Muammar Khadafi morto é um monumento às balas quando tão bem empregues, elas que tantas vezes matam inocentes e ceifam, na flor da vida, os mais humildes dos humildes, levando-os ao Além tão fora do tempo. Um monumento a balas úteis e nem é pelo sangue recente nas mãos desse cão, mas pelo conjunto de malfeitorias, crimes e abusos de que foi responsável ao longo de décadas, astuto prostituto da hipocrisia ocidental que o manteve vivo e próspero por tanto tempo na medida em que lhe calhassem migalhas de prosperidade. Acham-se muito humanistas e civilizados todos quantos afirmam ter sido preferível um espectáculo sem sangue, sem eufórica loucura no processo de o linchar, sonho de que o monstro fosse capturado e julgado segundo a justiça mediática e mediatizada do mundo, com os seus imperativos comerciais para abichar milhões a partir do sensacionalismo mais torpe. Azar. Tal como Ceausescu e Mussolini, a Líbia resolveu o seu problema de outra forma. E não consta que a Roménia fosse menos Roménia ou a Itália menos Itália por terem morto os seus tiranos e vibrado com essas mortes. Uma aberração incapaz de misericórdia e imune a todas as formas de compaixão tem na morte a única solução que assiste aos cães raivosos que não se detêm nem sequer diante de crianças. Cãodafi estava para além de quaisquer códigos e quaisquer as leis redigidas para seres humanos com um mínimo vestígio de humanidade. Os media ocidentais não estão autorizados a emitir pudibundices gemebundas nem a ousar declarar desprezível e desumana a morte de um criminoso desprezível, desumano e devastador, entre os piores da História. Pesa-me muito mais o calibre dos líderes que bajularam Khadafi, extensamente cientes, através dos serviços secretos, da espessa insânia e da grossa culpa do espécime. Pesa-me mais os que, como Blair e Sócrates, o masturbaram recentemente. Em certos traços, talvez não se distingam dele.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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4 comentários:
Desejo sinceramente que o meu caro nunca trinque a língua. Não tenho dúvidas que sucumbiria ao veneno que dela sairia...
Fico chocado com as coisas que escreve.
Passe bem.
Sobre a morte de Kadafi registo a indignação das autoridades mundiais que exigem saber como ele morreu, eles que tentaram matá-lo com bombardeamentos.
Discordo ligeiramente de si, meu caro joaquim. Não porque seja um humanista ou um pacifista (que não sou...), mas porque considero que até na vingança - pessoal, popular, nacional, revolucionária ou de um estado - deve existir algum método, sem o qual tudo depois fica reduzido à selvajaria sem significado. Concordo plenamente que aquela outra matilha (o grupo descontrolado que o matou) não era domesticável ou composta por cavalheiros. Limitemo-nos pois a verificar isso 'resignados'. Mussolini não foi 'executado' por um tribunal popular ou por uma multidão - mas pelos serviços secretos britânicos; depois foi pendurado como um presunto, e a população que ergueu o braço saudando tantos milhares de vezes, foi lá assistir e fazer-se fotografar com os presuntos na praça. Ceausescu foi julgado (talvez ilegalmente e apressadamente à luz do Direito...) por um conjunto de cidadãos romenos; mas estes proferiram uma sentença, os páraquedistas romenos rebeldes (fardados com fardas regulares e verdadeiras...) guardavam o casal e foi um grupo deles que executou uma sentença proferida - deram-se ao trabalho de filmar e de registar todo o processo. Hitler tomou veneno e deu um tiro na garganta; depois seguiram-se julgamentos, penas de prisão e de forca.
Já Samuel Dow, na Libéria, foi espancado, arrastado, mutilado e esfolado vivo - e o 'video' foi transformado num poderoso meio pedagógico a exibir a crianças pequeninas com 4 e 5 anos das escolas de todo o país. Agora Muammar é simplesmente apanhado, pontapeado, espancado, trucidado; e baleado para-médico-legista-e-inglês-verem. Enfim, é África - a África "em que tudo é excessivo". E, pela estatística, é fisicamente impossível que a turba revolucionária esteja impoluta de antigos colaboradores do regime de Khadafi: a crueldade extrema e a dedicação absoluta à nova causa também significam medo e má consciência, pois durante demasiado tempo demasiada gente apoiou e serviu o regime incondicionalmente - sem olhar às instruções mais absurdas. É mesmo desta massa despenteada, selvagem, sôfrega, ambiciosa, amoral e acrítica que estes 'regimes' são feitos. Vamos a ver agora quão livre, democrática, feminista, progressista, pacifista e trabalhadora é a "Nova Sociedade" líbia a emergir. O que se passou na Líbia não foi "uma nova madrugada" mas uma coisa velha como o mundo.
Ass.: Besta Imunda
O ser humano tem memória selectiva. Todos os grandes líderes mundiais bajularam Kadafi, mas quando ele se tornou uma ameaça na fixação de preços do crude eliminaram-no.
Aqueles que julgam que as recentes mudanças na zona germinaram em movimentos espontâneos da população são inocentes, não é necessário ser um expert para se vislumbrar as “mãos” da Cia e da Mossad, porque é que a Nato não intervém na Siria?
Não esqueçamos que aqueles a quem muitos chamam os guardiães do mundo (EUA) são os mesmos que, sigilosamente, acoitaram técnicos nazis e, enquanto se mostravam ao mundo como salvadores da Europa com o PLANO MARSHALL patrocinavam médicos nazis que experienciavam na população da América Latina inseminando doenças, médicos que deveriam ter sido julgados em Nuremberga.
Aos grandes do mundo interessava a morte de Kadafi não a sua captura, foi um alívio para muitos, calou-se, mas ainda disse que patrocinou a campanha de Sarkozi ao Eliseu, alguém duvida?
Eu não!
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