sexta-feira, outubro 28, 2011

MÚMIA DE PORCO

Nunca comprei um presunto inteiro na minha vida. Mas no clube do bairro há um sistema de angariação de fundos para certas modalidades desportivas amadoras que passa pelo sorteio de um presunto ou de um bacalhau, a escolha é do sortudo, tendo em conta o acerto no primeiro número a sair nos pseudo-sorteios do Totoloto. Funciona. Meu pai e meu cunhado têm tido sorte aí. Benditos nacos indirectos os que me calham. Há um efeito nos meus dez quilómetros/dia, invariáveis e infatigáveis, na ida e na volta do trabalho: geram-me uma fome de sabores que dói. Dou por mim ávido, esfomeado. Agora com essa carne à mão, eis-me a cortar presunto, a golpear presunto, a trinchar presunto, a serrilhar presunto, faminto no fim de um dia duro. Prefiro cubos a fatias. Acompanho com vinho maduro tinto, por exemplo, um odoroso Pias alentejano. E sossego. Sucede que, dada a frequente autópsia aos quartos mumificados do bicho, dou por mim a analogizar essa carne querida exactamente com a de múmia. Não importa. A múmia de porco, isto é, o Presunto, continua a ser uma magnífica invenção gastronómica que encaixa na minha fome funda e me dá o prazer que me é devido ao fim do dia.

1 comentário:

floribundus disse...

comia-o cru, cozido, frito, assado
com tinto alentejano

actualmente prefiro saber que o comem.
bom proveito