domingo, outubro 30, 2011

BIZANTINICES DO HOLOCAUSTO PORTUGUÊS

«...entretanto os numerosíssimos cadáveres sobrantes do "Portugal de sucesso" dos anos 90 vão pintalgando a paisagem: lotes e lotes; urbanizações sobre urbanizações; edifícios atrás de edifícios - todos vazios, ainda 'novos', todos alinhados como exércitos de soldadinhos de chumbo, apesar das cores claras ou berrantes; mas todos votados também eles ao apodrecimento. Arrastando também o território, que foi inutilmente violado e esventrado para a instalação de semelhante riqueza. É bem feito: muitos bancos chegaram a financiar ávidos 'promotores', ao mesmo tempo que financiavam os pobres papalvos que queriam comprar as casas 'promovidas'; no fim, ninguém teve dinheiro para pagar. Este nobre esquema, digno de um Madoff-de-trazer-por-casa, acabou em holocausto com os bancos a ficar com as casa nas unhas e encalacrados ao Barcleys, ao UBS e a outros. Cadáveres detidos por outros cadáveres à espera que o um Delegado de Saúde os declare cadáveres. Quanto dinheiro queimado, quantas oportunidades perdidas, quantas vezes todo o ouro do Brasil não terá sido incinerado no Drakar da imbecilidade nacional. E não mudaste nada, Portugalzinho!: agora, no empréstimo mais envergonhante, na dependência mais aviltante, na situação mais degrandante e de urgência, que fazem as nossas 'cabeças pensantes'? Discutem "se é constitucional, se houve quebra do contrato social, se limites estão a ser ultrapassados, etc, etc"; enfim, se os anjos têm uma pilinha ou uma snaitazinha.» Besta Imunda

2 comentários:

HRoque disse...

Saudações,
Na leitura que vou fazendo das minhas "pesquisas blogueiras", e naturalmente da análise que faço ao "estado" do estado, fico com algumas dúvidas e outras tantas certezas.
É certo que o reinado deste socras e camaradas, foi uma das maiores tragédias da nossa história contemporânea, contudo é extraordinariamente redutor e desonesto afirmar que esse indivíduo encerrou em si o mal de todos os pecados. Ora bem, ligeiramente poder-se-à dizer que o mal de todos os pecados é em si mesmo esta dicotomia, esta partilha bicéfala e acéfala de poder (em que sem saber muito bem porquê e como, lá aparecem uns "renegados" e submarineiros, que partilham da pandega). Portanto não há que tirar de uns para julgar os outros. São AMBOS MUITO MAUS. Dignos de julgamento, não diria arbitrário; talvez sumário e popular.
Porque para dizer que um é culpado, dever-se-à que o outro é cúmplice.
Se uns são autores, outros são co-autores, ou seguramente, figurinos.
Os PECs foram em número de 4, é certo. E quem é que os aprovou?
Já o escrevi aqui anteriormente: o Passos é politicamente MENTIROSO. É o carrasco de muitos milhares de portugueses. Daqueles que não têm como pagar honestamente as suas dívidas, porque, em função de políticas ultra-neo-libero-fascistas, se vêem despojados dos seus rendimentos.
Políticas claramente de classes. Políticas recessivas. Dois menos quatro será sempre uma recessão...
Onde está a justiça fiscal? Funcionários públicos com salários iguais ou superiores a 1000€ ficam sem "subsídios". Subsídios? De que falamos nós? Gente desonesta, AMORAL e certo. Paguem à semana como noutros países e veremos se tem cabimento o "subsídio" de Natal.
Ladrões!! Então são contra todo o tipo de nacionalizações e... O que é isto se não uma apropriação/nacionalização do rendimento dos trabalhadores, hem?
BANDIDOS, gente de má fé.
Então as empresas de transportes são um buraco sem fim? Muito bem, vamos acabar com esses buracos; identificar os podres e extirpar o mal. Acabar com a raiz. Mas não, nunca matar o paciente.
Privatize-se as águas de Portugal, a REN, a Galp, a EDP, pois claro. E nacionalize-se o BPN, o BPP, as PPP.
Os partidos do centralão são pródigos em meninos-de-"oiro" como loureiros, duartes-limas, socras, baleia-santos e mais a p()t.a. que os p.a.r.().
O mal de todos os males? A BANCA, sem qualquer tipo de dúvida.
A solução?
Entre outras mais viris, Democracia directa, já. Porque o logro da democracia representativa está falido.

Anónimo disse...

Saudações, Caro HRoque. Compreendo-o, mas sou um completo e infeliz 'descrente' nos vários sistemas conhecidos - incluída a Democracia. A "directa" também. A "Democracia Directa" foi (dizia ele) o sonho de Otelo Saraiva de Carvalho; uma quimera política, um ideal puro, mais uma daquelas belas coisas que ninguém sabe como funciona. "Ela" veio - efectivamente - mas sob a forma de "Quando o Telefone Toca", "Agora Escolha", "As Tardes da Júlia", "Portugal em Directo", "Opinião Pública", "The Big Brother", "A Casa dos Segredos" e outras bacorices mediáticas para consumo de vastas massas despenteadas, e crassas de ignorância voluntária. Muito antes de tudo isto, vendo que "O Povo" desprezava a sua mensagem e o seu modelo de sociedade, Otelo entregou-se ao terrorismo, primeiro; e ao silêncio entristecido, depois de saír da pildra. A "Democracia Directa", ou outra forma perto da Anarquia, tem outra grande desvantagem - que certamente não passa despercebida aos 'indignados': não há junto de quem protestar, não existem 'edifícios do poder', não existem culpados senão nós todos. Para 'ela' funcionar seria necessário que pelo menos 90% 'de nós' fosse letrado, sabedor, honesto, ético, inteligente, bom. Demasiadas condições.

Ass.: Besta Imunda