quarta-feira, julho 15, 2009

A ROLETA DE ROSETA


Bem inesperada a união da cidadã "independente" Helena Roseta, uma das mais devastadoras críticas da danosa partidocracia nacional, precisamente com o Partido desastradamente Polvo do sr. Costa. É uma facada na independência cívica e em todas as expectativas de renovação lisboeta face à lógica corrompida dos partidos do aro do poder. Uma mulher respeitada por ser independente e escutada porque muito justamente verberava os factos consumados e os abusos ao regimento democrático perpetrados pelo PS-Governo dos Contentores unilaterais, do Terreiro do Paço unilateral, do urbanismo totalitário, das decisões impostas ou precipitadas. Vereadora empenhada, motor dos Cidadãos por Lisboa, lutava pela submissão a consulta e audição pública, junto dos cidadãos e de entidades associativas, cívicas e profissionais, todas as questões e decisões atinentes à Cidade. Alguém que relativamente à Sociedade Frente Tejo S.A. denunciou não ter seguido os preceitos legais que obrigam à existência de concursos públicos para a adjudicação de projectos de obras públicas e que na actuação da sociedade persistia uma contradição de fundo: ou a Frente Tejo consistia numa entidade pública e então teria de se submeter ao Código da Contratação Pública ou tratava-se de uma empresa de direito privado e então não está isenta de licença nem de parecer vinculativo da Câmara de Lisboa. Portanto, que fará Roseta agora com a sua "independência" na loja eleitoral de penhores?! Não sente ela que se arrisca a cair com Costa e com toda a paralisia que este representa?! Ao branquear com a sua respeitabilidade um partido acossado pelos traços de nula respeitabilidade, Helena Roseta enfraquece a isenção e lisura das suas próprias causas. Uma desilusão, portanto. Morre a coerência em quem fez combate aos processos de esses partidos de perdição chamados PS e PSD porque se alia a um deles, por sinal o mais corrupto, segundo Villaverdade Cabral e quase toda a gente. Politicamente polígamo, Costa multiplica-se em casamentos de conveniência e seduções de última hora. É com isto que Roseta se alia por um prato de lentilhas. Trata-se de uma vitória de Pirro num PS-Governo capaz das mais pérfidas ingerências nas competências municipais, com o beneplácito e anuência mole do sr. Costa. Para quem subiu aos píncaros do idealismo independente, Helena fraquejou e pode arrastar consigo o seu Movimento pluralista. Mau passo. Não se escapa continuamente da roleta russa. Algum dia a câmara terá projéctil: «O presidente da Câmara de Lisboa, o socialista António Costa, e a vereadora independente Helena Roseta (ex-PS) chegaram a um acordo para uma candidatura ao município, apurou o PÚBLICO. O acordo será anunciado por Costa e Roseta numa conferência de imprensa esta tarde num hotel de Lisboa.»

5 comentários:

Daniel Santos disse...

Já começa a faltar espaço para o pessoal do Costa.

Pata Negra disse...

Fica a impressão que só não foram da outra vez porque não foram convidados!
È preciso não esquecer que este António Costa foi o tal que precisou dos idosos de Carrazeda de Ansiães e outros locais para cantar a vitória. Esse gesto -lembram-se da entrevista aos idosos a quem ofereceram um excursão à Ericeira e acabaram em Lisboa com bandeiras do PS na mão?! - para mim não diz muito, diz tudo!
E, no entanto, os ventos correm de feição a António, sopra Sá Fernandes, sopra Carlos do Carmo, sopra Roseta, sopra Saramago... tão estranho!... e, no entanto, Lisboa continua envolta em xuxalismo...
Um abraço longe... longe

Anónimo disse...

Não é o Alegre que achava muito bem que houvesse listas de independentes nas eleições para a AR?

Então e o mesmo pateta, perdão, o mesmo poeta, em Lisboa (onde, por sinal, nem vota) o que acha bem é que as listas de independentes desapareçam e se dissolvam nas do Costa?

Grande coerência, sim, senhor, ó pateta, perdão, ó poeta.

Quint disse...

Velho, as coisas são assim ... o mundo mexe, a política rola e as coisas pulam e avançam ... eu, por acaso, sou dos que acham que mais valia ao Costa perder com dignidade do que andar a carregar com certas coisas!

Anónimo disse...

Tantas formas de olhar de uma decisão de uma mulher respeitada por ser independente e escutada porque muito justamente verbera os factos consumados e os abusos ao regimento democrático perpetrados pelo PS-Governo...
Helena não irá mudar. O que a move é o que sempre a moveu, e que ficou escrito neste blog como passado apagado.
O passado não se apaga, o presente vive-se com decisões, e o futuro constrói-se dessa mistura.
É na Helena com quem partilhei o passado, incluindo a difícil decisão de arriscar enfrentar a desilusão fácil e imediata de quem julga por uma decisão e não por actos, que eu confio.
O tempo lhe dará razão, acredito, dando-a a mim também. E provando a frase que Helena escolheu para este novo caminho: Fazemos a diferença.
Um CPL orgulhoso