sexta-feira, Novembro 14, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME XII



[As Aventuras do Santa Alcoveta] 

SóCrash, o Santa Alcoveta, o grande Crash impante e ufano do Rato e de Portugal, não tem dormido bem. As insónias sucedem-se. Tem pesadelos terríveis. Por isso convocou Isabel Loira Moreira para lhe vir ler uns poemas e assim ajudá-lo a adormecer. A deputada do desbragamento, da fúria sexual e das rupturas de Extrema-Esquerda acorre ao seu mestre num pronto. 23 horas em ponto, ei-la que assoma à porta da Bramcamp e fala pelo intercomunicador: 

— Sou eu, SóCrash. Trouxe os meus livros, anotados. 
— Olá, querida deputada que eu coloquei no grupo parlamentar do nosso PS para infernizar a tola ao Seguro, sobe, sobe... 
— É para já, Santa Puta. Uma vez adentrada naquele templo de conforto e luxo, Isabel Loira Moreira não esconde o seu espanto, as fragrâncias, a decoração... 

— Pá, SóCrash, enquanto filha de Adriano Moreira, um conservador que ajudou a fundar o CDS e que foi ministro de Salazar, comungando algumas ideias corporativistas do Estado Novo e apoiando activamente a política, devo dizer que isto é fantástico. 
— Ainda bem que gostas, Isabel Loira Moreira... 
— 'Pera aí, Santa Puta... Pronto, já foi... 
— O quê, pá? 
— Um orgasmo. Estar aqui, olhar para a tua qólidade de vida... 
— Eh pá, Isabel, ainda bem que não seguiste as pisadas ideológicas do pai. Nunca terias tido um na vida. Ahahahaahahah 
— Eheheheeh, Santa Puta. Queres então que te leia, declame, vá!, os meus poemas para que adormeças... 

— Sim, como vês, já estou de pijama. Completamente pronto... 

terça-feira, Novembro 11, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME XI

[As Aventuras do Santa Alcoveta]

SóCrash, o grande candidato a todas as candidaturas impossíveis do favor popular, o grande monte de verborreia de mentir, o carisma negativo da mitomania e da charla política na História de Portugal, teve uma ideia presidencial. Algo genialmente inovador germinou-lhe na mona. Se o Rato não o quer por perto nem o quer como candidato presidencial para 2016, imaginou que poderia avançar alguém que, não sendo ele, fosse quase como se fosse ele. Carlos César. «Que tal, calhordas do Corporações?!» — esganiçara o Santa Puta em plenas catacumbas ultrassocialistas, o bunker do Rato. Os Calhordas estacaram e ensaiaram uma resposta. Foi assim que se iniciou um esplendoroso debate sem ataques pessoais entre o Santa Alcoveta e os Calhordas do Corporações e que haveria de ficar nos anais da debatologia nacional.

— Calhordas, é o que vos digo. Caso Guterres não queira concorrer nas presidenciais de 2016, o melhor candidato, excluindo eu mesmo, passa a ser Carlos César.
— Mas, ó Santa Puta, nada sabemos da disposição de Guterres. O que sabemos é da disposição favorável a Guterres do teu Gajo, o Costa.
— O meu Gajo, o Costa, anda entretido a afastar-se de mim, a criar taxas para turistas na Capital, a fazer uma recolha de economistas e a ter trocas de palavras com o Maduro. Ouvi-o dizer que apoiava António Guterres como candidato à Presidência. Empalideci de raiva.

— Sim, Santa Puta. Nós também espumamos de raiva por amor de ti.
— Calhordas, Guterres é um fraco. Demitiu-se em plena fulguração da minha rapina, quando os meus negócios e as comissões com o Euro 2004, mesmo o Fripór estavam a bombar, estupendamente encaminhados e sob o grande biombo santificador da Governação.
— ... Que ele destapou, abrindo caminho à Direita Decadente.

segunda-feira, Novembro 10, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME X



[As aventuras do Santa Alcoveta]. ‪

‎SóCrash‬, o Santa Puta, entusiasmado com o mais recente acto de censura e intolerância no Facebook por parte do seu protegido jovem turco e promissor Daniel Oliveiresco sobre o chato do PALAVROSSAVRVS, joshua, um dos seus mais acirrados detractores, acerta um encontro com ele na Torre de Belém para um café secreto e umas natas clandestinas. 

Dani é o primeiro a chegar. Trouxe uma pequena garrafa thermos. Surge disfarçado, com uma longa cabeleira loira e óculos escuros, embuçado numa sweat shirt negra com enorme capuz. Pouco depois, aparece SóCrash, luvas de couro, óculos escuros e uma T-shirt encarnada com o Che estampado, vestida por cima de uma camisa de manga comprida negra. Trazia as natas num saco de papel castanho.

— Viva, Dani! Deixa-me antes de mais cumprimentar-te pelo teu acto de higiene de ontem, na tua página do Facebook de que sou fã — atirou logo o Santa Puta. 
— Como vais, Santa Puta? Ah sim. O tipo é um chato de Direita que acha ter piada. Não debate. Não argumenta. Passa o tempo a fazer piadas xungas, a meter-se comigo, sem respeito nenhum pelas nossas ideias, sempre com cenas contra a Esquerda e a nossa quádrupla entente. Vê lá, SóCrash, que se atreveu a escrever no seu mural que eu ainda serei um novo Jorge Coelho e o Tavares, o Rui, do LIVRE, um novo Pina Moura. Cortei-lhe o pio e a mais uma gaja inteligente que fazia coro com ele. Até porque esse caralho já estava a granjear enorme popularidade no meu próprio público que o enchia de gostos. 

— Fizeste bem. O gajo não passa de um professorzeco frustrado e com uma cisma messiânica, basta ver como apresenta a fronha do Cristo há anos, no bloque e em tudo aquilo em que está metido. Está desempregado do Ensino desde Outubro de 2012, quando o Crato inchou as turmas com a aritmética da austeridade e o pretexto do excesso de oferta docente. Os nossos serviços de informação garantem-me que esse filho da mãe fica indefinidamente a seco, para aprender.

quinta-feira, Novembro 06, 2014

SOB O VÉU DA CARNE

Mantenho as minhas corridas vespertinas quotidianas, quando a luz esmaece laranja-rósea e a minha voz se espraia na base natural da ficção pelo olhar. Corro. Corro pelas horas. À minha direita, o mar esverdeja e brama com os seus minúsculos sorrisos de espuma e tudo decorre como se as minhas pernas cruzassem palavras invisíveis para um universo metafísico, hiperatento à rica e compenetrada sucessão do meu compasso íntimo, pulsar cadenciado. Sobre mim, o céu azuleja. Coronário, o suor arfante do meu corpo é o mercúrio azul da vida que vai fixando a ressurreição corpórea deste meu íntimo ente misterioso por se revelar e que só um crente futuro poderá ler na transparência porque poderá ver a união seminal que foi sempre o motor da minha Fé sem oscilação no perpétuo risco aceite sob o véu da carne. Ver, o crente futuro verá nítida essa brecha irredutível repleta de vida, biliões de outros entes, vê-la-á, pela volúvel seara cósmica ancorada no Cronos e no tecido negro-amoroso da volição divina, no verbo performativo anelante que ostento. Corro. Eis o tempo e o argumento do poema. O crente conhecerá a borboleta do jardim sem reparar se acaso é borboleta: ela destina-se a recordar a vida imortal de um adorador do Altíssimo, que a todos arrancará, ungidos e odorosos, da provisória dormência mortal das suas tumbas.

quarta-feira, Novembro 05, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME IX

[As Aventuras do Santa Alcoveta]

SóCrash, o Santa Alcoveta, o alcoveta optimista-comissionista de todas as oportunidades de comissionar a 2%, o dente afilado na carne do contribuinte do passado, do presente e do futuro, o magno charlatão aperaltado do Regime, sente-se insatisfeito e perdido, sem projecto senão ficar na sombra, na sala vazia da RTP, colado ao seu Gajo, o Costa, para abrir caminho a uma candidatura presidencial ou não abrir. Ele sabe que o ok para tal projecto que não há meio de chegar pode não chegar, até porque o Padrinho Don Marioleone já percebeu o lastro impopular que SóCrash representa para o Gajo do Rato, o Costa. Os seus, que o deveriam apoiar, apoiam cada vez mais a sua partida forçada para fora do País, de novo Paris, os Estados Unidos para afiar o seu Inglês Macarrónico, um exílio redentor qualquer bem longe do País. Entendem que a sua cercania do Gajo Costa embaraça e embacia esse sol do socialismo mãos-largas que vai triunfalmente a votos em 2015.

Por isso SóCrash resolve desabafar com o seu modelar filho espiritual, Manuel Pinho, sondando-o, também a ele, sobre o presente e sobre o futuro. O encontro é nas Catacumbas do Corporações, onde se colige todo o saber-marreta acerca de qualquer adversário que se possa mais tarde sujar e intimidar, desde que se oponha ao grande projecto comissionista ultra-socialista que há-de levar Portugal a uma Bancarrota de cada vez:

Pinho é o primeiro a chegar. Acende um cigarro numa nota de vinte euros e contempla a hora combinada no relógio de vinte mil euros, belos tempos áureos, esses do DDT BES Salgalhado. Entretanto, SóCrash chega, embrulhado numa gabardina negra e oculto sob uns óculos escuros. Como de costume, o Santa Puta dispara o cumprimento habitual:

— Olé, Pinho, pá! Manel, dá cá esses cornos, pá, olé!
— Ehehehe Olá, Santa Puta! Que saudades, pá, dos nossos tempos de glória.
— E de grande rapina, pá, Pinho.
— E de grande rapina, Santa Puta! Pois é... Foi por uma nesga que o TGV não se fez...
— Nem o Novo Aeroporto. Pá, Pinho, a malta do nosso Rato, os meus mais íntimos escravos, quer que eu me pnha no caralho... Nem acredito.
— Santa Puta, meu amigo, é a política...
— Pois, mas eu ainda tenho muito para dar ao Rato e sobretudo preciso da grande imunidade de dez anos que só uma Presidência da República me daria... Nada me daria mais prazer que suceder ao traste de Bouliqueime.
— Isso é impossível, Santa Puta. O pessoal que analisa números já concluiu há muito tempo que ardeste... Nem para candidato serves.

segunda-feira, Novembro 03, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME VIII

[As aventuras do Santa Alcoveta]. 

Costa foi arrebanhar o micropartido Livre para o frentismo de Esquerda; Cavaco presidiu ao 05 de Outubro com a tónica na reforma do sistema político-partidário; ninguém quis saber o que pensava o Santa Puta de Cavaco, novamente por ele-SóCrash insultado na RTP, pois o respectivo share há muito anda a roçar o pó da indiferença. Enfim, o tédio era de mais e a SóCrash apetecia-lhe algo. Resolveu por isso mesmo procurar o Padre Melícias para se confessar numa conversa reparadora. 

Entrou na Igreja como numa inauguração ou num anúncio da PescaNova, 2005-2011, impante, inchado, teso como um pepino, percorreu o corredor central do templo vazio. Os tacões dos luxuosíssimos sapatos ecoavam secos e, na penumbra, as imagens dos santos como que plasmavam esgares de repulsa e o transporte facial do terror. Finalmente, acedendo à sacristia, encontra o Padre Melícias a contar uma peripécia de caça ao seu irmão sacristão: 

— ... Apontei a caçadeira e zás, com dois tiros, encomendei a almas daquelas duas perdizes ao meu bom São Francisco. Depois almoçámo-las na casa do meu amigo... Ó meu caríssimo amigo Santa Puta, SóCrash! Bons olhos o vejam. O que o traz por aqui? 
— Meu amigo e filho da mãe Melícias, você não envelhece, pá. Não... Vim com o intuito de conversar consigo. Confessar-me, vá. Mas exijo que o Sr. Padre Melícias se me confesse também. Seria um verdadeiro serviço público ouvi-lo a narrar essas gloriosas caçadas e poder falar-lhe do mundo submerso dos grandes escritórios da advocacia de negócios de Lisboa, que são oito, os principais. 

— Meu filho, não tenho muito tempo e há ali duas ou três almas para a missa das 11h. Vá, mas pronto. Vou ouvi-lo com toda a atenção. 

SóCrash pôs-se à vontade. Tirou o casaco. Deitou-se no banco corrido da sacristia e começou a falar, como se estivesse no consultório de psicologia:

sexta-feira, Outubro 31, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME VII



[As Aventuras do Santa Alcoveta]

Vara, incumbido de agendar um encontro privilegiado entre SóCrash, o Santa Alcoveta, e o Diabo, lá ganhou ânimo e tratou disso. Foi, naturalmente, mediante um telefonema e um telemóvel descartável. 
— Tô, tô? É o Diabo? 
— Sim, pá, sou eu em pessoa e tal, a substância, o parasita no ser da espécie humana, sou a besta que habita em ti e em quem quiser e fizer por isso. 
— Ah, então é você. Este número está certo. Desculpe lá o incómodo, mas o meu amigo do peito SóCrash... 
— Sim? Trata-me por tu. Somos íntimos. 
— ... pediu-me o favor de lhe propor um encontro... 
— Claro que sim, mas a verdade é que eu estou sempre com ele. 
— Sim, pois, Diabo, claro... Olhe... olha, sei que está... estás, sempre muito ocupado... você... tu vestes bem, perfumas-te melhor, calças-te com primor e requinte... és um excelente orador, o meu amigo Santa Puta admira-te muito... e quer encontrar-se consigo... contigo de um modo... único e especial... 
— Ok. Tratarei disso. Não é preciso que me aguarde neste ou naquele dia, no Gambrinus ou no caralho, Armando, meu camarada. E não lhe digas nada. Far-lhe-ei uma surpresa inesquecível. 

E foi num desses dias em que a maluqueira toma conta da cabeça do Santa Alcoveta e lhe dá para gastar cinco mil euros duma vez em rosas vermelhas, mandadas colocar por todo o apartamento da Bramcamp, e em que depois se deita a aspirar aquela delícia. O Diabo apareceu-lhe, nu, colado ao tecto do quarto, mesmo por cima da cama onde, de braços cruzados atrás da cabeça e pernas cruzados, SóCrash dormitava deleitado. De braços abertos, como um crucificado do prazer, fazendo uma paródia assustadora da famosa cena do filme Beleza Americana, o Diabo acena-lhe e faz-se notar. Abrindo os olhos, SóCrash começa por dar um gritinho, depois percebe quem é, acalma-se, mostra-se familiar e entabula um delicioso diálogo com o seu mentor e mestre: 

— Ahhhh, Não acredito... És tu, Diabo? E o Armando que não me avisa... 

quinta-feira, Outubro 30, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME VI

Outro galheteiro de proprietários do Regime e da Democracia
[As Aventuras do Santa Alcoveta]

 SóCrash, o grande condecorado, a alma e a lama do Regime, sentiu um tremor de gozo ao ouvir falar na extraordinária entrevista do seu ex-ministro e ex-penduricalho ameba de Direita Esquerdizante, Freitas do Amerdeiral. Não perdeu tempo e convocou-o para um Porto, na Bramcamp. Pressuroso, a sumptuosa luminária infalível compareceu e, com enorme deferência, foi o próprio Santa Alcoveta a vir ao átrio recebê-lo:

 — Caramba, pá, Freitas do Amerdeiral, dá cá esses ossos, essas banhas essas bochechas impagáveis, pá!
— Meu caro Santa Puta, não imagina a honra em ser por si recebido. Sabe que em Portugal eu pertenço à casta dos especiais...
— Sim, claro, pá, comendador Amerdeiral, tu és um prodígio sumptuoso da palavra e da ideia...
— As TV chamam por mim, Santa Puta... O que eu digo conta!
— Sim, pá... As nossas TV veneram os fósseis do Regime, os inúteis e as canas agitadas pelo vento, professorais sibilinos... E esse, definitivamente, não é o teu caso, pá. Que encantas pela frescura e pelos teus postulados de Esquerda...
 — Claro. Eu sei que sou brilhante... Como o Santa Puta sabe, liderei o CDS, mas basicamente o meu espírito pardo servia de biombo ao génio de Amaro de Costa. Estive com Sá Carneiro, embora muito na sua sombra porque o meu carisma é um carisma...
— ... Murcho... Amerdeiral. Deixa lá. O meu gajo, o Costa, também não tem um quarto do meu carisma, mas nós, no Rato, temos estado a trabalhar nisso.

terça-feira, Outubro 28, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME V


[As Aventuas do Santa Alcoveta] 

De óculos escuros e uma gabardine negra, SóCrash, o Santa Puta, encontra-se com o Armando, o Vara, na Pastelaria de Belém para avaliar os progressos no grande Golpe de Estado das Esquerdas em decurso, liderado pelo testa de ferro Costa. Vara cumprimenta-o entre dentes: 

— Então, pá, Zé, Santa Puta? 'Tás bom? E o nosso Costa, como é que a coisa vai? 
— Olá, pá, Armando! Nosso Costa, não. Meu Costa. E o meu Costa vai bem. Fez bem em ir falar de treta de Esquerda para entreter as Esquerdas, lá na taberna irrisória do LIVRE. Eh, pá, aquele Tavares está mortinho por ser ministro. Talvez chegue a chairman da MotaEngil. 
— Cuidado, pá, Santa Puta. O teu gajo continua a nada dizer de substantivo que ultrapasse a mesma lógica do Marinho e Pinto também para que qualquer eventual acordo, seja com quem for, se torne possível, nem que seja com o Diabo. Mas as ideias fazem falta, pá. 
— Ainda bem que falas do Diabo, Vara. Sabes quem foi o gajo que me mandou ter com ele? 
— Com quem? 
— Com o Diabo? 
— Sim, quem é que te mandou ir ter com o Diabo? 
— O filho da mãe do Melícias. Fiquei-lhe com um pó. E no entanto, gostava de um encontro com o gajo. Veste bem e usa bons sapatos e perfumes... 
— Pois, pá. Deste confianças ao padre camarada.... Mas esse nosso gajo Costa... 
— ... Nosso, não, meu Costa... 
— Ou isso, pá, Santa Puta, esse teu Costa não diz nada para além da utilidade que o nada tenha para o processo da tomada de decisões, dá para ver donde vem a sua autoridade política, não é de um carisma de líder visionário como tu, Santa Puta, que ele não tem e nunca terá... 

segunda-feira, Outubro 27, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME IV

[As Aventuras do Santa Alcoveta] 

SóCrash, o Santa Alcoveta, o grande herói do gamanço nas governações, o mega mago das comissões, ficou inusitadamente inspirado com o grande colóquio mantido e mentido com o Diabo Nu, especialmente depois da festa no Gambrinus, onde os amigos do Diabo vão amiúde. Já mais refeito, e perante a impopularidade difusa que vai recobrindo o seu Gajo, o Costa, agora chamado o Pluvioso Costa, resolve reunir-se com o seu clone e sósia, o Beato Silva Clone Pereira. A reunião é agendada nas catacumbas do Corporações, onde se giza todos os dias formas de compilar informação de foder adversários, entalar marcelos e chantagear oponentes. O Beato Clone é o primeiro a abrir a habitual conversa de merda. 

— SóCrash, meu querido líder e espelho de trejeitos, o Pluvioso Costa está a ser vítima do tempo e a perder popularidade. Os nossos media fazem o que podem, a SIC e a Constança louvam-no, evitam o contraditório, poupam-no à crítica e a qualquer mácula, como o passivo da CML de mais de 1000 milhões... mas as redes sociais vergastam-no todos os dias... Sobretudo quando chove. 
— Eu quero que as redes sociais se fodam. Já estou farto de mandar dizer que é para não recordarem os negócios que mais me envaidecem. Fala-se no BES, falam em mim. Fala-se na PT, falam em mim. Em vez de criticarem e derrubarem este Governo da Direita Decadente, é a minha obra, o meu legado e a minha herança... Desejem-me, porra, mas esqueçam a gasolineira que fali e a Chafarica da Pátria, que fodi. 
— Acalma-te, Santa Puta! Olha que ainda serás o nosso Presidente da República. E tens de pensar que a Direita anda assustada. E assustada com a própria Direita. Por exemplo, olha o Mendo Castro Henriques. 
— O que tem ele, Clone? 

sexta-feira, Outubro 24, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME III

[As aventuras do Santa Alcoveta] 

SóCrash, o Santa Alcoveta, a regra excepcional do Regime, sente saudades do seu galfarro e discípulo Paulo Campónios. Decide convocá-lo para um jantar numa tasca da Capital. Campónios, feliz por poder ver o mestre, é o primeiro a chegar. Pouco depois, chega o Santa Puta, animado com a promessa de um delicioso repasto, o seu café e o seu cigarro: 

— Olá, meu filho Campónios, como vais, pá? 
— Melhor que nunca, sobretudo depois de o crápula do Seguro nos ameaçar evacuar das listas de deputados para as legislativas de 2015, conseguimos pô-lo a andar primeiro... e tu, Santa Puta?! 
— Estou muito bem, pá... Não... aquilo foi muito bem jogado por nós... Se eu vos perdesse no Parlamento, perderia boa parte da minha força conspirativa no Partido e no País. 

— SóCrash, tu já viste aquela cena do Vítor Bento? 
— Qual merda? O que é que tem o Vítor Bento, pá, Campónios? 
— Antes de sair para a direcção do nosso BES, que degenerou em Novo Banco, o gajo pediu a reforma antecipada do Banco de Portugal. 
— E? 
— O governador Carlos Costa aceitou. 
— E então, Campónios? 
— Só que o gajo nunca chegou a assinar os papéis.

quinta-feira, Outubro 23, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME II

[As Aventuras do Santa Alcoveta]

SóCrash, o Santa Alcoveta, sente-se excitado com as reacções sobressaltadas do Partido Socialista de Extrema-Esquerda ao Orçamento de Estado para 2015, o qual mantém o aumento brutal de impostos e, portanto, não é eleitoralista. Vendo que se aproxima o fim do mês de Outubro sem que se confirme a profecia do Padrinho Don Marioleone... a da queda iminente deste Governo de Direita Decadente, resolve fazer-lhe uma visitinha, dirigindo-se, para o efeito, à Fundação Don Marioleone. Quando Don Marioleone detecta SóCrash, estende-lhe a mão polpuda e o Santa Puta segura-a, dobra o joelho e beija-a repenicadamente: 
— Abençoe-me, Padrinho, Don Marioleone, todo o dinheiro e todo o poder ao nosso Rato, hoje e para sempre... 
— Impostor! Os meus informadores garantem-me que me consideras obsoleto, Santa Puta, e não suportas que eu, pelo jornal i, te desvie da vida política. O que dizes em tua defesa?... 
— Ó Padrinho, por quem é?! Eu sou todo seu, um fanático da sua história e dos seus feitos... Tenho toda a legitimidade para ambicionar uma candidatura à Presidência...

quarta-feira, Outubro 22, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME I


[As Aventuras do Santa Alcoveta]

SóCrash, o Santa Alcoveta, convoca à Bramcamp o seu protegido Costa para fazer o ponto de situação da situação do silêncio e percurso do Costa enquanto seu Gajo. Ei-los juntos, finalmente, juntos, na grande sala repleta de perfumadas rosas vermelhas. Uma coisa aborrece sobremaneira SóCrash. Não, não é a rejeição do PEC IV. Foi aquilo que o Ministro António Pires de Lima ousou dizer no passado dia 14 à Comissão Parlamentar de Economia. Costa é o primeiro a tomar a palavra:

— Olha, pá, SóCrash, a chuva já passou, as sondagens que nós encomendamos dizem o que queremos... 
 — Gajo, podes continuar calado, mas bem que me poderias defender publicamente do que o pulha do Pires me está a assacar? 
— O quê, Santa Puta? Sabes que há coisas que é melhor eu nem comentar. 
— Gajo Costa, o Pires disse que os problemas actuais da PT foram causados no passado por mim, pá, que tudo começou com os meus Governos e acabou com os meus Governos, pá... 

segunda-feira, Outubro 20, 2014

EU SONDO, TU SONDAS

COSTA OU OS DIAS DA TUMEFACÇÃO

Mais algumas semanas e os resultados das sondagens e pequenas medições de popularidade ditarão ainda o estado de graça de Costa, o gajo do SóCrash e de Don Mariolone Soares. Costa não passa de um peixe-balão a gozar os últimos momentos de tumefacção messiânica, popularidade e efeito surpresa. Neste momento e por algum tempo ainda.

Tirando o caso de se tratarem de sondagens a soldo e à medida do freguês, coisa a que os anos SóCrash nos habituaram, se forem fidedignos, estes resultados atestam a enorme vocação e pendor imbecil das massas aleatoriamente chamadas a expender opinião e a fazer corpo nas estatísticas. Só por crassa falta de memória e de massa crítica, o PS poderia alcançar a sua segunda maioria absoluta, neste século. Impensável. Mas a partir daqui será sempre a descer porque a realidade dura e exigente das contas públicas e os constrangimentos da moeda única e da consolidação em Portugal farão o seu caminho, esmagando Costa e o PS com as alternativas que na verdade não têm. O Partido-Máfia tem o seu próprio lastro e os seus muros intransponíveis.

Não será possível ao Peixe-Balão Costa manter o inchaço impante e a popularidade por inerência, perante um Governo quanto mais responsável mais impopular e mais impopular também porque a agenda dos Media Televisivos da Capital segue caminhos que o financiamento por recursos misteriosos em paraísos fiscais poderiam explicar, a ganância dos interesses na sombra poderia explicar, mas não a honestidade intelectual nem a isenção jornalística, basta ver e ouvir as torpezas de Constança Cunha e Sá ou os torpedos parciais de Ana Lourenço para perceber o alinhamento editorial das estações.

O efeito Costa pode ser este, superficialmente popular, e essa popularidade grandemente devedora do seu silêncio, mas poderá revelar-se terrível e penoso quando o Pluvioso Alcaide voltar a falar e porventura converter-se em Governo para fazer nada mais que o que está a ser feito. Recordemos que, na semana passada, a crise política grega levou este País de regresso às complicações de 2010, com os juros a pagar pelos empréstimos pedidos a dispararem para 9%. Costa, os socialistas e a Extrema-Esquerda, querem enfrentar a dívida e o défice não pelo cumprimento de metas duras impostas de fora e negociadas com a relatividade absolutista do credor, mas pelo alívio unilateral dos processos de cumprimento. Só que a via sancionada pela chancelerina Merkel contra a derrapagem dos défices dos diversos países do Euro não poderia ser mais implacável: o alívio virá pelo cumprimento e não pela descompressão e abrandamento da consolidação.

Espera-se, pois, que os ventos de guerra amainem e que o abrandamento económico dê lugar à vitalidade das bolsas europeias. Do que precisamos é de líderes duros de rins, capazes de resistir à facilidade e dispostos a cumprir na íntegra as metas dos défices. O que hoje possa parecer intoleravelmente exigente converter-se-á progressivamente na rocha sólida a basear a nossa riqueza e semelhança com os países de ponta da União.

sexta-feira, Setembro 19, 2014

RASGADA

Gaivota de asa rasgada
pena intermitente, desdentada,
voa, pia, à bolina
contra o vento sul,
à bolina, contra o vento sul,
entre o cinza e o azul,
entre o cinza e o azul.

segunda-feira, Setembro 08, 2014

RADIOHEAD INTEGRADOS

Thom Yorke, Jonny Greenwood, Ed O'Brien, Colin Greenwood e Phil Selway
Foi durante uns dos meus voos intra-brasileiros pela Avianca que, dada a oferta em entretenimento a bordo incluir a vídeo-audição de The King of Limbs, in the Basement, me senti inspirado e instado a recobrir, ouvir e conhecer, toda a discografia dos Radioheah, não apenas no plano musical, mas também no plano poético e no das artes gráficas que acompanharam a produção dos sucessivos álbuns. Para começo de conversa, a submersão na atmosfera musical resulta numa impressão de intensidade, envolvimento e um que de desconforto kafkiano, dada a linha questionadora e provocatória que medula toda a obra, desde Pablo Honey, 1993, passando por The Bends, 1995; OK Computer, 1997; Kid A, 2000; Amnesiac, 2001; Hail to the Thief, 2003; In Rainbows, 2007, e, finalmente, mas espero que nunca por fim, The King of Limbs, 2011. Estão integrados, in toto, na minha sensibilidade.

sexta-feira, Setembro 05, 2014

LISTA DE DELÍCIAS NO MEU BRASIL

Na Roça, se silenciares a cidade que há em ti, renascerás rural,
místico, íntimo do Criador, sensível ao Seu
Sopro, dócil ao Seu Cristo.
Aquele enxame farto efémero de libélulas, voando à caça de moscas, numa vertigem rectilínea, obliqua, para trás, para diante, em torno da velha odorosa baraúna lá de casa; aquele beija-flor, mínimo, supersónico, em voo brusco, de arbusto em arbusto, entre pétalas rosa, roxo, encarnado; aquela profusão de pássaros sonoros e multicolores, laranja vivo, preto e branco, encarnado, o pica-pau de penugem à moicano, mas especialmente o pássaro azul, sempre só, sempre a solo, entre os demais, todos bicando os nossos restos de arroz, feijão, cuscuz, nenhum deles medindo demasiado distâncias com humanos; aquele sol tão ardente, mal o dia nasce, e ainda ardente enquanto se põe; aqueles crepúsculos de fogo no fim da tarde ou ao romper do dia perante os quais é preciso rezar; a hora intensa do amor, quando a hora do amor intenso chegou; aquele último suspiro da madrugada, o alfange lunar, dois planetas em conjunção; as minhas costas nuas, meu peito, embrenhado na caatinga por horas sentindo os cheiros umburana, quebra-faca, perscrutando chocalhos, revirando cristais, pontapeando espinhos; sol posto, abelhões zumbindo religiosamente como que em adoração ao Criador, entre os ramos e as flores da grande árvore; aquele silêncio místico à hora rubra do horizonte rubro; aquele céu nocturno absoluto, silente, repleto de estrelas desnudando sem mácula a Via Láctea; aquele meu reclinar na rede defronte a quase tudo isto e repleto disto tudo. Este meu encontro com o Criador, à brisa da tarde, e o Seu Santo, lá, no mais completo abandono filial, sem ânsias, sem medos, sem passado, sem futuro, absorto no Momento, fora do mundo, submerso no Cerne.

terça-feira, Setembro 02, 2014

DEAF-INIÇÃO

É um espirro
É um espasmo
É um respaldo pasmo
esponjoso e espraiado.

É um esmifrar esmagante e estuprado.
Sal, quanto do teu mar é um latrocínio crocodiliano-lacrimoso em Portugal?!
O caralho do bom-nome e a puta da honra
que os foda!


quinta-feira, Junho 19, 2014

ARROZ CAROLÍNGIO

Não é carolino o arroz
que como
diário,
vital,
repetente,
exército albino no meu prato rápido e fugidio.
É carolíngio.
Sou eu o Carlos que impera sobre o império de arroz
que come
carolino.
Carolíngio.
Carlovíngio.

quinta-feira, Junho 12, 2014

CRISTINA SCUCCIA CONTRATADA PELO RATO

Numa tentativa desesperada de reconciliar as hostes, Cristina Scuccia, a freira cantora, foi contratada pelo Rato a fim de entreter os quatro meses antes das primárias, na tentativa de que as diversas facções desavindas se entendam, beijem e abracem como nos bons velhos tempos. 

As eminências pardas do Rato, numa prova de união a toda a prova, esperam que daí resulte um milagre para que toda a Loja Ratense regresse ao braço dado e tal pelas avenidas e aos grandes inchaços de Esquerda. 

SóCrash já garantiu que vai abraçar Seguro com uma lagrimazita no canto do olho crocodilo perparada pelos assessores, meticulosos nestas coisas piroseiras mediáticas e verbo de encher. Soares já indicou o desejo de ter lá um colchão para assistir e dormir a sesta ao mesmo tempo. 

Costa já disse que vai guardar a faca a aplaudir comovido a freira e olhar com ternura para Seguro. Seguro ainda não sabe o que fará, mas garante que não há qualquer pressa.

domingo, Junho 08, 2014

NEM COSTA TRAVESTIDO DE GUEIXA



Há uma euforia pubescente em torno de Costa que me parece manifestamente exagerada porque com laivos messiânicos e fascizantes: os líderes predestinados e providenciais são uma fase primitiva e ultrapassada da experiência europeia do Poder em diálogo de sedução e conquista com as Massas. Tal como me parece um perfeito exagero a apreciação negativa e pessimista dos resultados averbados pela Coligação PSD-CDS-PP, nas últimas Europeias. Aí, ninguém ganhou. Ninguém perdeu. Ninguém se afirmou. Ganhou a abstenção massiva, brutal. Por isso mesmo, os resultados da coligação são intransponíveis para um cenário de legislativas, muito mais a doer e muito mais frio. 

A sorte da liderança governamental Passos-Portas não se joga na disputa menor entre a impreparação de Seguro e o voluntarismo retórico de Costa. Joga-se, sim, e toda, na questão do crescimento do PIB, na queda do desemprego e no controlo consolidado do défice. O sucesso nestas frentes, aliás prestes a ser constatado no balanço do segundo trimestre e seguintes, equivale a um regresso do eleitorado arredio em refregas eleitorais menores, um eleitorado amorfo, mal informado, que não vota por sistema ou que vota por puro clubismo acrítico e ritual. E votará para exorcizar o que tenha a temer ou segundo o canto de sereia com que queira sucumbir, como em 2009. 

Sendo o socialismo uma obsolescência ideológica e um vazio absoluto político de soluções credíveis na Europa, mas não só, unicamente um eleitorado doente, decadente e imbecilizado apostaria no escuro, em Seguro ou Costa. A maquilhagem das lideranças já não pode esconder a tragicidade das políticas seguidas até 2011. Não há volta a dar. Nem Seguro nem Costa. Nem Costa travestido de Gueixa.

sexta-feira, Junho 06, 2014

O MOSTRENGO CONSTITUCIONAL

Como é que pode haver um País contente pelo facto de, resolvidos problemas sérios de uma ingerência externa óbvia e descarada, provocada pelo PS, Partido-Máfia/Partido-Festa, o Estado ter de se submeter, sequestrado, aos ditames bloqueadores do Tribunal Constitucional?! A Constituição cheira mal. E quem lhe pastoreia aleatoriamente o respeito não se lava desde a década de setenta do século XX. 

O fóssil Constitucional é defendido por fósseis sem noções de micro ou macroeconomia que não compreendem nada de contas nem de futuro sustentável. Pensam a vapor na era digital. Cunhal escreveu, mandou escrever, com os pés esse documento pós-revolucionário, num tempo sem Internet, sem Facebook, quando a informação mal pairava sobre as cabeças dos pobres portugueses, gado dócil a votar em videirinhos e em grandes estômagos regimentais com que se danou o País década após década. 

Hoje, tirando uns condóminos ferrenhos da secção partidária da esquina, a verdade e o realismo das Contas Públicas estão à mão de quem os quiser abarcar com factos e não com as fantasias subjectivistas e estatistas das Esquerdas. Os guardiões da papelada obsoleta de 1976, 32 mil palavras-verbo de encher!, não têm servido senão para nos desassossegar o presente e assassinar o futuro. Em caso de bancarrota e desequilíbrio das contas públicas, coisa que tem sido cíclica e natural, dada a propensão imbecil para preferir e eleger o Partido-Bancarrota, a Constituição não deveria servir nem sequer para acender um fogão a lenha a fim de se preparar o almoço. Deveria ser suspensa até que o Estado se pusesse a salvo de danos e perdas maiores. 

Os Partidos-Lixo, Partidos-Lóbi, Partidos da Rotatividade que nos assam vivos, desempregados e bem fodidos, deveriam rever o quanto antes o Mostrengo Constitucional. Já não há pachorra para tanta porcaria, palavreado, dezenas de páginas e páginas, chumbos-vetos canhestros do pessoal sinecural do Tribunal Constitucional. Já basta.