sábado, outubro 29, 2011

MINISTÉRIO PÚBLICO OU OS INQUÉRITOS DA INCÚRIA

Pois, já faltava o inqueritozito da praxe. No dia em que tenhamos uma Opinião Pública coesa e pressionante, os inquéritos anunciados por desfastio acabam e outro tipo de decisões mais céleres e esclarecidas são tomadas. Os inquéritos do Ministério Público normalmente representam o primeiro passo para o respectivo arquivamento. Inquirir evoluiu semanticamente e já representa em Portugal «empurrar com a barriga» ou «não mexer uma palha» ou ainda «não fazer a ponta de um corno». Foi assim que se protegeu e manteve a salvo completos filhos da puta, impensáveis para a assunção de enormes responsabilidades públicas. Ao longo de seis anos, o arquivamento foi recordista e campeão na linguagem pachorrenta no Ministério Público sempre que o nome mais infame da nossa história recente se viu arrolado em matérias sucessivamente escabrosas. No caso da professora agredida na escola de Quinta do Conde, em Sesimbra, pode sentar-se calmamente, curar as mazelas, envelhecer com toda a paciência, até se fazer justiça com a mínima e decente celeridade que, em Portugal, singifica não haver decência nem celeridade nenhumas.

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