quarta-feira, agosto 19, 2009

JORGE DE SENA, O HONROSO DEFUNTO


A sociedade insuficiente que Sena toda a vida verberou, sociedade que o excluíu, incompreendeu, perseguiu caninamente, como ainda hoje uma certa elite omissa e covarde ainda faz com milhares de brilhantes filhos de Portugal, não aprendeu nada. 35 anos após o 25 de Abril, faz-se o regresso paulatino à mediocridade e à exploração das pessoas, à minimização e ao desrespeito pelo cidadão sob todas as formas, a principal das quais é a prostituição do Poder Político aos Poderes Económicos em negociatas de curto prazo só benéficas aos "Privados" numa óptica não reprodutiva nem vantajosa para o conjunto do país. O País prepara-se para honrar os ossos de Sena, mas não lê nem sabe nada de Sena, do quanto Sena acusa as mesmas e actuais barbaridades. O defunto Sena é honrado, mas o Sena vivo que fecunda e obriga a mudanças profundas, esse permanecee ignorado e fora dos curricula, das reedições, das conversas, dos debates. Ao contrário do que circunstancialmente se diga de baboso, o "regresso" de Jorge de Sena não encerra ciclo nem coisa nenhuma. Era bom que reabrisse tudo o que há a reabrir num Poder Político anti-Sena, visceralmente o oposto do por que se batia Sena: «A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) vai atribuir a Medalha de Honra a título póstumo ao escritor Jorge de Sena, falecido em 1978 nos Estados Unidos e cujos restos mortais serão trasladados para o cemitério dos Prazeres na primeira quinzena de Setembro. A SPA considera que "o regresso definitivo de Jorge de Sena a Portugal encerra um longo ciclo de desencontro e afastamento que tão profundamente marcou a sua vida e a sua obra, deixando também marcas profundas na cultura portuguesa do século XX".»

1 comentário:

Rui disse...

Para saber quem era o Sena(triste sena),leia a última edição do Diabo.