quarta-feira, outubro 26, 2011

INTEGRAR A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Somos do Mundo. Não somos, nunca fomos da Europa como iguais, senão como longínquos inferiores como inferiores ignorados. E agora ainda menos, remetidos que estamos a uma espécie de mascote ao colo da Alemanha e que a França afaga enternecida. Esta Europa do directório Galo-Teutão e do desconforto extra ou trans-europeu hesitante dos britânicos gosta da nossa submissão e elogia-nos como se elogia o vendedor de fruta pelos hábitos de bom pagador, mas nós somos do Mundo. Não nos deveria escandalizar a ideia de mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, o Reino de Portugal integrar a República Federativa do Brasil. Para começo de conversa, por cá os casamentos luso-brasileiros são em enormíssimo número assim como a descendência luso-brasileira. Por alguma razão interessante, [alguns dizem, com alguma malícia, para «limpar o sangue do pézinho na senzala»] as brasileiras procuram e dão-se bem com os portugueses e muitíssimos portugueses realizam-se absolutamente como homens e como machos somente com brasileiras, coisa que vem talvez desde o tempo das caravelas e o acrisolar da muito nossa semântica do corpo, linguagem como que fomos falando felizes as desenvoltas mulheres tropicais do mundo. Mas por que não ser uma só coisa política com o Brasil? Seria como se finalmente a Nascente se espraiasse ao ponto de se refazer e reencontrar precisamente na largueza luminosa da Foz, unindo o que nunca o mar poderia separar. Acho que li pela primeira vez esta ideia, aparente mirífica, do Miguel Castelo Branco. Ficou-me. Se o fizéssemos mais cedo que tarde, seria interessante termos duas moedas, o Real e o Euro; seria interessante disputar ao mesmo tempo a Primeira Liga e o que passaria a ser o Luso-Brasileirão, com o meu Vasco e o Flamengo dos outros jogando contra o meu FC Porto e o Benfica. Certamente que, ancorados no portentoso Brasil, contrabalançaríamos a manta de farrapos desnorteada que é esta falácia europeia e seríamos outra vez do mundo e não este apêndice desprezível, sem azimute, sem leme, a reboque de desígnio nenhum, feliz com nada, repleto de esperança nenhuma.

1 comentário:

floribundus disse...

quando a corte de d.joão vi esteve fora do rectângulo para fugir de napoleão
criou-se o reino unido de Portugal-Brasil.
preferia a comunidade dos Palops.

provavelmente o Brasil não aceita reinois falidos