TAIS OS MEUS PÉS, ASSIM MEU CORAÇÃO

Ainda a madrugada respira, estou pronto para ir apanhar o metro a fim de chegar antecipadamente ao trabalho. Uma hora a pé, com o céu e o silêncio por companheiros, algum suor, um ar perfumado tão comovedor como uma carícia. Não posso falhar, a cada dia e não falho. Não sinto preguiça, mesmo se, ao chegar-se o fim da semana, os meus ossos, tendões e músculos me pedem alguma compaixão. Não lha concedo. Acho até delicioso o meu corpo dorido do caminho diário. Se os meus semelhantes soubessem como há Deus e seguissem assim livres pelas ruas e ruelas da cidade e depois regressassem, como eu, ao fim do dia, famintos, exsudantes, sequiosos, repletos de humildade e mortalidade, olhando o rio de automóveis quase parados nos engarrafamentos da auto-estrada! Tal o meu coração, assim os meus pés. Acompanhar-Te-ia, Jesus, de Jerusalém à Galileia e da Galileia a Jerusalém, mil milhões de vezes que fossem. Estou pronto. Tais os meus pés, assim o meu coração.  

Comments

Anonymous said…
Daqui a um ano, uma hora vai parecer-lhe pouco.

Virginia

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