sábado, outubro 22, 2011

PS E SÓCRATES OU GAFAR PORTUGAL

A política praticada em Portugal não se mostra capaz de desempenhos rectamente orientados no sentido ideal de um estado puro. Após o 25 de Abril, nunca mais se percebeu um estado imaculado e inteligente no seu exercício pelo bem objectivo dos cidadãos. Até agora. Com Passos Coelho, já não há alternativa a não ser o melhor possível, o mais moralizador, o mais realístico, o mais sóbrio, tendo em conta a urgência que impende sobre o nosso destino colectivo. Desde que o socratismo reduziu a política à extensa encenação de impossíveis a mera procura dos recursos necessários à prosperidade dos seus à custa do comprometimento geral, através da ambição, da avidez pelo aumento da riqueza para si e para os seus e sobretudo uma forma de luta suja pelo poder supremo como há muito não conhecíamos desde a revolução negra primorepublicana. Sob aquele torpe Primeiro-Ministro, o PS perverteu-se e transformou-se em braço robótico da radical defesa da impunidade dos seus, da corrupção dos seus, protegidos a montante e a jusante por uma malha bem montada de cumplicidades estrangulatórias da Verdade e da Justiça. Qualquer reacção a estes factos de luminosa transparência foi sendo convenientemente apodada de pulsão caluniosa e conspiradora, quando era o nosso último recurso contra a corja que alcançara o Poder e tinha a Justiça e a distribuição do dinheiro público na mão. Por isso agora que Marques Mendes se transformou num comentador brilhante lá, onde como político foi apenas baço e murcho, faz todo o sentido que conflua connosco na perseguição criminal de criminosos políticos: um exercício governativo lesivo [reiteradamente lesivo] dos interesses públicos deverá ser punível judicialmente. Perante isto, o PS, que tão bem conhece o percurso negro e daninho de Sócrates, silencia-se pois reconhece não haver escapatória à sua criminalização, ele que corporizou a derradeira aberração num Estado de direito, o insulto à inteligência geral, praga de gafanhotos, maleita moral que gafou Portugal irremediavelmente, como se percebe e sofre na pele. Criminalizar Sócrates já não é uma questão de ódios irracionais, mas de pura demanda de decência e restauração da memória num regime democrático apenas no formalismo das designações, mas não na experiência quotidiana. Que Sócrates não difere de um mafioso vulgar, basta considerar as escutas de Aveiro feitas ao probo Vara que denunciaram o Primeiro-Ministro paranóico e conspirador, num afã de Poder a fim de concretizar todos os negócios amiguistas cuja factura hoje nos enterra. Economia, mau carácter e moralidade entrecruzaram-se como poucas vezes na nossa história, conjura na nossa perdição. Blindado por leis próprias das tiranias africanas, muitas delas feitas à pressa e à medida, o então Primeiro-Ministro pôde escudar-se no álibi conveniente de terem sido essas escutas feitas sem autorização judicial própria, mas o que resulta sabido criminaliza em absoluto um chefe de Governo e secretário-geral do PS capaz da concepção de planos para decapitar uma linha editorial num canal privado de televisão, conspirando com sucesso contra o único serviço noticioso que denuncia com factos toda a podridão corrupta de um percurso político videirinho manifesto em formas de decidir danosamente contra os portugueses adormecidos, podridão e percurso que explicam extensamente o nosso estado de pré-bancarrota. Nesta história de chantagens e mentiras, saem mal o Procurador-Geral da República que não procura e o Presidente do Supremo, nulos e incapazes mesmo perante o caminho que nos trouxe aqui e deveria ter sido atalhado, porque hoje estamos a pagá-lo. Não é, pois de surpreender que António José Seguro odeie Sócrates e confie muitíssimo mais em Passos que em todos quantos pactuaram com as pulhices de Sócrates, dos amigos corruptos de Sócrates e dos assessores de Sócrates, pagos a peso de ouro num Estado Falido, e que ainda hoje fodem com a nossa paciência nos blogues sem vergonha na cara ao tentarem reabilitar a merda que fizeram a Portugal.

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