, percebe-se que nada de compreensível será feito para fazer justiça aos pequenos e médios clientes do BPP. Com isto, numa plástica de última hora e em desespero de causa, este Governo passará a ser de Esquerda da boca para fora e usará de artifícios que o simulem, como este deixar gente na mão. Buscará, em quatro meses, antes das Legislativas, formas e actuar apenas para aplacar um eleitorado ressentido de esquerda que se esquivou de votar PS por birra. Decidirá e não decidirá matérias num tom impostor de Esquerda Impostora, apenas para cair no goto de essa outra Esquerda triunfante das recentes Europeias. Portanto, o velho sistema propagandesco da Mentira Governamental segue intacto e ainda mais ousado, aconselhado pelo desespero e pela percepção de que o Poder, o amado Poder, lhe escapa inexorável, lhe foge por entre os dedos, apesar dos gastos insanos em Marketing e em Sorriso Funereamente Optimista. Limando o discurso e inventando um tipo de acção inactiva, este Governo abster-se-á de actuar num par ou dois de centenas de milhões de euros, num prazo dilatado de tempo, salvando os depositantes lesados e justificadamente queixosos. Ele que pressurosamente agiu no BPN e logo com uma leviandade imediatista, com o desejo de capitalizar politicamente com isso, afinal protegendo despudoradamente muitos accionistas-gestores-prevaricadores mais ou menos anónimos dentro do mesmo banco, com o impacto que sabemos do nosso dinheiro num buraco de mais de dois mil milhões de euros. Há quer ler nas entrelinhas e reparar que a Vergonha, a raríssima e rarefeita Vergonha, é como um fenómeno de abstenção massiva neste Governo. Continuam a falar e a anunciar Zeros e Nulidades como se fôssemos todos mentecaptos e incapazes de alcançar o verdadeiro escopo das suas mensagens desactivantes e acções inactivas. O que poderá, pois, este Governo dar, fazer e dizer capaz de aplacar uma Esquerda 21% Triunfante para assim de novo a devorar eleitoralmente, a essa Esquerda Ingénua e Conivente, Situacionista e Pactuante de Alegre?! O que poderá, pois, este Governo dar, fazer e dizer a tal Esquerda?! Que cabeça de João Baptista lhe pedirá?! Que Lua lhe dará?! Depois do rumor já dissipado da Falta de Alternativa, já se vai falando no perigo de Ingovernabilidade, novo rumor de nome mentiroso. Onde estiver o PS, e sobretudo este PS socratinesco corporativo, haverá sempre ingovernabilidade, conflitualidade social, imposição de políticas a bruta, brutalidade Lurdes Rodrigues a correr ao murro e ao safanão a jornalistada que lhe barra o acesso ao Altis da Derrota. Haverá sempre devorismo dos OEs e incompetência. E, o que é pior e mais devastador, haverá a mesma mentira e o mesmo cinismo que escorre hoje mesmo para cima dos pobres clientes, depositantes do BPP, instrumentalizados como argumento político de última hora, usados como bóia de salvação de um Governo naufragante. Pisando-os e negligenciando-os, o Governo julga capitalizar a seu favor moralidade e bom senso no uso do nosso dinheiro. Pura pantomina!: «O representante da Associação Clientes do BPP considerou hoje "um cinismo" que o Governo tenha aconselhado os clientes a accionarem a garantia de capital, quando o património do banco já "está esvaziado", noticiou a Lusa."É uma ironia, um cinismo, neste momento, meio ano depois, estar a dizer aos clientes para accionarem uma garantia sobre uma determinada entidade, [quando] o seu património está esvaziado para beneficiar apenas alguns", disse Luís Miguel Henrique.[...] Em Dezembro, quando foi dado o empréstimo dos 450 milhões de euros, "o BPP pegou em todos os seus activos, fala-se em 700 milhões de euros, e deu-os como contra-garantia ao aval do Estado, e quando os clientes quiserem accionar essa garantia de capital, estão prejudicados". "Toda a massa de activos do banco já está agarrada ao empréstimo que foi para pagar a apenas alguns dos credores", defendeu o representante da Associação Clientes do BPP..»
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Comments
Começo é a ter outra dúvida sobre a nacionalização do BPN e porque o Cadilhe é homem responsável. Se o buraco que ele reconheceu e avaliou existia e estava certificado por uma auditoria de confiança, como se multiplica agora o dito? a nacionalização é um aumentador de buracos? qual a pressa na nacionalização se afinal, como se comprova no BPP, se estão nas tintas para os depositantes?