segunda-feira, novembro 11, 2013

PAZ PODRE E A PENÚRIA

A imerecida penúria que não se vê, não existe para ninguém especialmente quem mais acumula, meu caríssimo e exmo. Patriarca Clemente

Nunca compreenderei que raio de justiça conspurcada permite ao BES, hoje gloriosamente desavindo, penhorar-me, e presumo que a milhares, a pele, os ossos, isto é, um terço do parco subsídio de desemprego, ao ponto de ter para mim, a minha mulher e as minhas filhas ainda pequenas, 295 euros para viver, que nem é sobreviver. Ficaram com o apartamento. Leiloaram-no. E ainda não chega. É preciso chupar a vítima até ao último sangue. 

Até hoje nem senti justiça automática da parte do Tribunal da minha comarca que pusesse cobro a isto nem consegui compreender como é que o gigantesco BES pode espezinhar incólume na ponta da bota a minha vida, a da minha família, por tantos anos, sem que isto não seja um rotundo escândalo. O zeloso solicitador ao serviço do Banco, de nome Jorge Figueiredo, agente de execução, também nunca me soube explicar que justiça é esta. Aplica-a e segue adiante. E provavelmente nunca quis nem pôde. Cada dia é um desafio que desafia a imaginação e a paciência. 

Também tenho, como um judeu, tatuado na alma o n.º negro do processo: 4027/07.3TBVNG. É uma espécie de maldição e de sentença de morte. Espero que o BES apodreça à conta delas porque nem toda a justiça se faz no Tempo ou na Terra. Mas faz-se.

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