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segunda-feira, agosto 10, 2015

VOU!

Desde Outubro de 2012 ao dia presente, pastei mal e mal apascentei uma vida digna, tendo-me ela, a vida, feito confluir a crise pessoal de rendimento com a crise nacional de insolvência e desequilíbrio macroeconómico, entretanto vencida ou numa clara trajectória de superação. Crato cortou nos custos, emagreceu o Ministério da Educação pelo lado mais tenro — o pessoal docente periférico e descartável —, e eu sofri as naturais consequências como, julga-se, outros trinta mil. É muita gente de uma vez chutada pela biqueira de aço da Troyka e do Equilíbrio-Orçamental-a-quanto-obrigas, Maria de Lurdes Rodrigues por outros meios. Tudo bem. Fiquei sem rede. Estava sem rede. Continuo sem rede. Tenho concorrido anualmente e conservo um fiozinho de esperança em, finalmente, ter escola. É uma réstia de nada para 2015-2016. Se, pelo terceiro ano consecutivo, não tiver escola, não obtiver um horário anual, conforme me sucedia até 2012, vou! Vou para fora. Saio de Portugal. Viro costas. Reinicio. E seja o que Deus quiser. Destino já o tenho. E já decidi.

De 2012 até ao presente, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que me vi obrigado a solicitar dinheiro a conhecidos e a amigos: uns 5€ ou 10€, em situações-limite. Constato que, em cinco dedos, só dois foram capazes desse tipo de generosidade metálica pontual. Um mais, outro menos, mas capazes. Os outros três, não. De todo. Se tudo correr bem, tenciono reembolsar desses trocos quer os amigos e conhecidos que me valeram e me não faltaram pontualmente, quer aqueles que não foram capazes, antes se afastaram de mim, após tantas vezes entabularem conversa comigo em chat, numa iniciativa unilateral e recorrente que sempre soube acolher. Pedir dinheiro humilha. Recusar dar avilta e vulgariza o avaro porque tudo passa, todos morremos: encher o coração de Amor e generosidade é imensamente mais desafiante e gratificante que encher os cofres de ouro, conforme no pós-morte se verá.

Passaram quase três anos. Fiz escolhas. Aguardei melhores dias. Intervim publicamente com o meu máximo satyrico, contundente e criativo, atento aos factos, lendo a realidade nacional. Enganei-me na minha crença pura em Luís Filipe Menezes. Sondei uma hipótese brasileira de vida. Adiada. Tive sempre esperança no meu País. Confiei no núcleo macroeconómico, cerne das políticas da Coligação PSD-CDS-PP; tal como entre 2005 a 2011, continuei a sentir-me tapado, boicotado, tolhido pelo poder dos empregadores de clientelas do Regime com força bloqueadora sobre os que escrevem de mais e lutam de mais contra tal poder pardo no Regime. Combati o sarro corrupto e mentiroso dos velhos rendeiros, dos velhos chupistas, portugueses à parte, na sua casta excepcional e intocável, os proenças, os salgalhados, os sócrates, os soares, o diabo que os carregue; bati-me contra as ideologias-fóssil da miséria, das venezuelas sem cerveja nem papel higiénico, dos syrizas dos multibancos raccionados, da fome e do esmagamento económico por inércia e inacção deliberadas à maneira varoufakisiana, combati o Acordo Mortográfico, Merdográfico. Mas já não suporto mais a minha situação de desemprego, as dificuldades pessoais e familiares de liquidez, a penhora perpétua que o BES inventou para a minha vida, nem suporto sobretudo o ostracismo-exclusão-morte social que representa para mim, como para milhões de outros seres humanos, uma tal situação prolongada. De 1995 a 2012 ensinei — tal como de 1985 a 2005 catequizei —, pensei, escrevi, inseminei paixão por Portugal, pela Cultura e Literatura Portuguesas, lutei pela Fé, pelo Cristianismo Constitutivo da Alma Nacional, hoje Insipidez Cultural e Miséria Identitária, Sordidez Mediática.

Cá, não me chovem convites para nada nem coisa nenhuma, a não ser petas, burlas, charlas, escravidões, submissões. Cá, não me abordam para oportunidades pequenas, médias ou grandes. Cá, não há absolutamente merda nenhuma para mim, estou a ver. O quê?! Deveria procurar mais?! E como é que só de fora do País me chega uma, válida, em três anos?! Pois para mim chega. Chega disto. O Beco Nacional faz-me mal.

Vou!
Se tiver mesmo de ir, vou! 

sexta-feira, novembro 15, 2013

TEATRO NACIONAL S. JOÃO, HOTEL RELENTO

Deambulei, esta manhã, pelo meu Porto.
Senti-me só, imensa e infinitamente só.
Nada do que sou, hoje, é acerto.
Nada é passível de compreensão.
Tornei-me inflamado e apaixonado nas palavras
porventura por quem as não merece como escudo.
Tornei-me vulcânico, vulgar e invulgar e escandaloso,
sem ganhar absolutamente nada com isso.

Há quem se afaste de mim e duvide da minha sanidade.
Há quem me ostracize e estigmatize afastando-me de si,
e me não ofereça o dom do recomeço.
Mas eu sei, Pai, sei que há sempre um recanto para mim.
Há sempre um lugar de escondimento.
Um reduto de liberdade e de desoprimência,
o lugar do meu desinvestimento de tudo
e de todos.

Esse lugar existe.
Está preparado para mim.
É proporcional à desistência total.
Quem não se encaixa neste mundo
não pode continuar nele, não é verdade?!

Com efeito, são dez horas da manhã.
Vou continuar a dormir exactamente aqui
porque aqui é que se está bem.

terça-feira, julho 02, 2013

ÀS ARMAS, ÀS ARMAS

«Vivemos com a certeza de um portento de tempestade que vemos adiante, o qual fará a crise de 2008 ser a chatice pelas formigas que estragam um piquenique. Digo isto sem pessimismo, pois imagino que Portugal estará em melhores condições de o aguentar e de o tornar a seu contento que a maioria dos países. Dentro de Portugal estão portugueses. Portugueses inteligentes, desenrascados, capazes e que apenas sabem brilhar quando são postos contra a parede. São portugueses cordatos, educados, amigos do seu amigo, trabalhadores quando acossados, as tropas de elite de Napoleão e de Wellington. As alforrecas (parecem o Recruta Zero, mas mete-te com uma alforreca). Os diabos de Malaca, os resistentes de Aljubarrota, os heróis de La Lys.» Francisco Colaço

quarta-feira, maio 08, 2013

MENTIR COM TODOS OS DENTES

«O nosso mal agrava-se porque, como a dívida foi acumulada ao longo de décadas, a estrutura económica ficou distorcida, adaptando-se a níveis de despesa insustentáveis. Isso significa que muitos empregos e capitais estão em actividades condenadas. Assim, além da perda conjuntural de empresas, devida ao aperto da austeridade, sofremos a eliminação definitiva de ocupações fictícias, que a dívida alimentou. Em cima das radiações, há que fazer dolorosa fisioterapia. Logo, os que se indignam com a famigerada austeridade só podem ignorar a realidade da situação. Os caminhos fáceis que recomendam gerariam mais, não menos, sofrimento. Repudiar ou renegociar a dívida, sair do euro, rejeitar a troika são vias para o isolamento e alienação dos mercados, que nos afastariam de vez da estabilidade e desenvolvimento. O Governo tem errado muito, mas a oposição mente com todos os dentes. E sabe quem mente.» João César das Neves

terça-feira, março 05, 2013

A CORRUPÇÃO ESTERILIZA

Diga-se o que se disser, se Portugal hoje é um País a esvair-se, o Regime corrupto e fechado, por acaso uma república medíocre, explica-o de sobejo. Explica que não se nasça. Explica que se parta em massa. Enquanto Povo, tolerámos a corrupção da Política e da Banca, contentámo-nos com a opacidade da decisão em proveito dos decisores, com a desactivação industrial e agrícola. A riqueza não foi partilhada. As injustiças sedimentaram-se. A Justiça tornou-se a principal miragem e fonte de desânimo colectivo. Regredimos. Vamos regredir ainda mais. Mas não está previsto que alguém pague pelo mal que nos fez, por mais que nos manifestemos.

quarta-feira, novembro 14, 2012

SEM O FEL DA DECREPITUDE

Às vezes, os jovens olham para os pais em sofrimento e perguntam-se: «É justo o que lhes fazem? É justo que passem o que passam?» Apetece-lhes partir tudo o que simbolize essa injustiça e essa opressão. E partem. Não são nenhuns Soares, no seu fel decrépito. São jovens que assimilaram a crueldade particular da sua hora. 

domingo, outubro 14, 2012

IRRESPONSÁVEL, SENIL, DESPREZÍVEL

Quem diria, aos noventa anos, um tal magistério miserável de impudica putrescência.
Manifestamente essa bola de hipocrisia e facção é um estorvo a Portugal.
«Em tempos duros, manter a cabeça fria e cultivar a sensatez é um desafio difícil. Mas é o que se exige a quem está no Governo, na oposição e em cargos de liderança nas organizações que se sentam à mesa que está reservada aos parceiros sociais. Também não podem ficar de fora aquelas figuras de referência que, pelo seu passado e currículo, são apelidadas de senadores, como é o caso de Mário Soares. Contra aquilo que seria expectável e desejável, o antigo Presidente da República tem-se destacado através de intervenções que não honram as circunstâncias turbulentas e complicadas em que exerceu funções governativas, quando aceitou dar a cara por medidas de ajustamento que justificou com argumentos que o actual Governo não desdenharia. Em três intervenções externas que já foram realizadas em Portugal durante o regime democrático, Mário Soares estava ao leme do poder executivo em duas. Teve de enfrentar e superar ameaças de bancarrota. Viu-se forçado a estender a mão a quem estivesse disposto a financiar um país de finanças exauridas. Subscreveu, enquanto primeiro-ministro, compromissos que, para serem cumpridos e garantirem que a torneira das ajudas financeiras não se fechariam, colocaram Portugal sob pesados fardos de austeridade. Entre as muitas personalidades a quem é atribuído o tal estatuto de senador, Mário Soares é aquela que, pela sua experiência em momentos decisivos na História recente de Portugal, mais motivos tem para perceber que, entre a manifestação da crítica e da discordância e o papel de incendiário de serviço, existe a distância que tem de separar o sentido das responsabilidades da mera intriga política. Caso se some o silêncio cúmplice que protagonizou perante o desastre da governação de José Sócrates às sugestões mais recentes para que Cavaco Silva abra uma crise política em cima da grave crise económica e financeira que o país atravessa, fica claro que o sectarismo e o jogo de finta curta se tornaram nas principais fontes de inspiração de Soares. É pena. Porque é num momento de extremas dificuldades, maiores e mais profundas do que aquelas que o ex-Presidente teve pela frente, que são mais necessárias as vozes com autoridade para ajudarem a estabelecer pontes e mais dispensáveis as que optam por se dedicar a cavar mais fundo as divisões. O Governo actual contabiliza erros e fracassos. Prometeu ser um campeão na consolidação das finanças públicas através da redução da despesa, mas está a proceder ao mais violento aumento de impostos de que há memória. De outra forma, não conseguiria cumprir metas e assegurar a chegada dos cheques que permitem pagar salários e pensões. Garantiu que reformaria as administrações públicas e que as encolheria para uma dimensão que as famílias e as empresas portuguesas tenham capacidade para pagar, mas corre, mês após mês, atrás de tudo o que possa ser tributado e proporcione mais receitas perante cada sinal de desvio na execução orçamental. E, mesmo sem a mãozinha de Mário Soares, embrulhou-se numa lamentável crise de confiança interna. Tudo isto é mau. Mas não compreender que o país está condicionado e dependente da confiança que vai conseguindo gerar no exterior é irresponsabilidade ou má fé. Para os credores, uma crise política, com mudança de Governo sem o recurso a eleições, seria um valente tiro no pé. Se Mário Soares não entende isto, para que serve este senador?» João Cândido da Silva

segunda-feira, setembro 17, 2012

A CLASSE POLÍTICA PORTUGUESA É UMA MERDA

Gabinete do primeiro-ministro diz que o parque automóvel é de 22 viaturas
Se nos passasse pela cabeça o estado em que os últimos Governos deixaram o País, não sairíamos para uma manifestação, apenas uma vez, como no último Sábado, mas todos os dias até que alguém fosse para a prisão e pagasse bem caro os roubos e mentiras que perpetrou. Isto se for só desaprovação em relação a este Governo, a um Governo, ficará infinitamente aquém do grosso grau de crime contra o Povo Português que os últimos anos documentam. Louçã e Jerónimo deveriam insistir nisto: sem esforços cruéis e imprevistos, estamos a um passo de ir além da Grécia no sentido do fundo. Vamos ter de empobrecer quer protestemos, quer não, e será fatal sair do Euro por baixeza e incapacidade da classe política, por ignorância das elites egoístas e da grande massa distraída, que só se dá conta ter sido estuprada quando vai parir a Fome e o Caos. A nossa desilusão com a Classe Política não deveria caber em nós e não se prende apenas com Governos, com este Governo. Não. Todas as Oposições foram coniventes no passado e quanto mais se colam ao Povo desfilando à vela destas grandiosas manifestações, no seu trágico e tardio desespero, mais culpadas são essas supostas Oposições. A revolta da rua em Portugal não vai deflagrar. É uma equação simples: entre quem morre, quem se mata, quem emigra, quem se cala e quem se agarra ao dinheiro que graças à Puta Política pôde rapinar, sobra o Zero, a Voz Nula, sobra o Come e Cala. Incendiar a rua seria juntar ao suicídio social levado a cabo pela Política da Mentira e do Show, pela Política da Miséria e do Incontornável Empobrecimento, o suicídio da legitimidade da sociedade para sair ordeira e decididamente do buraco, o que pode tornar-se a breve prazo impossível

domingo, agosto 12, 2012

TURISTAS? NEM LÁ FORA NEM CÁ DENTRO

Não é preciso observar o que se passa no Algarve para constatar que em geral há mais turistas estrangeiros que portugueses. Há, aliás, mais estrangeiros que portugueses seja onde for houve nome Portugal. Basta caminhar na Baixa Portuense, pela Ribeira, para ver a quantidade de alemães, holandeses, ingleses e outros nórdicos que por cá se deliciam e não é coisa somente do Verão, mas de todo o ano, graças às companhias aéreas BaixoCusto. Não temos dinheiro senão para estar na praia a bebericar água tépida e ter prazer nas coisas bem simples da vida: brincar, pisar a areia, mergulhar. E quando se diz praia não se leia somente as do Algarve. Em Gaia, a oferta balnear, além de abundante, contém uma qualidade equiparável à dos melhores destinos turísticos internacionais. Facto: nós, os portugueses não-emigrantes, não consumimos, não vamos a restaurantes, não gastamos no comércio. Nada. Temos para comer e mal. Nada, porém, nos pode roubar as vistas e o deslumbramento com o que é nosso. Outros comam e bebam, gastem o que lhes sobra. Pelo andar da carruagem, estamos condenados a muito menos que sobras.

quarta-feira, junho 13, 2012

BREVE APONTAMENTO-FODA-SE SOBRE A CRISE

Há razões objectivas por que o nosso heroísmo cívico e capacidade de encaixe não tenham tamanho. Somos tímidos. Somos individualistas. Individualistas no sucesso. Individualistas no sofrimento extremo, no suportar a insuportável carência que roça ou transpassa a miséria. Basta pensar na dieta extrema do anacoreta e meu amigo Jorge, estóico entre os estóicos, cenobita entre os cenobitas, sem filhos pela graça de Deus ou pela desgraça do diabo. Tudo bem que, há seis anos, tenha perdido muito dinheiro em noitadas pueris e depois, náufrago dessa procela de erros, assumido aqueles créditos imediatos, libertos em vinte e quatro horas, pelos quais um Banco empresta um chouriço para ganhar porco e meio, tudo à custa da ingenuidade e do cerco de desespero trucidante a acossar o cidadão! Mas que tu, Jorge, jantes pão e cerveja, almoces cerveja e pão, passes, sub-reptício, nos intervalos da escravidão a que já nem chamas trabalho, para ir lanchar pão e cerveja e, no fim do dia, lá te recolhas para cear cerveja e pão, explica como sobrevives e vais pagando, enquanto se te ressecam as carnes, enquanto se te afundam os olhos nessa magreza enrugada e obstinada. Vai para mais de três anos que subsistes assim e que, entre os meus sonhos, eu sonho em ajudar-te. Libertar-te de um tal fardo injusto, que te acaba, passou a ser uma das minhas metas. Não fosse o caso desgraçado de o meu caso se assemelhar ao desgraçado teu. Sem um braço amigo ou mil ou dezenas de milhar deles, solidariedade que ainda não foi inventada, em que irremediáveis defuntos incobráveis nos converteremos?! 

quarta-feira, abril 18, 2012

O ESTOURO DO IMOBILIÁRIO

«No entretanto a "indústria" fez biliões atrás de biliões. Facturou. corrompeu, fugiu aos impostos. Fez de tudo um pouco. Não há caso de suspeita de corrupção ao nível autárquico que não esteja ligada ao imobiliário. Não há PDM neste país que não tenha sido mudado para fazer um jeito ao imobiliário.» Groink

segunda-feira, abril 16, 2012

FESTAS DA BAMBOCHATA

«Quando o Governo de José Sócrates anunciou o projeto Parque Escolar, defendi que a remodelação das nossas escolas era um bom investimento público porque, ao contrário de outros, poderia resultar num claro benefício para a economia. Para além de poder reanimar o sector da construção civil, já então em crise muito profunda, a oferta a alunos e docentes de instalações com maior funcionalidade poderia ajudar à superação do atraso educativo português face aos padrões europeus. A verdade, porém, é que logo que se conheceu o projecto em mais detalhe, se levantaram dúvidas sobre a sua implementação e se questionou, por isso, a relação entre custo e benefício. Uma boa ideia não resulta necessariamente num bom investimento e, neste caso, optara-se por escolher a dedo alguns dos arquitetos do regime e os concursos públicos foram feitos de forma a beneficiar algumas grandes empresas de construção civil em vez de se optar por adjudicações parcelares que teriam um maior impacto no sector. Houve, além disso, uma escolha pouco judiciosa e muitas vezes faraónica de materiais e de equipamentos sem tomar em conta a incorporação nacional, olvidaram-se as questões da sustentabilidade, e nomeadamente a importantíssima questão da eficiência energética. Por razões estéticas, recusaram-se, por exemplo, propostas de utilização de painéis solares que poderiam resultar em redução de custos e até numa receita para as escolas, na medida em que estão encerradas nos meses de verão, e poderiam então abastecer a rede eléctrica. No inverno passado, visitei uma escola nos arredores do Porto, em que pude constatar que as soluções arquitetónicas que tinham sido adotadas eram esplêndidas do ponto de vista estético. Contudo o luxo contrastava com as condições objectivas de funcionamento. Lá dentro, estava um frio de morrer porque, segundo me informaram, os sistemas de climatização exigiam níveis de consumo de energia que não eram sustentáveis pelo orçamento da escola. Não fiquei, por tudo isso, surpreendido quando tive conhecimento das conclusões do relatório do Tribunal de Contas em que se assinala, por exemplo, que face aos objectivos iniciais, se verificou um aumento no investimento estimado em, pelo menos, 218,5% (mais do triplo) não obstante abranger apenas 64% (26% abaixo) do número de escolas que se pretendiam modernizar. Ou seja, para fazer menos do que era prometido, gastou-se muito mais dinheiro do que era necessário e, como também é evidente no relatório, este foi muito mal distribuído. Se olharmos ao custo por metro quadrado da reabilitação das escolas, chegamos a um valor que concorre com o preço de construção de uma moradia de luxo na Foz. Já me surpreende que, perante esta evidência, se tente explicar aquilo que não tem justificação. A propósito, Maria de Lurdes Rodrigues chegou ao ponto de dizer, no Parlamento, que se tratou de uma grande festa. Incomoda-me que uma das maiores responsáveis por essa festa não seja capaz de admitir os erros da rapioca que caucionou, e que tenha o descaramento de dizer o que disse. Aflige-me que o Partido Socialista ainda não tenha compreendido, ou teime em não admitir publicamente que a festa socrática custou aos contribuintes portugueses mais de 80 000 milhões de euros em endividamento em seis anos, sem que isso tenha resultado numa modernização real do país. Numa altura em que o país se vê forçado a mudar de vida, a Parque Escolar é um exemplo de um tempo histórico em que muitos objectivos consensuais foram atraiçoados pelo despesismo, pelo clientelismo e pela irresponsabilidade. Não admira, por isso, o sentido das sondagens revelem que os partidos do Governo voltariam hoje a ter a maioria, se houvesse eleições. Os portugueses estão a sentir na sua bolsa a maior das crises de que há memória mas não esquecem a história recente. Como me dizia um velho amigo, que sempre defendeu os ideais de esquerda, as audiências parlamentares às antigas ministras da educação de José Sócrates foram uma extraordinária benesse para este Governo...» Rui Moreira

SÓCRATES NÃO É O ÚNICO CULPADO

São imensas também as culpas de Almeida Santos e, aliás, têm décadas de vida airada proprietária do País. E é igualmente estúpido que não se perceba toda a nossa tragédia nisso, nessa apropriação do Estado e nessa liberalidade de dar o que não se pode, mover influências para o que não se deve e distribuir prendas aos apaniguados em nome do Regime: reformas, subvenções, sinecuras, benesses, privilégios, favores, enfim, o grande tráfico de cargos e posições amiguistas que nos perderam a todos e que o mesmo Regime desavergonhadamente pariu pelas mãos liberais de padrinhos como o Almeida.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

UM BOM FILME PARA A NOSSA MAGNA DEPRESSÃO

Os propalados bons filmes só nos dizem alguma coisa quando os podemos ver. Tudo está caro a um nível absolutamente proibitivo, criminoso: a gasolina está criminosamente cara, os transportes estão caros ao ponto do homicídio do utente, o infantário assassina-me de tão caro e por isso chego já teso e morto ao dia oito de cada mês, apesar de comer mal e andar a pé. Ir ao cinema está fora de questão. E digo-o com pena, seduzido pela película O Artista, e contrastando-me com tanto bem-estar inexplicável: depois de ter visto pelas ruas de Gaia e de Gondomar, em menos de oito horas, pelo menos uns vinte excelentes Mercedes e outros tantos BMW, concluo que como há tão pouca indústria, agricultura e pescas para tantas rodas exorbitantes, só podem ser dirigentes partidários ou rapaces beneficiários com décadas a rapar fundos comunitários. Não tenho alternativa senão remediar-me com a lata de conservas de cada dia e esperar pelo momento em que, por arte da minha própria sobrevivência feroz e resiliente, finalmente poderei ver O Artista.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

UTOPIA DA MUDANÇA IMPOSSÍVEL

Não é líquido que passemos a usar mais os transportes públicos ou a levar comida para o trabalho no decurso ou a partir deste ano de 2012. Não falta quem me venha dar conta do transbordar das lojas ao fim de semana ou de certas enchentes consumistas altamente improváveis, dada a Crise. Os hábitos só mudam com eventos muitos drásticos em vidas concretas neste 2012 como muito antes de ter chegado este clima de angústia e contracção económica expectante. Pessoalmente, já revolucionei radicalmente os meus hábitos faz por agora três anos: passei a andar fundamentalmente a pé, de autocarro e de metro. Mas observo bem esse individualismo entranhado muito nosso. Ele não parece refrear-se, enquanto houver dinheiro debaixo dos colchões, recantos e velhas poupanças a prazo, feitas a pensar em horas de fome e falta. O velho associativismo do início do século XX, que floresceu um pouco por todo o lado, vive hoje em certos casos da carolice de alguns utópicos resistentes para quem cobrar as cotas dos associados é a pior e mais frustrante via sacra. Assim a solidão, que vai próspera, o relegamento dos velhos e o evitamento dos rostos pelos rostos, acabrunhamento como forma de vida enquanto se raspam raspadinhas na vergonha de uma mesa de café. Três anos a pressentir o pior, vendo, imutável, o mesmo consumismo, o mesmo individualismo, a mesma solidão, a mesma indiferença ao outro. Somente ainda mais doentes ou quase mortos mudaremos de hábitos.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

COITADINHO

O excerto a seguir transcrito é toda uma mensagem subliminar marciana ao País e todo um ainda mais completo mundo declaradamente à parte do dos demais portugueses: «Neste momento já sei quanto é que irei receber da Caixa Geral de Aposentações, descontei quase 40 anos uma parte do meu salários para a CGA como professor universitário e também descontei durante alguns anos como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e devo receber 1300 por mês, não sei se ouviu bem, 1300 euros por mês.» Aníbal Cavaco Silva

quinta-feira, janeiro 12, 2012

APRENDE-SE A GOVERNAR, GOVERNANDO

Ainda sou do tempo em que variadíssimos comentadores vinham para as TV defender a grande capacidade comunicativa dos Governos socratesianos: eram Governos que não brincavam em marketing político, que não brincavam em spin, que penetravam, com grande poder penetrador e hipnótico, os media com sucessivos sound bytes que depois entretinham jornalistas e cidadãos por semanas a fio. Hoje vivemos noutro paradigma completamente diferente. Temos um Governo cujos ministros e apoiantes dizem o que pensam sem caramelizar absolutamente nada. A verdade mais cruel, os factos mais graves, são-nos apresentados sem rebuço. Isso não agrada. O que me causa espécie é que os mesmíssimos politiqueiros, apátridas, facciosos, que andavam na crista da onda quando os aspectos mais periféricos da governação socratina eram elogiados, apareçam agora para censurar, neste Governo, a suposta impreparação. Mas impreparação para quê? Para colar os cacos deixados pelos socialistas? Preparados são os socialistas, está visto. Preparados para fazer merda. Mas com classe. Com estilo. Bem vestidos. Bem esfoliados. Gesticulando impecavelmente diante do teleponto. Foderam com tudo. Mas têm a comunicar ao País quem é que agora governa mal. Nunca vi, além de Carrilho e Henrique Neto, o mesmo número de críticas e a mesma liberdade para elas aquando dos consulados socratinescos. Agora temo-las. Internas, externas, jornalísticas, comentadorísticas. Não se fala nos responsáveis pela derrocada nacional, pelo naufrágio financeiro. Isso não. Critica-se o bombeiro. Insulta-se aquele que atira a bóia ou apaga o fogo. Seis meses depois, parece que se esperam todos os milagres do Governo Passos sem invocar por uma vez sequer os crimes de incúria e gestão danosa socratina. Ainda que este Governo seja incompetente, governe mal  o que os socratinos socialistas quiserem  nunca se diga que a verdade não é dita, que os problemas não são apresentados na sua nudez, que se ousa dourar a nossa pílula colectiva, empurrando a nossa tragédia com a barriga e com um optimismo de aluguer. Aprende-se a governar, governando e pode-se fazê-lo de boa fé ou com roina, com amor pelas pessoas ou com mero cálculo eleitoralesco. É muito difícil suportar a desonestidade intelectual e a politiquice de terra queimada praticada pelos socialistas, manada que corneia sincronizada. Para muitos deles, a conspirar malignamente na sombra, bastaria um simples mandato de captura e um processo simples por corrupção.

sábado, dezembro 31, 2011

2012, VAMOS DESBRIDAR PORTUGAL

Escusam os socialistas, sintomaticamente detractores de Seguro e nostálgicos de Sócrates, vir com tretas e com a suma hipocrisia de Mário Soares. Não é o Governo Passos que manda completamente em Portugal. Os credores, por interposta Troyka, sim, ditam leis, alterações às leis laborais, reestruturações profundas de todos os tipos e para todos os rótulos, o que quiserem. Quer se queira quer não, há que depurar Portugal de um certo esquerdismo estéril, nada criativo e nada realista e desbridar o Aparelho de Estado da mentalidade mafiosa, tentacular e colonizadora do tal «bloco-centralismo sistémico». A Esquerda hoje compungida «está-se a cagar» para os pobres. Entre definhar uma década com um subsidiismo criminoso socialista estagnador e colocar-nos a crescer segundo bases sólidas e sérias, responsabilizando o maior número de cidadãos válidos pela sua própria vida e pelo País que é o seu, entre ficar chorando e maldizendo a Sorte ou ir a jogo perante mercados exigentes no Oriente, na América, não há escolha. Entretanto, a China vai sendo notícia por tudo e por qualquer coisa. Pelo gorgeous dinheiro fresco e torrencial mas também pela doença: «Um homem de 39 anos, que estava internado num hospital do Sul da China desde o dia 25, morreu este sábado contaminado pelo vírus H5N1, causador da chamada gripe das aves.» Público

quarta-feira, dezembro 28, 2011

JPP — UM TARDO-REALISTA RESUMIDO

«Pacheco é inteligente. E por isso ainda mais estranho se torna tudo isto. O "problema" (se acaso o houvesse) não é Pacheco estar mergulhado num atoleiro de pessimismo e de depressão; o problema é só estar AGORA. Dá perfeitamente a ideia que Pacheco andou todos estes anos a fingir que não via. O Povo Português, esse povo que é trabalhador e DESEMPREGADO da iniciativa privada, já anda há muitos anos a comer o pão que o Diabo amassou, ou mesmo só a comer merda (isto, quando há). Ora Pacheco levou anos a voltar a cabeça para o lado: para ele essas gentes, esses homens e essas mulheres que não exerciam o direita à greve e que não reivindicavam - fora como estavam das classes bem definidas nos manuais do Séc XIX  não mereceram um átomo da sua intelectual atenção. Sócrates veio, ficou, desorganizou, saqueou, encenou, endividou, controlou e roubo  e nem assim Pacheco se ralou mais do que alguém que apenas vê o lado puramente político das coisas (aí sim, ele esbracejou nas comissões). Mas enquanto isso, à volta dele, o mundo mudava e de que maneira: desemprego, falsas formações, números martelados, miséria sem voz. Parece que José Pacheco Pereira acordou apenas a semana passada. E depois atreve-se a dizer que há gente que lhe chama "neo-realista", galhofando intelectualmente superior. De facto, ele não é "neo-realista" mas sim "tardo-realista".» Besta Imunda