quarta-feira, março 24, 2010

O ÂNUS DA LUZ

Depois de ter sido o Clítoris da Luz, o CDL converteu-se agora no Ânus-Ónus dela, dada a mudança com a redução substancial das penas aplicadas a Hulk e Sapunaru e as leituras explosivas de que isso é passível. Um rival ou dois decapitam-se assim. Era preciso desbravar caminho. Hulk comeu. Vandinho continua a comer. Convém um Braga castrado no próximo fim de semana 'glorioso'. Para além de Hulk e da sua valia, o FC Porto foi derrubado com a habilidade sentenciosa do Conselho de Justiça da FPF. A emergência desportiva do Benfica, paulatina e sossegada, COISA QUE SE SAÚDA a bem de Portugal e da sua 'produtividade', fez-se também à custa daquela paz adicional dada pela guerra de Ricardo Costa e da sua Comissão Disciplinar da Liga ao Ânus Anímico dos adversários directos, Porto e Braga. Coisa grunha de se fazer. Dolo pouco subtil, diga-se. Com 17 jogos sem representar o FC Porto, Hulk simboliza toda uma época boicotada ao mais alto nível e um tiro no pé quanto ao prestígio da Liga de Nylon.

5 comentários:

Marco Nicolau disse...

A grande ilação que se pode tirar deste enredo é que apesar do futebol português possuir regulamentos "extensos", estes carecem de certa informação, que se revela "cirúrgica", facilitando a interpretação facciosa que alguns teimam em ter. Os tais que durante 20 anos não quiseram saber da verdade desportiva querem agora branquear os comportamentos animalescos dos seus jogadores. Até hoje, defendiam que as agressões surgiram após provocações (como se isso fosse justificação para actos de barbárie).

Para mim, o clube deveria ter suspendido e sancionado internamente os seus jogadores (espero que o Benfica faça o mesmo caso alguma vez lhe suceda algo semelhante).

O Conselho de Justiça reduziu a pena para 3 jogos (Hulk) e 4 (Sapunaru) pois classificou os “stewards” como meros “elementos do público”. Na pena anterior (4 e 6 meses) a Comissão Disciplinar da Liga classificou-os como "intervenientes no jogo". Quem tem razão? Apesar das duas classificações não irem directamente de encontro com as reais funções dos referidos elementos, penso que classificá-los como “elementos do público” é ter muito pouco bom senso. Por exemplo, os “stewards” nem sequer podem ver os jogos… logo “etiquetá-los” de “elementos do público” é particularmente comovente.

Com esta jogada querem dissimular a péssima época do Futebol Corrupto do Porto e tirar todo o mérito ao desempenho da melhor equipa Portuguesa da actualidade, que ainda no Domingo passado lhes aplicou um correctivo, jogando a passo e com menos de 72h de descanso, após uma brilhante noite europeia.

Cumprimentos,

PS1: Para quem tanto defende, agora, a verdade desportiva, não seria justo aplicar um sumaríssimo ao Brun(t)o Alves pelas cenas protagonizadas no jogo de Domingo?
PS2: Continuo sem entender como é que ele acabou o jogo em campo e como é que nenhum dos jogadores do Benfica foi parar ao hospital… Não esqueçamos também a actuação do R. Meireles…

Quint disse...

Ali o Marco Nicolau disse e está dito; presumo.
Esqueceu-se, de caminho, de algumas pequenas coisas.

Responder a uma provocação, por exemplo, é coisa bem diversa de agredir sem provocação; qualquer lareiro sabe disso ...
Quanto à questão da verdade desportiva durante 20 anos, fico comovido com explicação tão de lana caprina para a coisa. Durante duas décadas nem Sporting, nem Porto, nem Boavista e, curiosamente, nem Benfica foram campeões porque jogaram, correram, marcaram mais. Não, foi tudo por jogadas fora de campo!

Para resumir, uma coisa é um indivíduo ir a tribunal acusado de homicídio e sair de lá culpado por homício qualificado quando toda a gente sabe e vÊ que era apenas negligente. Não deixou de ser homicídio, a moldura penal é que é ligeiramente diferente.

Mas isto a algumas pessoas não dá jeito nenhum ver e é fácil perceber porquÊ. É que no seu afã de pretenso moralizador, o doutor Ricardo Costa tanto quis fazer que acaba por estragar a pintura!

E isto, para que fique ciente que nem todos se medem pela mesma bitola com que aparentemente cataloga os outros mas que deveria começar por si (atenta a linguagem que usa), este Benfica da época 2009/2010 não precisava, nem precisa. Porque é lá dentro que elas contam e eles se ganham. Ou já se esqueceu, por exemplo, duns célebres 5-0 que levaram em pleno Estádio da Luz? Ou vai dizer que foi tudo obra e graça do Espírito Santo e da sacrossanta fruta que, ao que parece, não era tanta quanto isso?

Marco Nicolau disse...

Caro Ferreira-Pinto, vou responder-lhe por tópicos para não tornar a leitura muito extensa:

1. Eu nunca questionei se a agressão foi ou não resposta a provocação. Só referi que estivestes sempre a justificar as agressões com as provocações. Quanto às implicações penais, é certo que uma agressão como resposta a agressão/provocação tem atenuantes mas nunca é justificação para tal.
2. Quanto à questão da verdade desportiva só lhe digo uma coisa: Vá ao youtube e ouça (se já não estiverem disponíveis, faculte-me o seu email pois terei todo o prazer em enviar as escutas todas). Lembre-se que ninguém, quer do FCP, quer do BFC, desmentiu o conteúdo das escutas, só contestaram a sua legalidade.
3. O Dr. Ricardo Costa não estragou a pintura. Ele simplesmente enquadrou os “stewards” como "intervenientes no jogo", o que para mim se enquadra melhor do que “elementos do público”. Não acha?
4. Na época anterior aos “célebres” 5-0, na segunda mão da Supertaça, o César Brito, isolado, remata e Vítor Baía defende claramente a bola com as mãos fora da área. Na ressaca do lance, a bola sobra para Amaral, este remata, a bola tabela no portista José Carlos e entra na baliza. O assistente Horácio Rodrigues assinalara fora-de-jogo. Repara que nem o Baia foi expulso nem o golo legítimo foi validado. Se quiser posso lhe arranjar o link do youtube desse lance e de muitos outros lances bizarros dos últimos 20 anos. José Pratas, António Costa, Carlos Calheiros, Pinto de Sousa, Augusto Duarte… qual é o denominador comum destes nomes?
5. Referiu o seguinte: “… fique ciente que nem todos se medem pela mesma bitola com… (atenta a linguagem que usa)”. Que tipo de linguagem usei para o fazer sentir assim? Simplesmente digo as verdades… mesmo que doam a certas pessoas.
6. O Porto, na era Mourinho, possuía uma equipa fabulosa, era treinado superiormente, e não precisava de ajuda… no entanto foi ajudado.

Cumprimentos,

PS: Tal como o seu clube, está a defender os agressores. Também não vi nenhuma palavra a censurar o comportamento anti-desportivo/cívico/humana do B. Alves.

Quint disse...

Caro Marco Nicolau:

1 - Estivestes não, estiveram. Eu sou portista e acho deplorável qualquer tipo de agressão. Seja do Hulk, seja do Sapunaru ou seja dum jogador do Benfica como já vi esta época suceder em Olhão.
Mas, acima de tudo, eu gosto mesmo é que os atletas do meu clube dignifiquem a camisola deixando sangue, suor e lágrimas em campo!

2 - Sobre a verdade desportiva, mais uma vez erra o alvo. Nem eu me pronunciei sobre ela, nem sabe o que eu penso sobre a mesma. Mas sempre lhe direi que, para mim, esta despenalização e vitória em Vila do Conde vieram em má hora. Isto porque já alguns sócios se começavam a manifestar contra a SAD e agora volta tudo ao mesmo.

Mas seria bem melhor que não nos enredassemos nessas coisas, porque em matéria de ar cândido e virginal de verdade desportiva com jeito ninguém está inocente.
Não se apoquente que eu ouvi as escutas, mas também me lembro doutras!

3 - Segue a tese do Dr. Ricardo Costa, mas recordo-lhe que pessoas insuspeitas de qualquer ligação ao FC Porto sempre disseram que "stewards" não são agentes desportivos.

4 - Recordo-me desse lance, não precisa de o trazer à colação. E também me recordo de uma certa época em que o Benfica, tendo uma equipa fabulosa, tinha sempre a garantia que estando o jogo empatado a acabar, tinha por certo que mal marcasse um golo, acabava. Veja se se lembra de que época foi?

5 - Mimosear os outros com coisas como "animalesco", "corrupto" e afins é o quê?
Repare que eu procurei responder-lhe com civilidade e registo que fez o mesmo. Por exemplo, apesar da vergonha de em tempos alguém ligado ao Benfica por razões de simpatia clubista ter matado um adepto dum Sporting, eu não considero que todos os adeptos do Benfica sejam homicidas por negligência ... daí que ache que generalizar e dizer que todo o portista é animalesco e corrupto, por exemplo, fica mal.

6 - Já agora, acredita mesmo que a ajuda ao Porto tenha redundado num empate a 0-0 com um colosso chamado Beira-Mar?

7 - Não necessito de condenar o Bruno Alves, pelo simples motivo de ter pensado que do que escrevi se pudesse deduzir que há coisas que não admiro. Mas, se fica satisfeito, Bruno Alves devia ter sido expulso na segunda parte ou, se não andasse alguém a tentar queimar o jogador, tinha ficado no balneário ao intervalo.

Marco Nicolau disse...

Caro Ferreira-Pinto,

Quando disse “estivestes” não me estou a dirigir concretamente a si, estou a usar a segunda pessoa do plural do Pretérito Perfeito Simples (vós estivestes). Não leve a mal, digo isto só para esclarecer, não pretendo ser insolente. Dirijo-me aos “f.c.portistas”, mais concisamente aos que insistem em viver com palas nos olhos. Mas fico satisfeito por saber que não se inclui nestes últimos.

Congratulo-o por achar uma agressão um acto deplorável, se assim não fosse, teria de rever os seus princípios éticos, cívicos e morais. Mas não é o caso.

Sobre a verdade desportiva não me vou pronunciar mais pois daria pano para mangas e nunca iríamos chegar a consenso. De qualquer forma, nesta matéria, acho que o Benfica tem mais razões de queixa (o SCP também tem mas estes vivem de alianças “bobas” com o FCP).

Aludindo novamente ao Dr. Ricardo Costa, aceita-se de certa forma que o FCP tenha achado o castigo do CDL pesado, no entanto lembro que a 28 de Fevereiro de 1997, Fernando Mendes agrediu um bombeiro de serviço no Estádio José Gomes. A agressão do defesa dos dragões ficou provada e a Liga puniu o jogador com três meses de suspensão e 310 mil escudos de multa ao abrigo da mesma norma pela qual este ano foram sancionados Hulk e Sapunaru (art. 115º do Regulamento Disciplinar). O bombeiro da Amadora foi considerado “interveniente do jogo” e o tal artigo 115.º que serviu para castigar Fernando Mendes nasceu num tempo em que o presidente da comissão Executiva da Liga era o José Guilherme de Aguiar. E como pode agora um “Steward” (que, por força da lei, passou a ser obrigatório nos estádios) ser visto de forma diferente?

Quando uso a palavra animalesco estou a “mimosear” os jogadores agressores (Hulk e Sapunaru) mas poderia ter usado outro termo, tal como selvagem, bárbaro, etc. Não estou a dizer que “todo o portista é animalesco e corrupto”, creio que interpretou mal as minhas palavras. Em relação à situação trágica que trouxe a lume, deve estar a referir-se ao caso “very-light”. Eu lembro-me bem desse lastimável incidente, era eu puto, e na altura fiquei bastante revoltado com a situação. A pessoa que lançou o “very-light” nesse trágico dia é ainda mais animalesca que os dois indivíduos citados acima juntos.

Cumprimentos,