Nunca comprei um presunto inteiro na minha vida. Mas no clube do bairro há um sistema de angariação de fundos para certas modalidades desportivas amadoras que passa pelo sorteio de um presunto ou de um bacalhau, a escolha é do sortudo, tendo em conta o acerto no primeiro número a sair nos pseudo-sorteios do Totoloto. Funciona. Meu pai e meu cunhado têm tido sorte aí. Benditos nacos indirectos os que me calham. Há um efeito nos meus dez quilómetros/dia, invariáveis e infatigáveis, na ida e na volta do trabalho: geram-me uma fome de sabores que dói. Dou por mim ávido, esfomeado. Agora com essa carne à mão, eis-me a cortar presunto, a golpear presunto, a trinchar presunto, a serrilhar presunto, faminto no fim de um dia duro. Prefiro cubos a fatias. Acompanho com vinho maduro tinto, por exemplo, um odoroso Pias alentejano. E sossego. Sucede que, dada a frequente autópsia aos quartos mumificados do bicho, dou por mim a analogizar essa carne querida exactamente com a de múmia. Não importa. A múmia de porco, isto é, o Presunto, continua a ser uma magnífica invenção gastronómica que encaixa na minha fome funda e me dá o prazer que me é devido ao fim do dia.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
sexta-feira, outubro 28, 2011
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1 comentário:
comia-o cru, cozido, frito, assado
com tinto alentejano
actualmente prefiro saber que o comem.
bom proveito
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