Pois, já faltava o inqueritozito da praxe. No dia em que tenhamos uma Opinião Pública coesa e pressionante, os inquéritos anunciados por desfastio acabam e outro tipo de decisões mais céleres e esclarecidas são tomadas. Os inquéritos do Ministério Público normalmente representam o primeiro passo para o respectivo arquivamento. Inquirir evoluiu semanticamente e já representa em Portugal «empurrar com a barriga» ou «não mexer uma palha» ou ainda «não fazer a ponta de um corno». Foi assim que se protegeu e manteve a salvo completos filhos da puta, impensáveis para a assunção de enormes responsabilidades públicas. Ao longo de seis anos, o arquivamento foi recordista e campeão na linguagem pachorrenta no Ministério Público sempre que o nome mais infame da nossa história recente se viu arrolado em matérias sucessivamente escabrosas. No caso da professora agredida na escola de Quinta do Conde, em Sesimbra, pode sentar-se calmamente, curar as mazelas, envelhecer com toda a paciência, até se fazer justiça com a mínima e decente celeridade que, em Portugal, singifica não haver decência nem celeridade nenhumas.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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