quarta-feira, novembro 27, 2013

REVOLTA CONTRA O REGIME E O PASSADO

XVIII Governo Constitucional
No artigo de opinião a seguir citado, eis vários pontos em que insisto há largas semanas: 

1. Os Governos Passados não podem ser desconvocados dos gravíssimos problemas presentes;
  
2. Os apelos da elite Privilegiada do Regime [Soares e outros] à revolta e à rebelião dos simples e contra meros incumbentes eleitos [Governo e Presidente] suscitaria, no mesmo turbilhão revoltoso gerado, o ataque a essa elite privilegiada, à sua corrupção de décadas, aos seus vícios, bem como a revolta contra manifestos ladrões em Governos passados e manifestos decisores danosos do passado mais recente. 

«O verdadeiro responsável pelas agruras do presente não é o actual governo, mas os anteriores executivos, que acumularam uma factura que agora é preciso pagar Uma das questões mais inquietantes do momento em que vivemos é verificar que demasiada gente - com responsabilidades - pensa que as medidas aplicadas pelo actual governo são da exclusiva responsabilidade deste executivo e da troika. 
O que se passou nas últimas décadas até sermos empurrados para a troika parece que entrou num buraco negro de memória. É verdade que a profunda inépcia deste governo, e também a sua megalomania ("vamos para além da troika"), ajudou a criar aquela imagem, mas não é por isso que ela passa a ser verdadeira. 
Há um grupo de privilegiados do regime que pretende que o povo se rebele, não para impor justiça, mas para que o actual governo caia na rua, em total contradição com os princípios da Terceira República. 
Uma rebelião da turba tem todas as condições para agravar todos os males presentes. Sem um governo capaz de cumprir as condições dos nossos credores, terá de haver uma redução drástica do défice público, por manifesta incapacidade de financiamento. Poderemos mesmo ser expulsos do euro ou ser forçados a sair, sem qualquer garantia de ajuda, e então é que entraríamos num inferno. 
Em termos económicos, seria uma desgraça; em termos políticos, teríamos o caminho aberto para todos os desmandos e injustiças e é bom não esquecer como as revoluções comem os próprios filhos; em termos de ordem pública, seria uma calamidade. 
Mas temos uma alternativa, em moldes semelhantes aos da Islândia: pôr o regime no banco dos réus ou, no mínimo, pôr os últimos governos em tribunal. Porque, mais do que qualquer outra coisa, precisamos de uma tomada de consciência, para não repetirmos todos os erros do passado. 
No entanto, começamos com um grave problema: o descrédito da justiça portuguesa. O risco de assistirmos a um descarado branqueamento dos últimos executivos é elevado. 
Para escolhermos os acusados, temos de fazer um inquérito aos problemas mais graves. 
Quais foram os governos que tomaram medidas de destruição da nossa competitividade e com isso deram uma machadada brutal no nosso potencial de crescimento? É importante recordar que até final dos anos 90 a economia portuguesa crescia a 3% ao ano, mas que na década seguinte não conseguiu nem um terço disso. Não há nada que mais tenha destruído a capacidade de Portugal de ter um Estado social forte do que isto. 
Que governos estiveram omissos na degradação da nossa natalidade, outra valente causa do enfraquecimento do Estado social? 
Quais os governos que conduziram ao descalabro das contas públicas e à explosão da dívida pública? Quais foram os governos que assinaram contratos de PPP, que são dívida pública escondida (só para enganar Bruxelas), com o dobro do custo? Em particular, quais os governos que se comprometeram com PPP com cláusulas frontalmente contrárias ao interesse do Estado e dos contribuintes? 
Que governos tomaram medidas eficazes para enfrentarmos a globalização e que governos assobiaram para o lado? Quais os governos que assistiram impávidos à explosão da dívida externa? 
Mário Soares, no seu apelo a uma rebelião, esquece duas coisas. A primeira é que aquilo que o actual governo tem sido forçado a fazer é aquilo que, grosso modo, qualquer governo no momento presente teria de fazer, em consequência dos desmandos das últimas décadas. 
A segunda coisa que Soares esquece é que a linha que separa o país não é entre a esquerda, que continua a julgar-se dona do regime, por obséquio da Constituição não democrática de 1976, e a direita; a linha que divide profundamente o país é a que separa a classe política da Terceira República, que se auto-atribuiu as mais luxuosas mordomias, e o resto do país. 
Por isso Soares está do lado errado e, se apelar muito à violência (que desaprovo completamente), corre bem o risco de ser uma das principais vítimas.» 

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