quinta-feira, setembro 22, 2011

RELVAS RAPA RANÇO

Acho maravilhosamente fecundo que se extingam entidades que, destinadas a fiscalizar, não parecem fiscalizar coisa nenhuma e talvez merecessem ser elas mesmas fiscalizadas por não fiscalizarem o que deveriam. A criatividade aparelhística disseminou muito lixo e redundância ao longo dos anos. É o caso da Inspecção Geral das Autarquias Locais (IGAL) de que nós, simples mortais, nunca ouvimos falar, coitadas, tão notório e consequente trabalho têm produzido. Não deveria bastar a palavra do Tribunal de Contas? Para quê mais um pentelho redundante a pesar na máquina rançosa do Estado? Aflito com a extinção do seu posto à frente da excelentíssima IGAL, o até aqui responsável da coisa, juiz desembargador, resolveu recordar que existia e publicou uma carta aos portugueses no site da instituição. Nós que há muito vemos o triunfo da corrupção nos ajustes directos mais obscenos em tempo de eleições, tivemos que levar com o pobre do homem desesperado a avisar-nos de que, graças à extinção do seu IGAL, repito, de que nunca ouvíramos falar, “a corrupção ganhou” atribuindo responsabilidades pelo fim a “uma poderosa associação de autarcas”. Relvas, e bem, cortou-lhe o pio. Maravilhosa higiene. Não faltam pesos mortos, gente desalinhada da grande causa de aliviar o Estado da gordura e ineficiência, gente cuja finalidade de vida está na própria injustificada existência institucional. 

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