sábado, julho 18, 2009

ÚLTIMOS CARTUCHOS EM FANFARRONADA

É incrível a quatidade de boas ideias a que milagrosamente um Governo em exercício gestionário parece por fim disposto. Agora dispõe-se a mexer na supervisão financeira. Graças a Deus são apenas os últimos cartuchos de um tipo de acção que anuncia, mas não faz, verte enunciados bem intencionados, mas nada se passa. Finge que agora, sim, agora é que se vai caçar a corrupão, mas a coisa sai-lhe pífia porque, de recuo em recuo, nada realmente acaba por ser feito a não ser esse velho e habitual recrudescer dos mecanismos de controlo apertadíssimo aos contribuintes, sendo lassa a malha para os enriquecidos políticos e as megafugas ao Fisco dos que muito podem porque muito sabem. E era todo um Governo, as suas clientelas, os seus advogados pagos a peso de ouro, toda essa gente avidíssima, perigosíssima e danosíssima a Portugal que era preciso colocar em consulta pública, sob escrutínio imediato de todos os cidadãos, abrindo esses contratos fechados e secretos, controlando quem entra na Administração, para quê e porquê. Se é o favor político e não o mérito que determina as escolhas na Administração, que moral e que exemplo é dado pelos que assumem posições de gestão pública?! Na Era de todas as Avaliações sobre o pequeno funcionários sem horizontes, conviria o próximo ser o primeiro Governo verdadeiramente transparente quanto ao que faz com o nosso malbaratado dinheiro. Quanto a estes últimos anúncios, são os últimos cartuchos de uma legislatura de espectáculo, vivendo de fanfarronada e inchaço. Já, porém, lhes conhecemos o tique central. A cansativa e falsa língua diverge-lhes do coração ávido: «Actualmente, as responsabilidades de supervisão das entidades bancárias e das seguradoras concentram-se nas mãos, essencialmente, de três entidades: Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e Instituto de Seguros de Portugal. O objectivo do Governo é colocar em consulta pública as novas propostas de alteração, no início de Setembro, poucas semanas antes das eleições legislativas marcadas para o final desse mês.»

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