sábado, outubro 29, 2011

MENTIR E ENTRAR EM FALÊNCIA. MENTIR PARA SAIR

José Sócrates e Passos Coelho, estamos a ver, têm em comum um tipo de mentira de substância e alcance completamente diferentes. O primeiro usava o optimismo voluntarista para esconder o seu estatuto de coveiro da sustentabilidade do Estado Português, mentia com o nosso dinheiro, usava-o para fins de manutenção do Poder e para contentar clientelas, simulando a prodigiosa abundância dele, coisa muito útil para amigos com quem traficou negócios danosos para Portugal. Passos, pelo contrário, obriga-se a tudo fazer para impor, talvez pela primeira vez na nossa democracia, um caminho de absoluta racionalidade do Estado, qualquer coisa que nos retire, dolorosa, mas rapidamente da suspeição internacional. Podemos escapar às medidas de austeridade? Não. Podem elas ter conta, peso e medida, especialmente em razão da situação volátil europeia? Provavelmente não. Será Passos um político amoral porque anda quatro passos à frente do acordado pela Troyka? Se isso nos salvar, nos prestigiar e nos tornar mais prósperos, mais sustentáveis, nada contra. Prefiro um político amoral a um político imoral capaz de agudizar a nossa crise com medidas absolutamente desastrosas, como os aumentos para 2009 que serviram literalmente para subornar o eleitorado néscio. Aumentar impostos e subtrair subsídios de Natal e de Férias poderá ser o corolário da apatia geral que nos manteve impávidos perante um Poder Político desonesto enquanto a nossa dívida pública e o nosso défice explodiam sob o desgoverno e o desprestígio de José Sócrates. Se conseguirmos um Estado mais racional, mais equilibrado, será o fim de uma ilusão desmedida, o brinquedo de eleição dos partidos do Poder, passível de todos abusos e usuras, que aliás nos conduziu à tragédia desta pré-falência.

1 comentário:

Contra.facção disse...

Qual é a diferença entre mentir e mentir? Paixão maquiavélica?