quarta-feira, setembro 21, 2011

FORMAS AGUDAS DE NÃO EXISTÊNCIA

Parece que Pedro Marques Lopes, o calvo e risonho comentadeiro que às vezes gramamos como um surto de fungos no ecrã do televisor, garatuja qualquer coisa no DN. Tem feito por praticar, escrevendo, aquele tipo de não existência que às vezes flatulenta um vago pensamento. Pertence a um certo tipo de povo que se abre todo para dizer umas coisas transversais socialistas que se tornam moda, mas que, se equivalentes no lado da barricada deles, calam-se porque muito lhes convém calar. Escrever a soldo é mau. Pior quando a desonestidade intelectual campeia. Agora que toda a socialistada hipócrita e amnésica vem para cima de Alberto João Jardim de dedo acusador, atirar a puta da primeira pedra, convinha que a malta tivesse o mínimo de vergonha na cara e começar por saltar para as nádegas parisienses respaldadas do Sr. Sócrates, o qual, para se retirar imediatamente do cargo que ocupava, dos seus doze motoristas e dos seus quilos de ramos de rosas na apartamentóide de delícias e enriquecimento absolutamente inexplicável, para se retirar dos seus shows de anúncios e inaugurações com buffet, falências e obras de fracasso com torradas e folhetos, foi preciso um tremendo exercício de paciência e de combate pela ética de Estado. Da mesma forma que agora, enquanto se apoquenta Cavaco Silva para ser o presidente de todos os portugueses após ter sido um presidente diminuído de todos os açorianos e o garante do regular funcionamento das instituições tão contaminadas pela manipulação maçónica e pelos cargos-tampão, como o da PGR, agora que o PR é convidado a fazer uma declaração sumária ao País sobre a facada jardinista, ele que foi rebaixado por César e Sócrates e quejandos, e foi desprezado aquando da declaração patética sobre o novo estatuto político administrativo dos Açores que lesava os seus poderes. Não. Ninguém está imune aos sacrifícios, a não ser os funcionários públicos açorianos e quem se exila no próximo curso de filosofia parisiense. Finalmente, exigir uma agenda a Passos Coelho sobre o modo como pode e deve lidar com Jardim quanto ao desempenho do cargo que ocupa e ao lugar no PSD é um manifesto exagero. As formas agudas de não existência, como Pedro Marques Lopes, encontram sempre uma solução na manifesta rasura dos mecanismos democráticos. Ora, o homem que a TVI fustigava com denúncias de trafulhices e malfeitorias disse, e ninguém corou por demasiado tempo, que o caso Freeport estava na balança do combate eleitoral e assim passou a fundamental no debate político da altura, desviando sobre si, e não sobre a governação, todas as atenções. Sobre o Freeport não ocorreram nunca os esclarecimentos políticos necessários, nunca se apresentaram e esclareceram as contas offshore, e tudo o que foi arrolado pelo tio e do filho do tio. Foi julgado na praça pública porque quis e ganhou. É por isso que soa a coisa torpe qualquer rasgar de vestes num tempo que todos os bois com todos os nomes aplaudiam tal incomensurabilidade do Ego. E é por isso que não ouso propor nada nem a Cavaco nem a Passos Coelho. O que disseram e o que calaram basta. 

1 comentário:

Nuno Oliveira disse...

Joshua,
o seu post é demasiado definitivo para adendas ou bitaites da minha parte.
Subscrevo.
Abraço.