quarta-feira, agosto 26, 2009

MAIS POEIRA DEMAGOGIZANTE

Jorge, e quem protege os trabalhadores de empresários grunhos, agressivos, sem classe, mal-educados, sôfregos, sovinas, malcheirentos, vexatórios dos que contratam sob a mais reles precariedade? É aí, precisamente aí, que Portugal se distancia da Europa e a Europa cada vez menos tem a ver com Portugal porque a cultura empresarial está muito longe da excelência humanística e holística em países zelosos dos seus povos. Definitivamente não tem sido muito português zelar pela felicidade e o prazer dos que trabalham para que trabalhem ainda mais motivados e eficientes. Hábito mais sueco, mais norueguês tal zelo. Se essa cultura humanística do trabalho reconhecido não se implanta reformando as mentalidades, comparado com os sistemas positivamente estimulantes da Europa, a iliteracia prosseguirá inalterada no seu cerne. Essa obsessão com a rigidez laboral portuguesa, incapaz de ver os limites mentais, intelectuais e atitudinais do empresariado, envenena a tua visão de conjunto, o que é lamentável. A cultura empresarial nacional é que tem de mudar e premiar a excelência, o rigor e eficiência na gestão de activos humanos. Uma legislação simplesmente restritiva ou simplesmente liberalizadora do despedimento não garante em nada que tal cultura mude. O circuito condenatório de Portugal nos rankings manhosos da OCDE começa precisamente na remissão de quem trabalha a uma vida apertada, miserável, o que se repercute e perpetua nos demais domínios. Não ter nada a que aspirar, não ver o mérito pessoal reconhecido, um sistema de cunhas político-económicas para gestores vicia o sistema da base até ao topo das principais companhias. A tónica colocada na rigidez laboral portuguesa esconde uma desonestidade fundamental e insanável: pura incapacidade de desdobramento ético. A baixa produtividade reflecte uma desmobilização laboral operada desde há décadas pelo sistema económico dos baixos salários. O bem-estar sonegado ou dificultado de raiz a trabalhadores por uma vida inteira de baixos salários determina que a situação portuguesa dentro da demagogia do ranking jamais sofra mudança. E isso por muito que a selvajaria dos despedimentos banais se banalize ainda mais. Por outras palavras, as mudanças fundamentais fazem-se e exemplificam-se no topo ou Portugal colapsará de rancor pelas injustiças larvares na estrutura económica nacional: «Pior ainda é o facto de na presente década ter aumentado a percentagem dos trabalhadores com menores qualificações, o que indicia que muitos dos empregos que estão a ser criados, sobretudo nos serviços, continuam a obedecer ao padrão de baixos salários, baixas qualificações e precariedade".»

1 comentário:

Anónimo disse...

Junto com o pior governo que existiu, também temos o pior empresariado dos últimos séculos.

Os senhores de escravos tratavam estes com muito mais carinho e respeito que os actuais empresários tratam os trabalhadores.

Só o retorno a um sistema corporativo onde o Estado(*) se assuma como árbitro musculado das relações laborais, poderá forçar a uma mudança comportamental do empresariado.

(*)Estado literalmente Novo.