domingo, dezembro 29, 2013

UMA BOA FARSA

File:Louis-Philippe de Bourbon.jpg
Louis-Philippe I,
o último rei dos franceses.
Uma manhã do mês de Dezembro,
quando te dirigias para o curso de Processo,
julgaste notar na rua Saint-Jacques mais animação do que de costume.
Os estudantes saíam precipitadamente dos cafés,
ou, pelas janelas abertas, chamavam-se de cada para casa;
os lojistas, no meio do passeio, observavam com ar inquieto;
as persianas fechavam-se;
e, quando chegaste à rua Soufflot,
viste um grande ajuntamento à volta do Panteão.

Jovens, em bandos desiguais de cinco a doze,
passeavam dando o braço uns aos outros,
e abordavam os grupos mais consideráveis
que estacionavam aqui e além, no fundo da praça,
encostados ao gradeamento,
homens de blusa discursavam,
ao passo que, de tricórnio sobre a orelha e mãos atrás das costas,
polícias erravam ao longo das paredes,
fazendo ressoar nas lajes as suas fortes botas.

Todos tinham um ar misterioso,
surpreso; aguardava-se alguma coisa evidentemente;
cada um continha na ponta dos lábios uma interrogação.

Achavas-te ao pé de um jovem loiro, de rosto aprazível,
e que usava bigode e barbicha como um elegante do tempo de Luís XIII.
Perguntaste-lhe qual a causa do movimento.
─ Nada sei ─ replicou o outro ─, nem eles!
É o seu modo de ser actual!
Que boa farsa!
E desatou a rir.

sábado, dezembro 28, 2013

MUDAR PARA MELHOR

Se o Povo quiser mudar de ares, se tiver um gesto de reprovação democrática do torpe e traiçoeiro caminho seguido até aqui [mais corrupção que progresso, mais desigualdade que justiça], escolherá a Monarquia por aclamação, mal tenha a oportunidade para se pronunciar e a lucidez para se pronunciar. A mim nada me repugna mais que saber estar a pagar, mesmo no ápice da minha pobreza e a de milhões, as pompas dos soares, as mordomias dos sampaios, sendo que cada vez que um presidente se torna ex-presidente transforma-se em ónus e despesa duplicada, triplicada, ao depauperado Erário, depois de uma vida de partidarização e favorecimento descarado à sua facção. Excluo deste rol Eanes porque foi o único abnegado, apartidário e por isso digno dos ex-presidentes: recusou as prebendas que a elite política engendrou para si mesma, uma vez fora do activo. Um Rei é livre. Não tem nem pode ter facção. Serve somente Portugal por quem dá a vida durante toda a vida. E se há coisa de que Portugal vai necessitar neste século é de Liberdade: um sentido de independência mais vincado e mais forte, dada a aglutinação federalista de fortes sobre fracos nesta União Europeia Frankenstein.

A Democracia é fantástica porque permite precisamente mudanças em paz, transformações serenas. Acomoda abstenções massivas e humilhantes na eleição de sucessivos governos e autarquias, com quase metade das populações a abster-se do exercício democrático do voto, direito que custou muito sangue a adquirir, mas permite que o mesmo Povo, em protesto abstémio no voto de governos, parlamentos e autarquias, se pronuncie esmagadoramente numa questão que realmente lhe importe. A Liberdade. A Isenção e a Estabilidade do seu representante político máximo. Os timorenses tiveram o seu Referendo Nacional. E foi a ânsia e o quórum pleno que se viram! Nós ainda não tivemos verdadeiramente um Referendo ao Regime, que aliás nos traiu porque depois de nos ter dado a cenoura das liberdades e garantias nos sonegou o progresso, a riqueza, a justa distribuição dela, cavalgando-nos e explorando-nos. Ai de quando pudermos dizer em liberdade qual a forma de Regime sob a qual queremos viver! Num Regime CleptoPlutocrático das Corrupções Protegidas e Comentadeiras na TV? Num Regime das bancarrotas sucessivas e sistémicas?! Num Regime com Justiça Dual, ricos-pobres, na mais completa falta de vergonha e de decência nesta desigualdade perpétua vergonhosa?! Ou num Regime Democrático, Aberto, com um representante acima dos partidos, acima dos Bancos, acima dos Escritórios de Advogados da Capital, acima dos Juízes, acima dos Sindicatos dos Transportes, acima das Corporações Cartelizadas da Energia e das Telecomunicações? Gostava de poder escolher. A República é linda, mas não nos fez nem faz felizes. Falhou. Temos o direito democrático à felicidade pela mudança a ver se desta vez, mudando, não falhamos.

quinta-feira, dezembro 26, 2013

NO TEATRO DO PALAIS ROYAL

Uma noite, no teatro do Palais Royal,
viste num camarote de boca,
Arnoux junto de uma mulher. Era ela?
O cortinado de tafetá verde,
puxado no rebordo do camarote,
ocultava-lhe o rosto.

Por fim o pano subiu;
o cortinado foi corrido.
Era uma pessoa alta,
de cerca de trinta anos, gasta,
e cujos lábios grossos descobriam,
ao rir, dentes esplêndidos.
Conversava familiarmente com Arnoux
e batia-lhe com o leque nos dedos.

Depois uma jovem loira,
de pálpebras um pouco vermelhas
como se estivesse estado a chorar,
sentou-se entre eles.
Arnoux passou a estar meio inclinado sobre o seu ombro,
dirigindo-lhe palavras que ela ouvia sem responder.

Esforçavas-te por descobrir a condição destas mulheres,
com modestos vestidos sombrios e golas abatidas.

No fim do espectáculo,
precipitaste-te para os corredores.
A multidão enchia-os.
Arnoux, à sua frente, descia a escada,
degrau a degrau,
dando o braço às duas mulheres.

terça-feira, dezembro 24, 2013

TULIPAS

The Netherlands during tulip season.
The Netherlands during tulip season.

HALLELUJAH

E HABITOU ENTRE NÓS

«O Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; 
e de nenhum modo escaparão.» 1 Tessalonicenses 5, 1-3
A espiritualidade dos nossos antepassados está viva no nosso íntimo 
porque nos foi transmitida com imenso amor, 
um amoroso silêncio eloquente: 
Ele fez-Se Carne e habitou entre nós. 
Fez-se um de nós para nos absorver deste holograma tridimensional 
para a Plenitude Quadridimensional da Vida Eterna, o Pleroma. 

E Ele vem, está à Porta e bate. 
Na Parusia quotidiana e na hora do ladrão.

BLOOD IN MY EYES

ASSIM SE ESCOAVAM OS DIAS

Quiseste divertir-te.
Foste aos bailes da Ópera.
Estas alegrias tumultuosas gelavam-te logo à porta.
Aliás, sentias-te retido pelo receio de uma afronta pecuniária,
imaginando que uma ceia com um dominó provocaria despesas consideráveis,
era uma aventura arriscada.

Parecia-te, no entanto, que deviam amar-te.
Por vezes, despertavas com o coração pleno de esperança,
vestias-te cuidadosamente como para uma entrevista,
e davas em Paris voltas intermináveis.

Perante cada mulher que caminhava à tua frente,
ou que avançava ao teu encontro, dizias para contigo: «Cá está ela!».
Era, sempre, uma nova decepção.
A ideia da Senhora Arnoux fortificava estas cobiças.
Talvez a encontrasses no caminho;
e imaginavas, para abordá-la, complicações do acaso,
perigos extraordinários de que a salvarias.

Assim se escoavam os dias,
na repetição dos mesmos tédios e dos hábitos contraídos.
Desfolhavas brochuras nas arcadas do Ódeon,
ias ler a Revista dos Dois Mundos para o café,
entravas numa sala do Colégio de França,
escutavas durante uma hora uma lição de chinês
ou de economia política.

Todas as semanas, escrevias extensamente a Deslauriers,
jantavas de vez em quando com Martinon,
vias às vezes o Sr. de Cisy.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

ROMANCISTA ENFASTIADO

Pôr-do-sol em Veneza, Claude Monet.
Um remorso assaltou-te.
Voltaste ao curso.
Mas como não conhecias nada das matérias elucidadas,
coisas muito simples embaraçaram-te.

Puseste-te a escrever um romance intitulado:
Sílvio, o filho do pescador.
A coisa passava-se em Veneza.
O herói eras tu próprio;
a heroína a Senhora Arnoux.
Ela chamava-se Antonia;
e, para obtê-la, assassinavas vários fidalgos,
queimavas uma parte da cidade
e cantavas debaixo da varanda dela,
onde palpitavam à brisa
os toldos de damasco vermelho do bulevar Montmartre.

As reminiscências demasiado numerosas
de que te apercebeste desencorajaram-te;
não foste mais longe,
e o teu fastio redobrou.

domingo, dezembro 22, 2013

REVÉRBEROS NA LAMA

«Os bicos de gás acendiam-se; e o Sena...» Candeeiros de gás, Paris, 1877-1878.
Depois voltavas a subir lentamente as ruas.
Os revérberos oscilavam,
fazendo estremecer na lama longos reflexos amarelados.

Sombras deslizavam na berma dos passeios,
com guarda-chuvas.
O pavimento estava gorduroso,
a bruma caía,
e parecia-te que as trevas húmidas,
envolvendo-te,
desciam indefinidamente ao teu coração.

sábado, dezembro 21, 2013

O DESDÉM

Ias jantar, mediante quarenta e três soldos o prato,
num restaurante, rua da Harpe.
Encaravas com desdém o velho balcão de mogno,
as toalhas manchadas,
a baixela gordurosa
e os chapéus pendurados na parede.

Os que te rodeavam eram estudantes como tu.
Falavam dos professores, das amantes.
Queriam bem saber dos professores!
Acaso tinhas tu uma amante?

Para evitar as suas alegrias, chegavas o mais tarde possível.
Restos de comida cobriam todas as mesas.
Os dois criados cansados dormiam nos cantos,
e um cheiro a cozinha,
a candeeiro de bomba
e a tabaco enchia a sala deserta.

sexta-feira, dezembro 20, 2013

MULHERES



Mulheres, indolentemente sentadas em caleches,
e cujos véus flutuavam ao vento, desfilavam junto de ti,
no passo firme dos seus cavalos,
com um baloiço insensível que fazia estalar os coiros envernizados.
As carruagens tornavam-se mais numerosas,
e, afrouxando de andamento a partir do Rond Point,
ocupavam toda a via.

As crinas estavam perto das crinas,
as lanternas das lanternas;
os estribos de aço, as barbelas de prata, as fivelas de cobre,
lançavam aqui e além pontos luminosos
entre os calções curtos, as luvas brancas e as peles
que caíam sobre o brasão das portinholas.

Sentias-te como que perdido num mundo longínquo.
Os teus olhos erravam pelas cabeças femininas;
e semelhanças vagas traziam-te à memória a Senhora Arnoux.
Imaginava-la, no meio das outras,
num daqueles pequenos cupés,
idênticos ao cupé da Senhora Dambreuse.

Mas o sol declinava,
e o vento frio erguia turbilhões de poeira.
Os cocheiros metiam o queixo nas gravatas,
as rodas punham-se a girar mais depressa,
o macadame rangia;
e todas as equipagens desciam em trote vivo a longa avenida,
roçando-se, ultrapassando-se,
afastando-se umas das outras,
depois, na praça da Concorde,
dispersavam.

Atrás das Tulherias, o céu adquiria a cor das ardósias.
As árvores do jardim formavam duas massas enormes violáceas no alto.
Os bicos de gás acendiam-se;
e o Sena, esverdeado em toda a sua extensão,
rasgava-se em ondas prateadas de encontro aos pilares das pontas.

UMA EXPOSIÇÃO GENIAL

quinta-feira, dezembro 19, 2013

O SR. DE CICY

Fizeste na Escola um outro conhecimento,
o do Sr. de Cisy, filho de grande família
e que parecia uma donzela, devido à gentileza dos seus modos.

O Sr. de Cisy ocupava-se de desenho, gostava do gótico.
Diversas vezes fostes juntos admirar a Sainte-Chapelle e Notre-Dame.
Mas a distinção do jovem patrício encobria uma inteligência das mais pobres.
Tudo o surpreendia;
ria muito do mínimo gracejo,
e mostrava uma ingenuidade tão completa,
que tu o tomaste a princípio por um brincalhão,
e, finalmente, o consideraste como um palerma
dos mais completos.

LIBERDADE TOTAL E ABSOLUTA

MARTINON

Camille Corot, Mulher com uma Pérola
Não entendo as tuas indisposições, Frédéric.
Não têm causa razoável pois não podes invocar qualquer infelicidade,
Não compreendo nada das tuas lamentações sobre a existência.
Eu, sim, vou todas as manhãs à Escola,
passeio depois pelo Luxembourg,
tomo à tardinha a meia chávena no café,
e, com mil e quinhentos francos por ano
e o amor desta operária,
sinto-se perfeitamente feliz.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

MISSA A QUATRO VOZES

O TEU TÉDIO NA RUA SAINT-HYACINTHE

E decidiste-te por um quarto no segundo andar,
num hotel mobilado, rua Saint-Hyacinthe.

Transportando debaixo do braço uma pasta nova em folha,
dirigiste-te para a abertura dos cursos.
Trezentos jovens, de cabeça descoberta,
enchiam um anfiteatro onde um velhote de sotaina vermelha
dissertava numa voz monótona.
Penas rangiam sobre o papel.
De novo o odor poeirento das aulas,
uma cadeira com a mesma forma, o mesmo tédio!
Sem paciência, abandonas as Institutas na Summa divisio personarum.

As alegrias que a ti próprio tinhas prometido não apareciam;
e, quando esgotaste um gabinete de leitura,
percorreste as colecções do Louvre,
foste várias vezes de seguida ao espectáculo,
caindo numa ociosidade sem fundo.

Mil coisas aumentavam a tua tristeza.
Tinhas de contar a roupa e aturar o porteiro,
rústico com ares de enfermeiro,
que vinha de manhã fazer-te a cama,
cheirando a álcool e resmungando.

O apartamento, enfeitado com um relógio de pêndulo de alabastro,
desagradava-te. As paredes divisórias eram finas;
ouvias os estudantes a fazerem ponche, a rirem e a cantarem.
Farto desta solidão,
procuraste um dos seus antigos camaradas, Baptiste Martinon.
E descobriste-o numa pensão burguesa
da rua Saint-Jacques, engolindo o seu Processo,
diante de um lume de carvão de terra.

Em frente dele, uma mulher com um vestido de chita passajava-lhe as peúgas.

terça-feira, dezembro 17, 2013

A UNS OLHOS GLAUCOS

De longe, graças à tua pouca altura, ainda parecias novo.
Mas os teus raros cabelos, brancos, os membros débeis
e, sobretudo, a palidez extraordinária do teu rosto,
acusavam um temperamento malbaratado.

Uma energia impiedosa repousava-te nos olhos glaucos,
mais frios do que olhos de vidro.
Tinhas as maçãs do rosto salientes,
e mãos com articulações nodosas.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

O SR. DAMBREUSE

Gustav Flaubert
«O Sr. Dambreuse tinha como nome verdadeiro o de conde de Ambreuse; mas, desde 1825, abandonando aos poucos a sua nobreza e o seu partido, voltara-se para a indústria; e, o ouvido em todas as repartições, a mão em todas as empresas, à espreita das boas ocasiões, subtil como um grego e laborioso como um natural de Auvergnat, havia acumulado uma fortuna que se dizia considerável; além disso, era oficial da Legião de Honra, membro do Conselho Geral do Aube, deputado, par de França um dia destes; querendo ser amável, cansava o ministro com os seus pedidos contínuos de auxílio, de cruzes, de lojas de tabaco; e, nos seus arrufos contra o poder, inclinava-se para o centro esquerda. A mulher, a linda Senhora Dambreuse, que os jornais de modas citavam, presidia às assembleias de caridade. Adulando as duquesas, apaziguava os rancores do nobre subúrbio e deixava crer que o Sr. Dambreuse ainda podia arrepender-se e ser prestável.» 
A Educação Sentimental, Gustav Flaubert

quinta-feira, dezembro 12, 2013

PS EVISCERADO

Nada como ver por dentro de que é feito o Partido Socialista.

VÁ, PLEBISCITE-ME, POR FAVOR!

VIDA DURA

Foto: Não perca, na edição de dezembro, a Constituição do Homem Livre. Amanhã nas bancas.

YIELDS ABAIXO DOS 6%

Grão a grão. Monitorizar o comportamento das yields portuguesas aqui,
no sítio do costume.

BALA DE BORRACHA

terça-feira, dezembro 10, 2013

MARTE INCITA E SEDUZ

Vivemos indiscutivelmente uma época das mais estimulantes, no plano Científico, e cujas descobertas não são para medíocres, egoístas e mesquinhos: o Cosmos é a casa de biliões elevado a biliões de oportunidades para a Vida, a Alma, a Inteligência, num dinamismo impressionante. Não tardaremos a descobri-lo e logo no nosso quintal planetário.

quinta-feira, dezembro 05, 2013

RUI RIO, MEDOS DE UM SURFISTA POLÍTICO

Rio não tem uma noção muito clara do que quer fazer no PSD nem do grau de adesão do eleitorado à sua pessoa e projecto, caso existam. Grande parte dos apoiantes de Passos, da maior parte do que o Passismo fez bem, tem vergonha em assumi-lo porque a fronda situacionista e imobilista grita mais alto, tem mais antena, e ameaça todas as semanas com golpes de Estado o Governo e o Presidente da República. Quem apoia Passos não quer destoar. Esconde-se e não o assume. Mas também os que dão como favas contadas a derrota deste líder do PSD e deste Primeiro-Ministro deve perguntar-se por que motivo as intenções de voto das mais recentes sondagens dão um PSD bastante resistente na casa acima dos 20%; e devem interrogar-se se é líquido que este Ajustamento falhe, agora que a meta pode finalmente ser cruzada. Significa isto que mais de meio País está na expectativa quanto ao desfecho final da Intervenção Externa e quanto à nossa recuperação. As boas ou más notícias e os bons ou maus resultados na economia farão com que as coisas pendam ou contra ou a favor da reeleição de Passos Coelho. Seguro e Rio poderão nunca colher os melhores frutos da Dura Austeridade Concentrada em três anos de Passismo. Por isso genericamente concordo com Luís Rosa, menos na importância desestabilizadora que atribui a Aula Mini da Social Democracia. E digo mais: talvez só mesmo Pedro Passos Coelho possa beneficiar da governação do mesmo Pedro Passos Coelho, sendo reeleito em próximas legislativas. Não por ser excelente, mas por ter sido eficaz no essencial e ter suportado um insultuoso tsunami de demagogia e facilitismo sem ter cedido.

NÓS QUEREMOS SAIR. ELES, ENTRAR

Erin B Taylor
Erin B Taylor
É adorável que digam bem de nós e muito bom ver-nos segundo olhos alheios. Concordo e subscrevo:
«9. The Portuguese tend to underestimate their own country. They will tell you that it is always in crisis, that it is badly managed, their bureaucracy is a nightmare, everything is so expensive, and so on. But actually, despite the current crisis, it compares very well to most other countries I’ve spent time in, so much so that I’d quite happily see out the course of my natural life here. You can buy fantastic bottles of wine for a few euros, the transport system is well-designed and aesthetically pleasing, it is constantly sunny over summer, and people are very polite and helpful. The result of all this is that many Portuguese want to escape to another country, while everyone else seems to want in!» 

O ACIDENTAL GEORGE HICKEY

Mortal Error: The Shot That Killed JFK

quarta-feira, dezembro 04, 2013

EVOCAÇÃO DE JACQUELINE ENQUANTO JOVEM

Mulher, não interessa a verdade,
nada interesse à tua face de anjo,
senão que já passou.
Agridoçura seria em qualquer caso
teres vivido metades de metades de verdades,
chumbo comum a mortais e que cimenta o mystério.

Nada te pese,
somente que houve um tempo pétala para a tua beleza,
um tempo ominoso para o carácter dele,
para alento e sorriso útil de muitos e muitas
e talvez isso baste.

E um dia o baque, o fim do charme.
Ter um só de morrer e esse um ser ele, inerme,
um só, outro, pela totalidade da carne, destinos de alma
um só, outro, por todo um Hemisfério sob ameaça
de aniquilação e conflito letal!
Um só, outro, pela multidão, velha reedição,
troca. Outra vez.

Dia do teu absurdo.
Dia do teu Sentido,
Mulher!

terça-feira, dezembro 03, 2013

FRONDA EM TORNO DO NADA E DA AMARGURA

«E todas pareciam ressentidas, amarguradas, fora do tempo. Era um encontro de reformados. 
De gente que pode ter tido um grande passado 
mas que vive o drama de não ter futuro.»
«As imagens transmitidas pela TV do encontro das esquerdas na Aula Magna fizeram-me imensa impressão. A idade da maioria das pessoas era bastante avançada.Figuras que eu conheci relativamente novas estavam ali velhas, a defender ideias diferentes das que defendiam antes. E todas pareciam ressentidas, amarguradas, fora do tempo. Era um encontro de reformados. De gente que pode ter tido um grande passado mas que vive o drama de não ter futuro. E unida apenas por sentimentos negativos de vingança ou ressentimento. Não as animava um projecto, não havia uma vontade comum, não queriam construir nada; a única coisa que pretendiam era deitar abaixo o Presidente da República e o Governo. Aquelas pessoas reviviam o tempo do PREC, da agitação irracional, da emoção incontida, a que nem faltou uma sublevação das forças da ordem. Mas já lá vamos. Embora fosse uma reunião das esquerdas, existia uma distinção clara entre nobreza e povo: os 'nobres' sentavam-se num sector isolado à frente (onde estavam Almeida Santos, Ferro Rodrigues, Maria de Belém, João Semedo, etc., e em que havia muitas cadeiras vazias), o 'povo' apinhava-se atrás e aplaudia com muito mais convicção. Julgo que Mário Soares, Pacheco Pereira e outros que lutaram contra o PCP no pós-25 de Abril não se terão sentido confortáveis a receber o aplauso cúmplice dos militantes do PCP e do BE, que enchiam a zona reservada ao 'povo'. Mas pior seria se Freitas do Amaral e António Capucho, que chegaram a estar previstos, tivessem ido. Como se sentiriam estes, que nunca andaram pelas 'esquerdas', no meio de tanta gente ululante, de punho direito erguido? Embora as pessoas reunidas na Aula Magna dissessem querer defender a Constituição, na realidade estavam a afrontá-la. Porque exigiam a demissão de um Presidente e de um Governo democraticamente eleitos. Aliás, Soares deveria lembrar-se que foi esmagadoramente batido por Cavaco Silva nas eleições de 2005, e que, há menos de três anos, Cavaco teve mais votos do que todos os candidatos da esquerda juntos. Que legitimidade tem Soares para exigir a demissão do PR e do Governo? E sabe o que isso custaria ao país em termos de desconfiança internacional e de juros? Em qualquer sociedade há uma linha que separa o que é aceitável e democrático do que é antidemocrático. Os que estiveram na Aula Magna puseram-se do lado de lá dessa linha. Colocaram-se fora do campo democrático. Foi exactamente por isso, aliás, que António José Seguro não foi: porque quer que o seu partido continue do lado da legalidade. Não quer misturar-se com gente que diz que é preciso «correr com eles à paulada». Neste sentido, a presença de António Costa foi um tanto desconcertante. Mas é preciso ver que Mário Soares o apoiou ao longo da vida, que o seu pai era comunista, e que portanto tem tradições nesta área. O que não se percebe mesmo é a associação à iniciativa por parte do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira. Ele subiu ao poder apoiado pela burguesia do Porto - aquela burguesia liberal a que pertenceu Sá Carneiro e inclui advogados da Foz, empresários, banqueiros, bem como gente humilde que tem empurrado o país para a frente; ora, que pontos de contacto poderá haver entre estas pessoas e a esquerda serôdia da Aula Magna? Quando a Aula Magna estava ao rubro, com Soares a discursar, tinha lugar em S. Bento um ensaio do 'assalto ao Palácio de Inverno'. Polícias manifestavam-se em frente do Parlamento, forçavam o cordão policial e invadiam a escadaria. E enquanto os agentes aos gritos subiam os degraus, os manifestantes da Aula Magna aplaudiam frenéticos. Foi uma verdadeira cena de filme. Mais uma vez se percebia quem estava do lado da legalidade e quem não estava. Sobre estes acontecimentos, gostaria de dizer o seguinte: a Polícia é vista como um exemplo pelos cidadãos e por isso tem responsabilidades especiais. Um polícia não pode desrespeitar a lei, pois a sua missão é exactamente defendê-la. Aqueles polícias que invadiram as escadarias colocaram-se a si próprios numa posição insustentável: como vão amanhã impedir manifestantes civis de fazerem o mesmo? Que autoridade terão para isso? E os colegas que os deixaram furar a barreira terão cumprido as suas obrigações? Na Avenida 24 de Julho, centenas de camionetas de turismo, que tinham trazido de todos os pontos do país os polícias rebeldes, esperavam pelo fim da manifestação. O cenário fez-me lembrar os dias em que a CGTP se manifesta. Muitos daqueles guardas seriam simpatizantes da central sindical comunista. Ora é muito difícil servir ao mesmo tempo dois senhores. Ninguém é obrigado a ir para a Polícia - mas, quem vai, aceita o encargo de defender o cumprimento da lei e respeitar as instituições. Os polícias que invadiram as escadarias de S. Bento, aplaudidos pelos manifestantes da Aula Magna, transpuseram também a linha que separa o legal do ilegal - e portanto puseram-se fora da lei. Espero que o país perceba o perigo que isso representa. De hoje para amanhã os polícias podem virar-se contra as instituições que se comprometeram a defender. Podem virar-se contra a democracia.» 

E AGORA, PORTUGUESES?

Adelie Penguin
Não há solução para os Estaleiros de Viana?
O Estado. O Estado. O Estado.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

MANOBRAS MEDIÁTICAS PCP, BE, SOCRATESIANOS

Ora vamos lá descodificar a eterna calmaria das nossas massas:

«Depois abortada manif a pé na Ponte, o PC mudou a táctica de protestos. Através da CGTP, sua principal organização de massas, ocupou quatro ministérios; promoveu a acção ilegal dum piquete na greve nos CTT; organizações de polícias, associadas ao PC, romperam o cordão policial em S. Bento. 
Porquê a nova táctica? A mobilização de grandes massas pelo PC diminuiu muito nos últimos meses, como se viu em Alcântara. Depois do êxito de 2012, a manif ‘Que Se Lixe a Troika' fracassou em 2013. As massas cansaram-se da rua. O PC voltou, pois, à táctica de 1975: um pé dentro e um pé fora da legalidade. 
É um toca e foge: polícias em S. Bento e o piquete de greve nos CTT rompem com a lei, mas sem violência; militantes sindicais invadem ministérios, mas sem estragos; 30 pessoas manifestam-se sem autorização frente à casa de Passos em Massamá; funcionários da câmara PC na Moita apupam Maria Cavaco Silva. O PC quer manter a fachada de amante da legalidade - Jerónimo falou da "ilegalidade" dos polícias em S. Bento - ao mesmo tempo que está à frente, ou por trás, dessas acções à beira ou fora da lei. Opta por uma táctica que o ilibe de ilegalidade. 
E assim desgasta o poder eleito do Presidente e do governo. Este mostra não ter receio, mas Cavaco está "amedrontado", como disse um arguto Soares. 
Sem conseguir grandes manifes que façam cair o governo, com sondagens mostrando a oposição dos portugueses a eleições antecipadas, o PC faz acções de grande visibilidade mediática, talvez esperando que alguma delas desencadeie violência que leve um Cavaco fraco a convocar eleições. O PC precisa de acções que só existam pelos media, em especial nas TVs. 
Arménio Carlos disse, sobre as invasões "secretas" dos ministérios, que precisa de "puxar pela imaginação", isto é, de imaginar acções que atraiam as TVs: os PCs ocupantes dos ministérios enviaram mensagens convocando as TVs, nomeadamente a SIC, que esteve nas quatro invasões. Sem massas na rua, o PC tem as TVs para criar desgaste. Sem a cobertura televisiva, estas iniciativas de umas dezenas não teriam qualquer impacto. Talvez o PC nem as organizasse. 
É uma nova era: não do espaço público, mas do ecrã público. Não pode durar muito: a táctica de desgaste também se desgasta. Mas o PC, com o BE e a facção socratinista do PS, tem de arriscar. Não tem muito tempo: se a economia melhorar no primeiro semestre, só uma inesperada violência de rua, resultante dalguma acção minoritária, conseguiria derrubar o governo. E, sem as TVs, isso não poderá acontecer.»

domingo, dezembro 01, 2013

SUITE BERGAMASQUE

MARINHO, BALUARTE EM BRUTO

Degustei delongadamente a longa entrevista de Marinho e Pinto ao Público. Parece absolutamente livre e independente e em muito o será, concedo. Mas fundamentalmente deixa falar as vísceras e é com elas e por elas que se move e não por princípios de coerência inatacáveis. Sensibilizou-me a ternura reverencial pela sua Mãe. Tenho a lamentar que nada tivesse a dizer acerca da sua pega-polémica no JN com Manuel António Pina poucos meses antes da morte deste. Tenho a lamentar também que nem uma palavra tenha expendido acerca do seu adorado e protegido Só-Crash. Complexo e multifacetado, este Marinho, um viciado nos holofotes mediáticos. Eu, que nem sempre o poupei e nem sempre o pouparei, dou o braço a torcer: um homem, se for homem e quiser o melhor e o mais recto para Portugal, tem de gostar um pouquinho deste Camião TIR sem travões.

O NOSSO REDUTO DE DIGNIDADE

sexta-feira, novembro 29, 2013

PERGUNTEM-SE QUE EMPREGOS PODEM CRIAR

GERIATRIA CONSPIRATIVA E MUDANÇA



A Taxa de Desemprego Move-se Para Baixo. Ainda bem. Sim, há emigração. Massiva. Há uma ponte aérea só de saída de jovens portugueses para essa Europa britânica e alemã. Mas alguma coisa ocorre de extremamente positivo com a taxa de desemprego doméstica. Desejo acreditar que o investimento novo está a fazer o seu caminho e a tirar gás aos piquetes de bloqueio da mudança. Desejo acreditar que algo de bom se movimenta no sentido oposto da Geriatria Conspirativa vetustade dos soares e dos outros idosos fósseis e malignos do Regime com o seu egoísmo por palavras, actos e comissões. Um Soares que protege Sócrates e ataca Passos não tem perdão. Há muito mais Portugal além da politiqueirice. E a mudança está aí. Se fosse pelo Fóssil Arménio, ainda hoje a circulação ferroviária deveria ser feita a vapor, contra o capitalismo que condena ao despedimento compulsivo fogueiros e vendedores de carvão.

MÁGOAS DE UM ESCRITOR CAUDALOSO

Eu queria ser lido e amado. Mas isso não é automático nem simples nem sequer decorrente do muito talento que me outorgue. É preciso sorte. Talento e sorte. Muitos houve que morreram agarrados ao seu talento e sem sorte. Outros levaram para a cova a sua sorte sem talento. Quereria escrever caudalosamente, imparável, dia após dia após dia e matar com páginas repletas a fome da minha prole. Desgraçadamente, não há leitores em Portugal. Desgraçadamente, aqueles por quem escrevia, por cujo amor escrevia, não me suportavam as provocações. Deixaram-se ofender por mim como se uma carta com dois mil anos de que discordemos, mas maravilhosamente bem escrita, nos pudesse ofender as convicções e o amor próprio.

Imbecis. Agora tenho as minhas pernas enterradas até às virilhas no pântano da escrita pequena em forma de regato e desambiciosa. Escrever para quem?

quinta-feira, novembro 28, 2013

MAIS UMA CARTA QUE PACHECO NÃO LERÁ

Infelizmente, João Miguel Tavares, Pacheco só se ouve a si mesmo, anda em demasiado cio consigo mesmo há demasiado tempo e com a sua retórica artesanal para dar ouvidos à mais lhana razoabilidade, venha ela de onde vier. Ao que parece, a intervenção pachequiana electrizou o esquerdismo agremiado na Aula Magna. 

Mas desengane-se quem pense que Pacheco reage ou interage com algum argumentário fora de si mesmo. Ele desdenha de todos e não reage a ninguém, entretido com o seu próprio argumentário e sobretudo com o seu putschismo radical:

«Permita-me então continuar esta carta de choque e algum pavor, caro amigo, companheiro e camarada Pacheco Pereira, após escutar a sua intervenção no encontro da Aula Magna. Nós tínhamos ficado no ponto em que eu defendi que não se pode sair em auxílio da geração nem-nem (nem estuda, nem trabalha) com políticas nim-nim – nem assim, nem assado, nem de qualquer forma compreensível para quem não se deixe seduzir por vendedores da banha da cobra, tipo António José Seguro. 
O problema, portanto, não está no “atacar”, mas em saber como nos devemos então “defender”, para nos opormos à troika e ao Governo de uma forma que: a) esteja efectivamente nas nossas mãos; b) não exija a saída do euro; c) não perore sobre haircuts e reestruturações sem ter em conta que 35% da nossa dívida está na mão de investidores domésticos e apenas 22% em mãos estrangeiras (o resto, segundo estimativa do Deutsche Bank, é da troika); d) perceba que, por muito escandalosos que sejam swaps, PPP e trafulhices financeiras, Portugal continuaria escandalosamente falido mesmo que eles não existissem. 
O Pacheco Pereira tem sido muito claro na defesa de que, em alturas de urgência e de crise como esta, é necessário escolher o lado da barricada em que se quer estar. Certo. Só que hoje em dia, mais importantes do que as clássicas trincheiras pró-governamental e antigovernamental são as trincheiras dos programas políticos aplicáveis e a dos programas políticos lunáticos – e essas trincheiras, como na guerra, cruzam-se com frequência. Ora, de que me serve saltar todo ufano para a trincheira antigovernamental se depois ao meu lado tenho um combatente por um programa político lunático? Isso só faz sentido numa ocasião: quando se considera que abater o inimigo é mais importante do que escolher o amigo. E sobre isso tenho a dizer o seguinte: olhando para os amigos que Pacheco Pereira tinha sentados ao seu lado na Aula Magna, não admira que pense assim. 
Eu não tenho espaço para estar aqui a analisar o currículo de vários companheiros de mesa de Pacheco Pereira, esses profundos indignados pela situação em que o país se encontra, mas passemos ao lado de Mário Soares para nos focarmos apenas num dos principais organizadores do evento e num dos seus últimos cargos públicos: Vítor Ramalho e a presidência do Inatel. E aqui, aconselho a todos os leitores as cinco páginas (pp. 98-102) que o livro Má Despesa Pública, de Bárbara Rocha e Rui Oliveira Marques, lhes dedica: de viagens a Bali a tradutores oriundos da Juventude Socialista de Setúbal, de cuja distrital o senhor Ramalho era presidente, passando pela famosa entrevista pela qual pagou cinco mil euros por ser sua obrigação “promover o Inatel”, o que dali emerge é o retrato do típico político profundamente dedicado à causa pública, no sentido em que ela sempre fez maravilhas por si. 
E é por isso, caro Pacheco Pereira, que embora eu simpatize com o seu discurso e comungue de muitas das suas preocupações, não sou capaz de fingir um torcicolo para não ver quem está sentado ao meu lado. Sim, nós precisamos de uma outra política e de outros políticos. Mas não precisamos só disso. Precisamos de uma alternativa consistente. E precisamos – sempre, por razões de memória – de apontar o dedo a quem andou a enterrar o país para agora vir, de pança cheia, armar-se em porta-voz dos pobres e oprimidos. A hipocrisia tem limites. E o caro Pacheco Pereira, com a idoneidade que o caracteriza, deveria ter olhos para ver isso.» 

A GERAÇÃO PRESERVATIVO

Tem sempre uma última palavra a dizer definitiva, egoísta e imutável: ou nós ou nós. As coisas são o que são e têm de continuar a ser o que são, ainda que não haja nem um cêntimo para os actuais quarentões para quando e se puderem reformar-se. Não admira que já quase não se façam crianças em Portugal.

CADA PAÍS COM OS BERLUSCONAS QUE MERECE

Estão a ver Berlusconi? 

1. Alguém que nunca se toca, alguém que nunca se enxerga? Estão a ver? 

2. Estão ver bem esse mitómano milionário a quem não chega ter dinheiro e poder directo sobre os media e algumas forças negras e avençadas da sociedade italiana, a) mas também necessita organizar bunga-festas para alimentar o vício em prostitutas adolescentes? 2. b) mas também necessita de fugir ao Fisco? Estão a ver alguém a quem não chega alimentar o vício em prostitutas adolescentes e fugir ao Fisco, mas também 

3. precisa de alimentar vício do Poder, da influência política, da corrupção, da mentira, da chantagem, e da conspiração explícita e implícita? Estão a ver Berlusconi? Então olhem bem para Soares e para Sócrates e colem-lhes na testa os pontos 1. e 2. sem a alínea a) e b), e o ponto 3. 

E digam-me se as Esquerdas não deveriam corar de vergonha por consentirem rever-se nesses dois auto-arvorados caudilhos delas com excesso de Antena por neles encontrar a voz grossa que lhes falta, voz que nenhum Louçã, Semedo, Catarina, Jerónimo, Tavares, alguma vez corporizarão.

quarta-feira, novembro 27, 2013

O COMETA

AINDA A SOARESIANA MAGNA VERGONHA

1.º Governo Constitucional, 23 de Julho de 1976 
«A segunda vergonha nacional traduz-se na já consabida propensão do dr. Mário Soares para a obscenidade política. Já andou por aí a citar Afonso Costa e o cadafalso de Luís de XVI. Um dia destes ainda se põe a citar outros crimes de sangue políticos, provavelmente louvando-se nos exemplos edificantes da Carbonária e da Formiga Banca. O dr. Soares sente que atingiu um limiar de impunidade que não vale a pena discutir, para não se cair eventualmente em teorias da inimputabilidade. Esse é um problema dele. Mas também é nosso, não pelas camarilhas de vária e oposta ordem e sinal político que congrega, ou diz congregar em seu redor, mas por se tratar de um ex-presidente da República a quem não ficava mal um pouco mais de compostura. 
Não me faz impressão nenhuma que uma aula magna inteira vocifere em coro com ele. Podia ser até um estádio de futebol. O que me faz a maior das impressões é que alguém, que foi presidente da República Portuguesa ainda não há muitos anos, salte para a ribalta nos termos destemperados em que o fez. Mais nenhum ex-presidente da República, mesmo que com críticas pontuais ao actual, se achou justificado para fazê-lo. Tratou-se de uma tentativa insensata de manipulação das massas: não há nenhum mecanismo constitucional que permita a destituição pretendida - logo, não é em nome do Estado de direito, nem da legitimidade constitucional, mas da barafunda revolucionária que o dr. Soares e alguns apaniguados pretendem falar. 
Outro ex-presidente da República, o general Ramalho Eanes, aliás objecto de justíssima homenagem no dia 25, pôs, com a sua sobriedade habitual, os pontos nos ii: "O actual Presidente da República tem dirigido ao País mensagens de estímulo correctas, é através de um consenso sobre a reforma do Estado e a modernização que o País pode assentar em alicerces sólidos." E acrescenta: "O Presidente tem tido uma atitude proactiva nos apelos que faz à sociedade, como ocorreu no Verão passado." (Público de 24-11-2013). A verdade é que, em nenhum momento do seu mandato, Cavaco Silva deixou de cumprir ou violou a Constituição. Toda a gente o sabe. O que é deveras deprimente, não é que a esquerda finja ignorá-lo, é que o dr. Soares a acompanhe nessa vergonhosa ficção.» 

Vasco Graça Moura

UM CAMÕES PARA DAVID CAMERON

Sou absolutamente camoneano e lusíada: qualquer coisa nova ou de sempre acerca do meu Camões e de Os [seus] Lusíadas faz-me estremecer. Isto porque sinto de um modo completamente íntimo, passional, pessoal, religioso mesmo, quanto dele li, quanto conheço do mais profético e symbólico dos autores nacionais. Sonho com o dia em que um Cameron, ou outro mega-realizador qualquer da Indústria, pegue na matéria lusíada e lhe dê uma versão cinemática de cunho tão épico quanto o filme Avatar. Poderia começar com a marginália desta primeira edição no Harry Ransom e as anotações atribuídas a Joseph Índio, padre de origem indiana que seria amigo do nosso Poeta Máximo.

REVOLTA CONTRA O REGIME E O PASSADO

XVIII Governo Constitucional
No artigo de opinião a seguir citado, eis vários pontos em que insisto há largas semanas: 

1. Os Governos Passados não podem ser desconvocados dos gravíssimos problemas presentes;
  
2. Os apelos da elite Privilegiada do Regime [Soares e outros] à revolta e à rebelião dos simples e contra meros incumbentes eleitos [Governo e Presidente] suscitaria, no mesmo turbilhão revoltoso gerado, o ataque a essa elite privilegiada, à sua corrupção de décadas, aos seus vícios, bem como a revolta contra manifestos ladrões em Governos passados e manifestos decisores danosos do passado mais recente. 

«O verdadeiro responsável pelas agruras do presente não é o actual governo, mas os anteriores executivos, que acumularam uma factura que agora é preciso pagar Uma das questões mais inquietantes do momento em que vivemos é verificar que demasiada gente - com responsabilidades - pensa que as medidas aplicadas pelo actual governo são da exclusiva responsabilidade deste executivo e da troika. 
O que se passou nas últimas décadas até sermos empurrados para a troika parece que entrou num buraco negro de memória. É verdade que a profunda inépcia deste governo, e também a sua megalomania ("vamos para além da troika"), ajudou a criar aquela imagem, mas não é por isso que ela passa a ser verdadeira. 
Há um grupo de privilegiados do regime que pretende que o povo se rebele, não para impor justiça, mas para que o actual governo caia na rua, em total contradição com os princípios da Terceira República. 
Uma rebelião da turba tem todas as condições para agravar todos os males presentes. Sem um governo capaz de cumprir as condições dos nossos credores, terá de haver uma redução drástica do défice público, por manifesta incapacidade de financiamento. Poderemos mesmo ser expulsos do euro ou ser forçados a sair, sem qualquer garantia de ajuda, e então é que entraríamos num inferno. 
Em termos económicos, seria uma desgraça; em termos políticos, teríamos o caminho aberto para todos os desmandos e injustiças e é bom não esquecer como as revoluções comem os próprios filhos; em termos de ordem pública, seria uma calamidade. 
Mas temos uma alternativa, em moldes semelhantes aos da Islândia: pôr o regime no banco dos réus ou, no mínimo, pôr os últimos governos em tribunal. Porque, mais do que qualquer outra coisa, precisamos de uma tomada de consciência, para não repetirmos todos os erros do passado. 
No entanto, começamos com um grave problema: o descrédito da justiça portuguesa. O risco de assistirmos a um descarado branqueamento dos últimos executivos é elevado. 
Para escolhermos os acusados, temos de fazer um inquérito aos problemas mais graves. 
Quais foram os governos que tomaram medidas de destruição da nossa competitividade e com isso deram uma machadada brutal no nosso potencial de crescimento? É importante recordar que até final dos anos 90 a economia portuguesa crescia a 3% ao ano, mas que na década seguinte não conseguiu nem um terço disso. Não há nada que mais tenha destruído a capacidade de Portugal de ter um Estado social forte do que isto. 
Que governos estiveram omissos na degradação da nossa natalidade, outra valente causa do enfraquecimento do Estado social? 
Quais os governos que conduziram ao descalabro das contas públicas e à explosão da dívida pública? Quais foram os governos que assinaram contratos de PPP, que são dívida pública escondida (só para enganar Bruxelas), com o dobro do custo? Em particular, quais os governos que se comprometeram com PPP com cláusulas frontalmente contrárias ao interesse do Estado e dos contribuintes? 
Que governos tomaram medidas eficazes para enfrentarmos a globalização e que governos assobiaram para o lado? Quais os governos que assistiram impávidos à explosão da dívida externa? 
Mário Soares, no seu apelo a uma rebelião, esquece duas coisas. A primeira é que aquilo que o actual governo tem sido forçado a fazer é aquilo que, grosso modo, qualquer governo no momento presente teria de fazer, em consequência dos desmandos das últimas décadas. 
A segunda coisa que Soares esquece é que a linha que separa o país não é entre a esquerda, que continua a julgar-se dona do regime, por obséquio da Constituição não democrática de 1976, e a direita; a linha que divide profundamente o país é a que separa a classe política da Terceira República, que se auto-atribuiu as mais luxuosas mordomias, e o resto do país. 
Por isso Soares está do lado errado e, se apelar muito à violência (que desaprovo completamente), corre bem o risco de ser uma das principais vítimas.» 

terça-feira, novembro 26, 2013

DISPARAR A BALA E ESCONDER A ARMA

Estive a ler o mais recente lençol fastidioso artigo de opinião do Senecto Soares, onde se afadiga a esconder a mão que atirou a pedra. Diz o ambíguo agitador: 

«Ao contrário do que alguns especuladores da comunicação social, ao serviço do Governo, têm vindo a dizer, eu odeio a violência. Se falei em violência foi para prevenir as pessoas e para a evitar. Sempre fui pacifista e contrário à violência.» 

Não, dr. Soares. O cidadão comum conhece-o bem. O soldado raso das redes sociais não é um especulador da comunicação social. É inequívoca a veemência do ódio com que Vossa Vampireza corre a pontapé Cavaco e Passos. O dr. Soares apela explicitamente à violência, invoca a violência, incita à violência, na sua cabeça há uma Revolução Francesa, um Outubro Vermelho, um 1848. Os seus apelos à demissão simultânea de Cavaco e Passos são apelos violentos ao vazio e ao caos. A legitimação da violência por parte de Helena Roseta é descabelada e violenta. Tudo, na Aula Magna, foi a gratuidade da violência e o vazio da solução.

Ora, em face do exposto, passo eu a apelar, compensatoriamente, à violência contra os seus milhões, privilégios e prebendas, dr. Soares. O mês vai longo e já não tenho dinheiro para iogurtes. Graças a Deus e à Austeridade, aprendi a viver sem dinheiro. Mas não suporto a sua malícia, o seu golpismo, a sua perda de compostura institucional, a sua hipocrisia, a sua tolerância com quem danou e corrompeu em pleno exercício de funções. Pare e mentir, dr. Soares. Hoje o que é impopular é que é bom e precisamente aquilo de que Portugal necessita para ser, pela primeira vez em muitos séculos, um País Normal.

segunda-feira, novembro 25, 2013

O MAL METASTATIZOU

«Aplicados por baixo», Filipe?! Ainda cheguei a sonhar num primeiro momento com a exemplaridade do Governo Passos, frugal nos assessores e nas nomeações. Ainda aspirei, com Passos, a um modelo ousado de democracia cada vez mais directa ao jeito helvético. Mas o mal do Regime é antigo e metastatizou, a não ser na febre por boa gestão e boa governança, coisa nova num Govenro, coisa de que os socialistas não foram e não são incapazes. Não sei se Bernardino não despedirá. Ele ou a Coligação CDU-PSD. Depende.

NEOPREC SOARISTA EM CÂMERA LENTA

O Golpe de Estado a Céu Aberto do Dr. Soares, da maltosa de Esquerda e de Hybridos Raros, como o Dr. Pacheco está em movimento. O Dr. Soares avisou. Se Cavaco e Passos não se demitirem, poderão ser arrastados pela Avenida da Liberdade entre os escarros do cantor Vitorino, as pauladas do Camarada Lourenço e a violência-cio-por-sangue da Arquitecta Roseta. Não digam que ele não avisou.

domingo, novembro 24, 2013

VAMOS TODOS REVOLUCIONAR PACHECO

Pacheco já está na História. Em parte por fazê-la. Grotesco nas suas opções passionais em Política e canino, nas suas perseguições políticas, nas suas marcações analíticas, ele é a verdadeira máquina de pensar o Poder e a Política, mas uma máquina a vapor, de museu: por isso pensa mal e pensa, ou "intelectualiza", sobretudo contra a vasta maioria dos portugueses, a qual, por sua vez, simplesmente despreza quem não sente desejo libidinoso algum por futebol. Se há figura e cromo e silhueta e discurseta que necessita ser revolucionado é ele-Pacheco e todo o Curral Reumático-Anti-Constitucional da Aula Magna. Há mais, muito mais País, para além deles. E Futuro também. 

sexta-feira, novembro 22, 2013

LUSO SAPIENCIAL PRESERVATIVO DE DESGRAÇAS

Façam uma fotocópia e enviem-na dobrada ao Mário Milionário Soares, o Paxá do Regime, e aos outros do seu paxalato:

«Apesar de tanta gente antecipar a violência popular, o país parece ter descoberto uma sabedoria dos tempos difíceis. Se os tempos fossem outros, o “encontro das esquerdas” promovido ontem por Mário Soares na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa teria sido convocado para um espaço bem mais amplo. Se os tempos fossem outros, a criação de um novo partido que afirma a ambição de federar as esquerdas não teria decorrido numa sala meio vazia de um cinema de Lisboa. Se os tempos fossem outros, os quase 500 dias de protestos e greves no sector público de transportes já teriam desembocado em múltiplas greves gerais capazes de paralisarem o país e não de ficarem quase só pelas empresas e pelos funcionários do Estado. Mas então por que é que os tempos não são outros? A acreditar nas previsões dos mais avisados políticos e dos mais ponderados senadores, o país devia estar a ferro e fogo. Pessoas aparentemente tão diferentes como Mário Soares – que há mais de um ano escreve sobre “a violência que aí vem” e esta quarta-feira anunciou que “os portugueses não iam ficar parados” – ou Januário Torgal Ferreira – que entendeu que a melhor forma de criticar o Governo era chamar-lhe “profundamente corrupto” – convergem numa mesma inquietação: o povo está muito parado, muito apático. Talvez por isso, como se cantava noutros tempos, o que seja preciso “é agitar a malta”. Por outro lado, se olharmos para uma banca de jornais ou nos sentarmos para ouvir um telejornal, o rol de desgraças e malfeitorias é tão interminável que se entende a incompreensão de tantos dos nossos opinadores por os tempos não serem outros. Num país onde tudo é sempre apresentado como mais um cataclismo social, custa a entender por que não surgiu ainda uma moderna Carbonária. Não sei, ninguém sabe, se o nosso país vai conseguir atravessar estes dias difíceis sem episódios com a gravidade de alguns que já ocorreram noutros países. Nunca se está livre de um episódio, que até pode ser isolado – como foram, esta semana, os tiroteios em Paris –, atear tempestades maiores. Mas julgo sinceramente que não é o cenário mais provável. Mais: isso não decorrerá dos nossos míticos “bons costumes”, antes de existir a percepção, mesmo que difusa e poucas vezes assumida, de que houve um tempo de fartura (relativa) que passou e que agora há um tempo de contenção que durará vários anos e vários governos. Recentemente, a propósito da fraca afluência à que deveria ter sido a terceira grande manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika, não faltou quem culpasse o medo pela ausência das esperadas multidões. Mas medo de quê? Medo do Governo? Não faz sentido. Medo de perder o emprego? Mas quem o perderia por desfilar a um sábado, dia de descanso? Medo do futuro? Sem dúvida. Mas não deveria esse medo do futuro convocar ainda mais manifestantes? Talvez seja esta última interrogação a mais pertinente. Se há medo do futuro, há talvez ainda mais medo das alternativas aos dias que correm. Até pelo que elas omitem. Tomemos um caso desta semana. Mário Soares entendeu que era chegado o momento não apenas de pedir a demissão do Governo, como a saída do Presidente da República. Não faço ideia, e julgo que ninguém fará, como quereria que se gerisse depois o longo interregno, que duraria muitos meses, de incerteza política e caos institucional. Com um primeiro-ministro tecnocrata? Com um Presidente designado pelas Forças Armadas? E quem negociaria com a troika? Os partidos, cada um por si? E seria que o PS devia ficar de fora, para não legitimar nada? E como iria Portugal conseguir os mais de 20 mil milhões de euros de que necessita para financiar o défice de 2014 e pagar os empréstimos que vencem ao longo do próximo ano? Incumpria, declarando bancarrota? Ao mesmo tempo, o PS, apesar de alguns esforços para formular uma política mais coerente e de algumas tiradas sobre “responsabilidade orçamental”, praticamente só apresentou na Assembleia propostas de alteração ao Orçamento que fariam aumentar o défice de 2014. É simpático, mas não é suficientemente sólido para que António José Seguro seja levado a sério. Faço parte dos que sentem – dos que sabem – que “não há dinheiro”, mas já não sou dos que defendem que não há alternativa. Alternativas há sempre, é preciso é saber se são melhores. O que me custa ver em Portugal é pouca gente assumir que todas as alternativas têm também os seus custos. Podemos, por exemplo, defender que há cortes nas despesas do Estado que são intoleráveis – mas então devemos também dizer como fazemos crescer as suas receitas, e não vale falar das quimeras do crescimento económico, pois esse quase desapareceu desde a viragem do milénio e não regressará apenas pondo o Estado a gastar mais dinheiro. Depois de ter comprado tantas ilusões durante tantos anos e tantos ciclos eleitorais, o povo quer mais, não se satisfaz apenas com propostas de acabar com a austeridade – porque não acredita nelas. Mais do que o medo ou a desconfiança face às alternativas, julgo que a razão principal para a “apatia” que tanto inquieta uma parte dos nossos intelectuais está na consciência de que alguma forma de austeridade – ou de contenção e poupança, se preferirmos as palavras que os alemães usam quando se referem a austeridade – fará parte do nosso destino nos próximos anos. A forma como os portugueses têm vindo a alterar os seus padrões de consumo ajuda-nos a perceber este novo estado de espírito. Um estudo de mercado muito alargado elaborado no final do ano passado indicava, por exemplo, que havia entre os consumidores aquilo a que os especialistas chamaram um novo “frugalismo”. Não se abdica apenas do que não se tem dinheiro para comprar, abdica-se do que se pensa que é supérfluo. Isso acontece tanto nas escolhas feitas nas prateleiras de um hipermercado como no recurso a mercados de bens em segunda mão (como nos sites de leilões). E não corresponde apenas a uma alteração de comportamento, corresponde também a uma nova atitude anticonsumista que é verbalizada nas entrevistas. Isto significa que tais alterações de comportamento não são tão sofridas como se deduziria apenas da leitura muitas vezes alarmista da imprensa e dos fazedores de opinião. Outro aspecto importante é a forma como os sacrifícios são percepcionados. Por exemplo: fala-se sempre de “cortes nas pensões”, nunca se refere que a maioria esmagadora das pensões não sofreu até hoje nenhum corte pela razão simples de que são demasiado baixas. Outro exemplo: apresenta-se como uma catástrofe social os cortes a partir de 700 euros na administração pública (cortes que também eu lamento profundamente começarem nesse nível salarial), mas esquece-se que metade dos salários no sector privado é inferior a 650 euros, o que significa que esses trabalhadores não se chocam tanto como as elites com os cortes acima dessa fasquia. Mais: até são capazes de achar que assim se repõe alguma equidade. Como dizia o Herman José, “a vida dos pobrezinhos é um mistério”, e neste país há muito mais rendimentos realmente baixos do que aquilo que a alta classe média imagina. Essa distância ajuda a perceber por que tantos não entendem por que é que o povo ainda não encontrou uma nova Maria da Fonte. Essa distância e a percepção da maioria que, mesmo sendo estes dias difíceis, há alguma coisa que pode perder (o apartamento nos subúrbios, o carro em terceira mão). Ao contrário dos mitológicos proletários de Marx, que só tinham a perder as suas cadeias…»

AMPLEXO PRIMORDIAL EM MEIO AQUOSO

quinta-feira, novembro 21, 2013

ASSASSÍNIO POLÍTICO EM FORMA DE DESEJO

«Devem demitir-se enquanto puderem ir para casa pelo seu pé". Serão responsáveis pela violência que surgirá "e que vos atingirá.»
Soares, esta noite. 
Não é impressão minha, Mário Soares deseja mesmo que Cavaco morra e torce por que Passos seja assassinado, num linchamento, e por isso anuncia a violência em praça pública, violência consentânea com os seus desejos, capaz de executar aquilo que confabula, ignorando que é na Venezuela que o caos e a fome grassam, sob um líder incompetente e louco, Maduro, e é às portas de Paris, precisamente contra um governo socialista, que a indignação de agricultores privilegiados explode e já causou um morto. Nunca se assistiu a tal monstruosidade na nossa Democracia. A instigação do Mal, a Porcandade da Desgraça anunciada e desejada ardentemente, o caso de ódio pessoal transformado em dramatização pública.

Chamem Eanes. O que pensará ele desta espécie de ante-25 de Novembro?! Em que Democracia acredita realmente o Dr. Soares? Naquela que ele possa controlar, não é?! Naquela que se ajoelhe perante si, claro. 

Amanhã, estou certo, o Dr. Soares estará emboscado nas imediações de S. Bento, sob as folhagens, à espera de uma oportunidade.

ALPES

A GRANDE VERDADE DO DIA

Mensagem urgente ao Congresso das Esquerdas, demais Fraldas e Aparadeiras do Regime:
«Barroso fez muito bem em referir que o tribunal constitucional pode inviabilizar a saída para um programa de retorno organizado aos mercados. É um facto. Podemos preferir que o pais vá todo pelo cano porque nos cortaram o ordenado (é o meu caso e da minha mulher) ou porque os nossos pais tem uma pensão menor (também se aplica a mim). Mas o facto é que destruir um país porque a vida está mais difícil, usando toda a espécie de disfarces e mentirolas, a começar pelo apego a uma constituição jurássica que não dá de comer a ninguém, não é de gente de bem. É de gente mimada pelo regime, enriquecida e sustentada pelo esforço de todos, apostada em continuar a viver à grande à conta de todos. Não é justo nem é ético.» 

O NOSSO EXCEDENTE PRIMÁRIO

Fica-se a pensar que sem a desgraça da dívida, sem o sofrimento colectivo subsequente, sem as imposições de empobrecimento e boa governança pública advenientes da Troyka, nada de virtuoso seria possível operar em Portugal: o Portugal medíocre, de crescimento anémico e dos sectores cartelizados, seguiria igual. Nunca este poderia aspirar a ser um País normal, enfiado na paralisia decretada pela Constituição, formolizado no bafio decrépito dos soares e dos alegres. Por baixo da crítica de Lains, há um elogio que é glorioso porque proveniente da base de aconselhamento económico-financeiro ao PS:

«... se o Estado português caminha para um excedente "primário", isto é, arrecada mais impostos do que o dinheiro que gasta, com excepção dos juros que tem de pagar pela dívida acumulada, então só precisa de financiamento para pagar aos credores passados e não precisa de financiamento para o futuro. Simples. Ora isso não quer dizer que não se pague a dívida: quer simplesmente dizer que o poder negocial do Estado aumentou. Incomensuravelmente [...] Mas uma coisa é mais certa do que muitas: à medida que o estúpido programa de ajustamento prossegue, diminuem os custos de fazer alguma coisa de diferente. A pressão sobre o Tribunal Constitucional tem de estar relacionada com isso, mas para o demonstrar ainda será preciso queimar mais algumas células cinzentas.» Pedro Lains 

Pois, os custos de fazer qualquer coisa de diferente, isto é, de derrubar o Governo, tornam-se cada vez mais diminutos, é verdade, mas o facto de isto andar na cabeça de alguma gente inteligente deveria fazer-nos pensar na esterilidade endémica dos nossos agentes políticos, no servilismo da parecerística económica, e nos óbices pesadíssimos que uns e outros estão dispostos a atirar para cima de nós ao menor faro a Poder.

SALVO POR SAINT-SAËNS

PORQUE ALGUÉM ACORDOU ASSIM

Evocações numa vocalização do Cio Caprino!

quarta-feira, novembro 20, 2013

CONTRA UM PANEGÍRICO DE MERDA

É. Também estou contra panegíricos de merda: «É verdadeiramente lamentável que o sr. João Gonçalves faça este panegírico ao maior vigarista, trafulha, chulo deste país desde há mais de 50 anos! Uma pessoa lê e nem acredita! Elogiar desta forma este filho de padre e sopeira nem lembra ao diabo! Perguntem-lhe para onde foram os ganhos com o marfim e diamantes que o chamado filho transportava da Jamba! Perguntem-lhe como é que a casa do Vau foi construída naquelas falésias e depois quanto é que o Estado teve de gastar para que a mesma não fosse parar ao oceano! Perguntem-lhe como vivia em S.Tomé e Príncipe, a expensas nossas, por obra do caritativo Marcello Caetano! Perguntem-lhe algo sobre o exílio dourado de Paris! Perguntem-lhe sobre as voltas que deu ao mundo, inclusivè às Seychelles nessa grandiosa demonstração da nossa grandeza perante tão ingente país! Perguntem-lhe quem lhe pagou a instalação da fundação dele e da mulher! Terá sido o Guterres que lhe deu 500 mil contos?E o João Soares - presidente da CML - que lhe ofereceu o palácio totalmente remodelado na Rua de S.Bento, para ali se instalar?E que recebe por um escritório ali posto à sua disposição a renda que o Estado lhe continua a pagar?E que no Vau, no Campo Grande e em Nafarros há, permanentemente 12 elementos das forças policiais a fazer vigilância?E que o amigo Melancia continua sem saber porque foi só ele que foi preso por causa dos dinheiros de Macau? Disse-o o Rui Mateus! Pois é: tanto que nós gostaríamos de saber! E o sr.João Gonçalves tão feliz e encantado com a criatura! Lamentável!» Alblopes