sábado, dezembro 21, 2013

O DESDÉM

Ias jantar, mediante quarenta e três soldos o prato,
num restaurante, rua da Harpe.
Encaravas com desdém o velho balcão de mogno,
as toalhas manchadas,
a baixela gordurosa
e os chapéus pendurados na parede.

Os que te rodeavam eram estudantes como tu.
Falavam dos professores, das amantes.
Queriam bem saber dos professores!
Acaso tinhas tu uma amante?

Para evitar as suas alegrias, chegavas o mais tarde possível.
Restos de comida cobriam todas as mesas.
Os dois criados cansados dormiam nos cantos,
e um cheiro a cozinha,
a candeeiro de bomba
e a tabaco enchia a sala deserta.

1 comentário:

Adelino Ferreira disse...

Eu sou um dos dois com os olhos abertos.