sábado, outubro 22, 2011

A ÁFRICA «EM QUE TUDO É EXCESSIVO»

«Discordo ligeiramente de si, meu caro joaquim. Não porque seja um humanista ou um pacifista (que não sou...), mas porque considero que até na vingança  pessoal, popular, nacional, revolucionária ou de um estado  deve existir algum método, sem o qual tudo depois fica reduzido à selvajaria sem significado. Concordo plenamente que aquela outra matilha (o grupo descontrolado que o matou) não era domesticável ou composta por cavalheiros. Limitemo-nos pois a verificar isso 'resignados'. Mussolini não foi 'executado' por um tribunal popular ou por uma multidão  mas pelos serviços secretos britânicos; depois foi pendurado como um presunto, e a população que ergueu o braço saudando tantos milhares de vezes, foi lá assistir e fazer-se fotografar com os presuntos na praça. Ceausescu foi julgado (talvez ilegalmente e apressadamente à luz do Direito...) por um conjunto de cidadãos romenos; mas estes proferiram uma sentença, os para-quedistas romenos rebeldes (fardados com fardas regulares e verdadeiras...) guardavam o casal e foi um grupo deles que executou uma sentença proferida  deram-se ao trabalho de filmar e de registar todo o processo. Hitler tomou veneno e deu um tiro na garganta; depois seguiram-se julgamentos, penas de prisão e de forca. Já Samuel Dow, na Libéria, foi espancado, arrastado, mutilado e esfolado vivo  e o 'video' foi transformado num poderoso meio pedagógico a exibir a crianças pequeninas com 4 e 5 anos das escolas de todo o país. Agora Muammar é simplesmente apanhado, pontapeado, espancado, trucidado; e baleado para-médico-legista-e-inglês-verem. Enfim, é África  a África "em que tudo é excessivo". E, pela estatística, é fisicamente impossível que a turba revolucionária esteja impoluta de antigos colaboradores do regime de Khadafi: a crueldade extrema e a dedicação absoluta à nova causa também significam medo e má consciência, pois durante demasiado tempo demasiada gente apoiou e serviu o regime incondicionalmente  sem olhar às instruções mais absurdas. É mesmo desta massa despenteada, selvagem, sôfrega, ambiciosa, amoral e acrítica que estes 'regimes' são feitos. Vamos a ver agora quão livre, democrática, feminista, progressista, pacifista e trabalhadora é a "Nova Sociedade" líbia a emergir. O que se passou na Líbia não foi "uma nova madrugada" mas uma coisa velha como o mundo.» Besta Imunda

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