Somos do Mundo. Não somos, nunca fomos da Europa como iguais, senão como longínquos inferiores como inferiores ignorados. E agora ainda menos, remetidos que estamos a uma espécie de mascote ao colo da Alemanha e que a França afaga enternecida. Esta Europa do directório Galo-Teutão e do desconforto extra ou trans-europeu hesitante dos britânicos gosta da nossa submissão e elogia-nos como se elogia o vendedor de fruta pelos hábitos de bom pagador, mas nós somos do Mundo. Não nos deveria escandalizar a ideia de mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, o Reino de Portugal integrar a República Federativa do Brasil. Para começo de conversa, por cá os casamentos luso-brasileiros são em enormíssimo número assim como a descendência luso-brasileira. Por alguma razão interessante, [alguns dizem, com alguma malícia, para «limpar o sangue do pézinho na senzala»] as brasileiras procuram e dão-se bem com os portugueses e muitíssimos portugueses realizam-se absolutamente como homens e como machos somente com brasileiras, coisa que vem talvez desde o tempo das caravelas e o acrisolar da muito nossa semântica do corpo, linguagem como que fomos falando felizes as desenvoltas mulheres tropicais do mundo. Mas por que não ser uma só coisa política com o Brasil? Seria como se finalmente a Nascente se espraiasse ao ponto de se refazer e reencontrar precisamente na largueza luminosa da Foz, unindo o que nunca o mar poderia separar. Acho que li pela primeira vez esta ideia, aparente mirífica, do Miguel Castelo Branco. Ficou-me. Se o fizéssemos mais cedo que tarde, seria interessante termos duas moedas, o Real e o Euro; seria interessante disputar ao mesmo tempo a Primeira Liga e o que passaria a ser o Luso-Brasileirão, com o meu Vasco e o Flamengo dos outros jogando contra o meu FC Porto e o Benfica. Certamente que, ancorados no portentoso Brasil, contrabalançaríamos a manta de farrapos desnorteada que é esta falácia europeia e seríamos outra vez do mundo e não este apêndice desprezível, sem azimute, sem leme, a reboque de desígnio nenhum, feliz com nada, repleto de esperança nenhuma.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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1 comentário:
quando a corte de d.joão vi esteve fora do rectângulo para fugir de napoleão
criou-se o reino unido de Portugal-Brasil.
preferia a comunidade dos Palops.
provavelmente o Brasil não aceita reinois falidos
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