CONSTÂNCIO, PRELIMINARES DE UM ADEUS
Por que ordem de motivos deveria Constâncio pedir a demissão do seu cargo eterno e eternizado?! Constâncio é o único incapaz de as ver, cego certamente com uma só coisa mal disfarçada com um feixe de argumentos demasiado técnicos para albergaram a dimensão simbólica e moral de uma Demissão que Portugal inteiro demanda: o prestígio e a imagem que julga ter granjeado entre o sistema europeu dos bancos centrais nacionais e a humilhação, desprestígio e mácula que, segundo crê, resultariam para si e para o BdP. Nada mais egocêntrico e nada mais supérfluo. O nojo instintivo da opinião pública e dos cidadãos pelos factos evidenciados na Comissão de Inquérito ao Sistema Bancário deveriam ser suficientes para que Constâncio deixasse de resistir. Para além do simples facto de ser detentor de segredos tais que, decapitada a sua direcção do BdP, embaraçariam certamente o sistema de poder português, o verdadeiro, o das eminências pardas maçónicas ou outras, só para dar um pequeno exemplo, não há razões que sustentem a não demissão do governador e um desígnio de refrescamento e renovação gerais do BdP. A defesa intrincada e irritada de Constâncio, forma de resitir aos factos, não se compreende. Um tal enclavinhamento num cargo para o qual não faltam candidatos substitutos num novo recomeço, é sempre de estranhar. E nem aqui aduzo a malícia dos seus honorários exepcionais no contexto mundial dos governadores dos bancos centrais nacionais. Os desastres no BPN e no BPP determinam uma renovação natural da supervisão e dos supervisores na direcção do BdP, não há lei, artigo, minudência, treta que permitam contornar isto. Mal se entende a aguerrida e enclavinhada defesa de Constâncio de que a supervisão prudencial do BdP funcionou. Se tudo correu bem no plano das acções inspectivas, dentro dos limites disponíveis, logo o Eterno Governador do Banco de Portugal, segundo ele-mesmo, deverá conservar-se em funções. Mas nada funcionou. O Governador, aliás, vitimizando-se, assacando aos media e a novas forças obscuras nunca nomeadas o 'linchamento' da supervisão e o manto de suspeição sobre a instituição mostra uma visão errónea e irracional da realidade, fugindo em frente. Na verdade, encostado às cordas, incomodado, muito pouco paciente, arrogante e irritadiço, apesar de não ter lixos com que se preocupe, manifesta à saciedade que o confronto com as evidências é cruel num País mal habituado; mostra que os donos da 'democracia' portuguesa não estavam, nem estão!, habituados a isto acareador e esclarecedor numa Comissão de Inquérito ao Sistema Bancário que finalmente funcione; demonstra que Constâncios, Loureiros, Oliveiras e quejandos supunham que passar por isto era um pró-forma ritualístico sem mazelas ou sequelas de maior, uma vez que o registo dominante é a impunidade, que ninguém se manque nem que seja para dar ao País um exemplo de desprendimento essencial em cargos de esta natureza. Por último, note-se que o tom de Constâncio perante os deputados é o de quem os confronta e subliminarmente ameaça os imperativos da verdade que visam apurar. E tem razão. Teoricamente, é o Parlamento aquela sede sagrada de soberania nacional à qual aquiescem e respondem humildemente Constâncios, prontificando-se com todos os dados solicitados e evitando obstruções ao apuramento cabal dos factos. Na prática, os dententores do Poder e do Dinheiro, os seus testas-de-ferro e representantes por décadas como o sr. Governador, forcejam por mandar em todo o sistema se lhes não for lembrado o contrário. Neste momento, os cidadãos, os deputados, Portugal de lés a lés está à procura de lhes lembrar do contrário, uma vez que o BdP não perdoa ao cidadão endividado, colocado no limbo das suas ementas de incumpridores. A soberania é nossa. A Portugal e aos Portugueses obedecem e servem Constâncios. As falhas pagam-se. Os erros têm consequências. A Justiça faz-se. Os cargos são transitórios e temporários e largam-se humildemente quando atingido o ponto de saturação da escandaleira directa ou indirecta. Oxalá que o sr. Governador evite a porta dos fundos, inchando de orgulhos e de razões, até porque por ela vão passar velhos conhecidos e amigalhaços eles mesmo orgulhosos e inchados. Não aconteça que se atropelem e entalem: «"Não pensem que me demito a pedido dos deputados", afirmou o governador do Banco de Portugal, no decurso de uma intervenção de mais de uma hora, em que criticou o "linchamento político" de que diz ter sido alvo a instituição de supervisão. Falando em "campanha política e de desinformação", Vítor Constâncio sublinhou que "não descobrir falhas como as que aconteceram no BPN não é falha de supervisão" e disse que esta pode ser realizada "com o todo o rigor e zelo" e, mesmo assim, nada ser detectado.»
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Comments
Não penso que seja incompetente e muito menos burro. Ele sabe porque se deixou empurrar para esse estatuto.
Saberá, porventura, a qualidade dos cães que se estão a fazer ao osso? Ou saberá que a qualidade das pressões são capazes de desfazer qualquer um que não tenha, como ele tem, muitos segredos para resistir?
Não penso que seja soberba querer manter-se num barco por se ter a certeza que o próximo capitão o vai deitar ao fundo. Vivemos tempos de verdadeiro assalto à mão desarmada. Só espertos sem pinga de escrúpulos!