SARAMAGO vs. BERLUSCONI
Uma opinião é uma opinião. A de Saramago, indignada que é, não passa de uma, se é que o seu estatuto a não amplifica e repercute com a intensidade papal que todos os seus fãs lhe reconhecem. Ora, por uma vez, Saramago está certo. O Saramago de não poucas ou pequenas cegueiras sobre regimes perigosos e mortíferos no passado recente, não erra acerca de Berlusconi, que é um espécimen de político pícaro, bizarro, milionariamente possuindo e prostituindo o sagrado estado italiano. Não é coisa para fecharmos os olhos nem é caso para, por puro preconceito contra o Saramago selectivo que nos desagrada, discordar por discordar da sua análise. Sílvio Berlusconi, o Primeiro-Ministro recauchutado das mil plásticas, mil dentistas e das mil moças menores de dezoito anos, não encarna a Ética do Estado Moderno Transparente perfeitamente escrutinado pelos cidadãos, nele não se vislumbra a seriedade e a humildade que se exige e supõe num líder político, mas as atitudes discricionárias, autoprotectoras, oligopolistas daqueles que sempre zelaram pelos seus próprios interesses. A escola berlusconiana de um poder absoluto sob escandaleira permanente e sem ninguém se mancar não é exclusivamente um triste fenómeno italiano. Portugal tem estado muito exposto a esse vírus e a essa coisa perigosamente parecida com um ser humano, uma coisa que faz comícios espampanantes, organiza monólogos a que chama entrevistas e manda num país inteiro chamado Portugal: «“Uma coisa perigosamente parecida com um ser humano, uma coisa que dá festas, organiza orgias e manda num país chamado Itália”, foi assim o começo do artigo de opinião que o Nobel português da Literatura, José Saramgo, escreveu para o diário espanhol “El País” sobre o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.»

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Comments
O Berlusconi não vale nada, é certo. Mas foi eleito, coisa que não tem lugar na ideologia política de El Zaramago, o campeão do Iberismo e, mais recentemente, da Moral.
Cumprimentos.
P.S.: Foi só para contrariar. :)