MATAR-SE EM SERVIÇO
Não compreendo. É certo que aquilo que vemos nos desgosta a cada passo e o facto de não se operarem rupturas com a podridão em vigor, só passos bem medidos e comedidos, só declarações a medo, pode mergulhar-nos em infinitas depressões. Mas por que motivo a violência difusa na sociedade portuguesa não passa disto?! Volta-se contra as próprias vítimas, recai entre pares, incide sobre os mesmos, na mesma luta, na mesma penúria, nos mesmos bloqueios, nos mesmos labirintos e estrangulamentos da esperança. Decididamente, falta que se perceba o alvo certo. Ele existe. Há cem anos, pensavam saber qual era e agiram. Há duzentos pensavam saber qual era e de quem era a culpa e fizeram história. Hoje, com muito mais razão para se saber clara e concretamente quem nos trucida, rasura e trai, as ruas permanecem desertas, a indignação surda, a revolta tácita.
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'os dirigentes fazem as burrices,
os dirigidos levam as cacetadas'