BRUNO ALVES, INTERRUPTOR E TAUMATURGO


O apuramento de Portugal estará sempre comprometido de incertezas suspeita-se que até ao último segundo do último jogo no grupo de qualificação. Outra coisa nos não prometem as equipas que Queirós faz alinhar e a desinspiração sistemática que patenteiam. O futebol feio e prático de Scolari trazia-nos em sossego e o resto era uma questão de embalagem, espírito de corpo e a tal Oração de Balneário, antes dos embates, a qual, porventura penetrando o âmago dos jogadores com aquela serenidade concentrada zen, determinava a blindagem defensiva e a paciente construção homogénea do sucesso ímpar que se reconhece nesse percurso. Agora corre pelo relvado um fado desgarrado, passes perdidos, jogadas feridas de escoliose. Em angústias, aguardamos sempre pelo pior, pelo canto do cisne, pelo apito final, pelo fim da esperança. É quando ocorre lembrarmo-nos que há milagres, sobretudo no Futebol mais desenganado. Bruno Alves, bem assistido, fez um. Apodou Jesualdo tal jogador de 'Interruptor' no sistema motivacional e competitivo do Dragão. Por mim, o Bruno bem merece hoje o título de Taumaturgo. Saltou mais alto e com mais vontade, no segundo decisivo. Para além disso, falar do jogo é descrever uma certa deprimência bem intencionada e voluntarista à procura de se encontrar, coisa que tarda e entedia. Para além disso, é saber que talvez já seja tarde, mas oxalá que a equipa ainda se encontre e, por uma vez, deslumbre o Mundo e nos sossegue ao estar, como é devido, no próximo Mundial na África do Sul: «O discurso prolixo de Carlos Queiroz nos dias que antecederam a deslocação à Albânia daria para fazer um suplemento desportivo completo. Mas o resultado do jogo em Tirana resume-se em duas palavras: vitória sofrida. Bruno Alves, de cabeça, apontou já no tempo de descontos, o golo que evitou o descalabro na classificação portuguesa.»

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Não percebo nadica de nada de bola, mas como estão as coisas, talvez fosse melhor voltar a chamar o Scolari, não ir sofrer uma humilhação no Mundial e preparar um regresso em força no Euro. Mas eu não passo de uma besta, portanto...