sábado, março 20, 2010

FRAGILIDADE PSICOLÓGICA

As teses oficiais e convenientes, obscenamente desvalorizadoras das mortes suicidárias do menino Leandro Filipe Pires e do professor Luís Carmo, docente de Música da Escola Básica 2, 3 de Fitares, resumem a lógica política do Desonesto Poder vigente: os factos noticiados fragilizam e põem em causa as instituições, os dirigentes nomeados politicamente e as políticas educativas envolventes? Mudam-se os factos, mudam-se as verdades. Um dos argumentos mais brilhantes diz respeito à chamada «fragilidade psicológica». Nada mais simples para fazer tábua rasa de quaisquer responsabilidades a assacar a terceiros nem que seja para efeitos de reflexão profiláctica. Leandro e Luís não entraram em desespero. Eram «frágeis». É assim que o Primadonnismo socratinista gerou o mais absoluto contágio indelével de podre moral e de impunidade geral. Bastaram quatro anos e meio de políticas desonestas. Quatro anos e meio a inventar violentações sistémicas sobre professores-coisa. Cinco anos e meio a dar bombons e rebuçados, privilégios concretos, aos dirigentes sindicais em troca de traições selváticas às condições de trabalho e à motivação de base dos professores em processo de evasão acelerada por reforma antecipada. Agora que um docente é uma peça impotente no sistema, agora que ele passou a valer nada, o aluno "frágil" dificilmente beneficia da sua solícita atenção zelosa. Como podem os professores atender aos frágeis com tanta tralha, papelada e bizantinices que lhe foram atiradas criminosamente?! Por isso abafa-se tudo, como certos bispos e um certo Vaticano acima da lei. Por isso medra o caos, medra o esterco burocrático e a camisa de forças garantística de sucesso falso, medra o sequestro anímico e a ameaça impune sobre professores perpetrada por certos sectores sociais com apetite por sangue. Depois do Leandro e do Luís, nos seus actos de loucura lúcida, o desespero e o suicídio no Ensino são um Grito que deve ser ouvido. Sinais precursores de outras facas já em riste, de outras forcas e seus baraços. Façam todos bom proveito.

2 comentários:

Diogo disse...

Enquanto sucessivos governos assassinam o ensino, professores e alunos suicidam-se...

floribundus disse...

a culpa é sempre do morto
e do governo anterior