Mostrar mensagens com a etiqueta . Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta . Mostrar todas as mensagens

sábado, janeiro 04, 2014

segunda-feira, novembro 11, 2013

MAS NÃO CHEGA

Posso encontrar-Te nas belezas que me preparas todos os dias, 
Posso ver-Te na saúde, nesta energia que pulsa em mim e quer comunicar-se,
Posso palpar a fímbria do Teu véu na infatigabilidade do Mar. 
Posso ter-Te à flor dos meus olhos e saciar-me insaciável nesta luz. 
Posso adorar-te na singela nuvem que se intromete no horizonte-ouro. 
Posso suspirar por Ti, em desejo e certeza,
de todo o meu coração,
de toda a minha alma,
de todo o meu pensamento. 

Posso, mas não chega.

É preciso que eu encontre as gentes
e as ame de todo o meu coração,
e de toda a minha alma,
e de todo o teu pensamento.

Por onde andam?
Pergunto-me, desde este fundo eremitério
a que me remeto para mais fundo perguntar.

sexta-feira, novembro 08, 2013

RASGÃO

Chovia, meu Deus,
mas àquela hora, entre o café da amizade,
e o amortecer da luz, eu sabia de que rasgões nublados
o horizonte se me abriria
e de que aves rumando ao Norte, rasantes,
se faria a minha hora de estesia,
extasiado outra vez,
na sólida certeza
do Teu seio.

domingo, novembro 03, 2013

RÉSTIA DE LUZ

Nenhum dia é igual a nenhum dia,
nem o fim de cada um ao fim de cada um.
Manifesta-se sumo, respiração, o oceano mesmo de silêncio
que nos consentimos,
triângulo aceso apontando ao Norte Vital da Divindade,
no meio do breu,
rosa-ouro carregado
sobre o horizonte,
onde só negrume haveria
por certo.

Eis a Mensagem: que o Amor
prevaleça e a condescendência condescenda
em secundar-rasurar honra ou dignidade,
para salvar uma vida,
planeta, espécie com alma,
galáxia-sementeira.

Tudo é Luz. Nada é penumbra.

sexta-feira, novembro 01, 2013

E DEPOIS, AQUELA BEBEDEIRA ÁUREO-RÓSEA

E esta epifania luminosa não foi nada, ontem. Depois é que foi.
O que veio depois não pude registar por falta de carga e foi tudo.
Bebedeira de beleza e paz, longa meia-hora róseo-áurea,
repleta de matizes rubras, por entre tanto azul-verde celeste,
jogo róseo-fogo nas nuvens, degolações expiatórias de encarnado-sangue e ouro nas nuvens,
uma extasiante meia-hora com o coração repousado-embebido
naquele imenso silêncio rumoroso da maré,
os olhos perdidos no horizonte,
o coração em Deus perdido.
Achado.

Até que anoitecesse.

terça-feira, outubro 29, 2013

REPOUSO

Virá o dia em que repousarás, 
não nesse trilho solitário onde te apagas quanto mais brilhas, 
não na sucessão dos dias gémeos, 
não na indiferença a que te vota o mundo, 
repousarás no Amplexo dado antes da criação de tudo. 
Dar-to-á teu Cristo, absorvido pela Glória em que absorveu a Humanidade. 
Dar-to-á teu Pai, Semeador da Vida, da Palavra e do Espírito. 

Dentro em breve, fracção de nada, será a Ceifa. 
Ai de quem não tiver o coração vestido, varrido, limpo!

POENTE DE OUTUBRO

Procuro, todos os dias,
com denodo e pureza,
as Tuas vestes de luz,
a fímbria do Teu manto,
e o olhar supremo,
o único, que me fará justiça.

segunda-feira, outubro 28, 2013

ORAÇÃO PARA AS MINHAS HORAS DE ÊXTASE

Senhor, meu Deus, Criador de Todas as Coisas, Visíveis e Invisíveis, todos os dias vou, com esta minha carne, este meu suor, estes meus olhos, à procura da Tua Face a fim de entrar em Êxtase. À brisa do fim da tarde, após ter morto todas as agitações estéreis, e todas as queixas pelo desconcerto do Mundo e o meu, sei que Te encontrarei com toda a certeza no silêncio da grande luz crepuscular sob o rumor marinho. Só. A sós. Todos os dias me abeiro de Ti, o Vivo Absoluto, ecoando no meu coração, locução interior que jamais cessa o sussurro da coragem e da ousadia transformadora. Impõe-se-me essa Voz e todo me perpassa e toda flui por mim, Beleza maior, maior Paz que se pode ter em vida. A Brisa é Gente. É Espírito. Fala. Fala comigo. Procuro escutar-Ta desde o mais íntimo, como se disposto a Morrer por Ela. Sibila-me que não seja tíbio, mas resoluto, se incompreendido, nem correcto ou doce, cordial ou cordato, mas fulminante e criativo, se treslido, se traído, se cercado, nem murcho nas lutas cívicas, humanísticas, morais, nem covarde nas convicções que trago e acalento, nem vá na manada nas acusações de agremiações aconchegadas no mesmismo dogmático, nem vá no coro das lapidações e condenações, nem vá chocho, se chocado, nem mal-fodido, se fodido, nem amuado-enjoado, se ofendido, nem desanimado, se contrariado, nem insosso, se repleto desta seiva e sabor a pedir vida à vida e desassossego à palavra que me enforma. Essa é a Voz que oiço, Senhor, Altíssimo. Tua. Todos os dias. E depois regresso. Intervenho. Afirmo-me, exponho-me, divirjo, derramo-me, esquartejo a realidade, consagro-me a meter nojo e a gerar desassossego. O meu coração incomoda-se com a injustiça e a falsidade, com refrões verminosos e diagnósticos psicológicos dos grandes indignados, espora que me obriga a andar. Mal de mim, Senhor, se não abrir a boca e me não soltar. Quantos preferirem a pasmaceira da velhice e os amuos da menopausa, não podem ler-me. Não pode ler-me o pudibundo e o acomodado. O susceptível e melindrável não pode ler-me, tropeçará no verbo, não lerá a fome ampla subliminar comum. Se fossem cem contra mim, ainda assim persistiria em ser-me assim, feliz e ofensivo. Viessem mil com mil bombas armadilhadas para me explodir-Bagdad, ainda assim continuaria a experimentar-me sobreviver aos bocados, tal como sou. Todas as forças da natureza, da arte e do desporto, parecem autorizadas a florir e abrir as asas e eu, que só tenho as palavras por consolação e ofício, não posso concretizar o meu desígnio, chatear?! Sou uma coisa-criatura inteiramente para Ti, meu Deus, vazio de mim, a quem se deve dar a gravíssima importância que se dava ao bobo acusador do rei, autorizado a dizer em voz alta o que imensos pensam. Gostaria de ser benevolente com todos os seres humanos, mesmo com os que surfam glórias, livros e aplausos por sobre as cabeças de miseráveis e encurralados da Crise, como eu, como eu semeados por obstinação política deles. Mas não posso. Estou aqui para incomodar. E não parar de incomodar até que Justiça e Pão nos sejam ministrados, a nós, Portugueses de Merda, tolerantes com corruptos filhos da puta, prontos a zangar-nos com os que se atrevem a puxar-lhes os colarinhos de seda e a descompor-lhes a fatiota Armani. Meu Deus, eu tenho paciência. Dizem-me os meus amigos que a tenho. Continuarei a respirar, a espirrar e a ter mau hálito até que o permitas, prostrado todos os dias a Teus Pés, à mesma hora de Êxtase. Ámen.

terça-feira, setembro 10, 2013

REPLETOS DE AMOR

Ficheiro:Francken, Hieronymus the Younger - Parable of the Wise and Foolish Virgins - c. 1616.jpg
O nosso coração é a lâmpada bíblica que as Cinco Virgens Prudentes seguram quando, pelo crepúsculo, vão ao encontro do Noivo. Sem o azeite da Graça, de um coração repleto de amor, perdão e perfeitamente reconciliado, a ténue flama morrerá. Não há vida na vaidade.

sexta-feira, junho 14, 2013

A ORAÇÃO DE HARRISON OKENE

Devemos ser humildes, sempre. Ser misericordiosos, sempre. E ser capazes de rezar com todo o ser, do fundo das vísceras, como Okene«Eu só chamava por Deus. Ele salvou-me. Foi um milagre.» 

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

À MINHA TIA-AVÓ AMÉLIA

Um telefonema. A notícia. Foi esta madrugada, agonizando entre as 06:30 e as 08:30 da manhã, que a minha querida tia-avó Amélia soltou amarras. Sabendo-a em doença terminal há semanas, uma daquelas gravíssimas situações dormentes e insuspeitas as quais, mal se manifestam, em menos que nada aniquilam a vítima, tive, na passada Quarta-Feira de Cinzas, um impulso interior poderoso para visitá-la. E fui. Foi como se todos os meus amados mortos do lado materno — o meu Avó Joaquim, a minha Avó Ana, os brasileiros meu querido Tio-Avô Manoel e a minha Tia-Avó Madalena, a minha querida tia-Avó Madrinha Emília, gente que amei e me amou [a Tia Madalena partiu em Agosto do ano em que nasci] —, gerassem no meu coração um ímpeto de despedida e de consolação. Ai de mim se não obedecesse ao que me gritava o íntimo. Ao influxo das suas vozes vivas, meu coração-vela panda foi ajoelhar-se ao pé daquela lucidez bruxuleante, tomar-lhe a mão, beijá-la, beijá-lá muito, muitas vezes, e à sua fronte, beijá-la muito, muitas vezes, dizer-lhe que me era querida, dizer-lhe que tudo correria bem, invocar numa prece Jesus, o Deus Vivo, Espírito Consolador da Estirpe Humana, ser, enfim, abençoado pela irmã da minha querida Avó Ana, no Seio de Deus há vinte anos. Logo me reconheceste. Estendeste a tua mão sobre a minha cabeça, mão que ficou na minha mão, os olhos nos meus olhos. Balbuciaste reconhecimento, não ter dores. Senti na estrema da tua fronte com o teu cabelo o odor familiar da nossa carne, do nosso sangue, e ao mesmo tempo exclusivamente maternal, comum à minha Avó. E foi cheia de esperança e suavidade que uma luz muito bela do Sol da tarde irrompia pelo quarto, quando já estava para apartar-me de ti. E como me custou sair da tua beira, minha Tia. 95 anos. Mas que esterilidade de País injusto e que inconsequência de História Colectiva testemunhaste?! Que transes pessoais suportaste?! A espada de um filho morto no Ultramar, único filho homem. A espada de um neto de repente morto, único neto homem, tão novo, colapsado por força de um mau coração, ainda há seis anos, mulher e filhos para trás. E tu, atravessando a vida, sempre, num serviço vital à tua filha, cozinhando para ela, cuidando dela, num oferecimento pessoal, como se não tivesses nem idade nem limites nem cansaço. Existindo só para ela, para o seu cansaço, para os seus limites, para a sua idade. E tu, resistindo a tudo, dando tudo, num silêncio e numa serenidade, apesar de tudo espirituosa e leve, que poucos compreenderiam e de que menos ainda seriam capazes. Do País, as notícias de se ter transformado num fóssil comunitário, um oásis para a desonestidade e o oportunismo, uma caricatura de democracia, um corpo associal e injusto, onde é redutor pôr as coisas na rançosa dicotomia Esquerda-Direita, uma vez que a injustiça em Portugal, além de democratíssima, portanto, generosa, não tem qualquer noção da lateralidade. Não poderias imaginar que este teu sobrinho-neto, apesar de mais de década e meia de mester, não está professor [talvez não mais beba desse cálice sobretudo porque não quer!], nem se fez empreendedor com dinheiros do Estado, do Partido, do Privilégio, nem rebola de esquemas de sucesso fútil, nem chafurda no dinheiro fácil, pornográfico, homicida, dos Loureiro, dos Sócrates, dos diabo que os carregue, nem inocula mais vaidade à vaidosa petulância dos que se julgam imunes ao sofrimento e à morte. Não. Foi beijar-te e dar-te amor, minha Tia, um coração amoroso, repleto de Cristo e assente n’Ele-Rocha, um empobrecido dos tempos como o são milhões, convicto ambientalista, convicto não-consumista, pluralista, ecuménico, espiritualmente feliz e reencontrado consigo mesmo no preciso paradoxo de todas as perdas pessoais e sociais, pecador de muitas verrinas e catilinárias, mas humilde diante do que é Grandioso, como a tua Hora hoje conclusa; humilde perante o que é Belo, como a tua silenciosa serenidade exemplar toda a vida; humilde ao contemplar o Sublime Humano, como o teu silêncio sofredor que nunca maldisse e nada protestou; finalmente, humilde e reconhecido diante de quem é compassivo, como só o que é Divino e divino no humano pode e sabe ser. Foste uma mulher de paz e sabedoria. Chegada ao ponto-porto onde não há a dissolução e o vazio de um passado, nem a fugacidade opaca de um presente, nem a caducidade perpétua de um futuro, somente convergência imortal dos Seres, sei o que dirás à tua irmã, minha Avô, viva entre os Vivos: «Não te visitei, Ana, quando estavas doente e morrias. Não fui capaz. Remordi por demasiado tempo o ostracismo a que me votou a nossa Mãe Júlia por causa do meu desgraçado casamento com o donjuanesco traste: ela, que também não pôde ser feliz conforme merecia com o nosso Pai Abílio, conhecia o abismo para que me atirava ao escolher o que escolhi. Cortou comigo. Nem à hora da morte quis romper o ter-me banido, a Mãe. Onde isso vai e o nada que é! Mas este teu neto veio ver-me na minha Hora. Cobriu-me de beijos. Beijou-me a mão. Afagou-a muito. Beijou-me a fronte. Muitas vezes. Não queria apartar-se de mim, na minha agonia, marejado. Abençoei-o. Trouxe-me todo o amor e toda a paz que o medulam e são tudo. O teu neto, Ana! O teu neto!» 

Com mil perdões por quanto aparente transporte romântico transpasse o meu texto. A vida é isto. Ando a ler Camilo.

sábado, novembro 17, 2012

MEU CRISTO, MEU TUDO

«Ichthys (also Ichthus or Ikhthus /ˈɪkθəs/[1]), from the Koine Greek word for fish: ἰχθύς, (capitalized ΙΧΘΥΣ or ΙΧΘΥϹ) is a symbol consisting of two intersecting arcs, the ends of the right side extending beyond the meeting point so as to resemble the profile of a fish, used by early Christians as a secret Christian symbol[2] and now known colloquially 
as the "sign of the fish" or the "Jesus fish.» Wikipedia

quarta-feira, abril 11, 2012

DE JOELHOS PERANTE O SANTO SUDÁRIO III

Narram os Evangelhos que na madrugada daquele Domingo da Páscoa, em Jerusalém, Maria de Magdala com outras mulheres dirigiram-se ao sepulcro onde Jesus havia sido depositado tão à pressa a fim de completarem os rituais de preparação do cadáver. Levavam perfumes, bálsamos para poderem cumprir o ritual judaico. Chegadas lá, viram a pesada pedra rolada para o lado, o túmulo vazio, e os panos igualmente vazios.  O pano que envolveu o corpo de Jesus de Nazaré no sepulcro, o Sudário, ficou guardado com extremo zelo por fiéis e reis, passando por várias cidades 
e países até permanecer na cidade de Turim, Itália, 
a 14 de Setembro de 1578.

sábado, outubro 08, 2011

ARCHER

«O padre Luís Archer morreu neste sábado no Hospital Santa Maria por volta das 12h. Era natural do Porto, mas viveu grande parte da vida em Lisboa. O jesuíta tinha 85 anos e foi o pioneiro do estudo da genética em Portugal.» P

quinta-feira, outubro 06, 2011

TAIS OS MEUS PÉS, ASSIM MEU CORAÇÃO

Ainda a madrugada respira, estou pronto para ir apanhar o metro a fim de chegar antecipadamente ao trabalho. Uma hora a pé, com o céu e o silêncio por companheiros, algum suor, um ar perfumado tão comovedor como uma carícia. Não posso falhar, a cada dia e não falho. Não sinto preguiça, mesmo se, ao chegar-se o fim da semana, os meus ossos, tendões e músculos me pedem alguma compaixão. Não lha concedo. Acho até delicioso o meu corpo dorido do caminho diário. Se os meus semelhantes soubessem como há Deus e seguissem assim livres pelas ruas e ruelas da cidade e depois regressassem, como eu, ao fim do dia, famintos, exsudantes, sequiosos, repletos de humildade e mortalidade, olhando o rio de automóveis quase parados nos engarrafamentos da auto-estrada! Tal o meu coração, assim os meus pés. Acompanhar-Te-ia, Jesus, de Jerusalém à Galileia e da Galileia a Jerusalém, mil milhões de vezes que fossem. Estou pronto. Tais os meus pés, assim o meu coração.