quarta-feira, março 24, 2010

SINTOMÁTICA PRESERVAÇÃO

Não se estranhe que, mais de meio ano após a decisão de Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, a determinar a nulidade e destruição das escutas que envolvem o primeiro-ministro, os suportes de essas conversas se mantenham intactos na Procuradoria-Geral da República (PGR). Há medo, deve ser. De mãos atadas, a Justiça deita-se na cama que preparou para si mesma. Para quê eliminar um elemento de prova cujo conteúdo escaldante e revelador provavelmente já foi arrematado por uma maquia suculenta?! Para quê rasurar fisicamente aquilo que com máxima probabilidade acabaria por circular espiritualmente por todo o lado, quer os Abrantes queiram quer não?! Os deputados da Comissão de Inquérito PT/TVI sobre os contornos do plano do Governo para controlar a TVI receberam uma carta de Pinto Monteiro esvaziando a matéria do ponto de vista criminal. Sintomaticamente, quando o PGR vem desvalorizar estas matérias, ocasiona de todas as vezes que a emenda saia pior que o soneto. Politicamente as coisas não poderiam estar mais negras para os lados do SIS privativo do Primadonna. Encurralado e incapaz de responder com normalidade a questões perfeitamente legítimas da parte de jornalistas, aliás ignorados olimpicamente nas visitas de Estado, a pressão política sobre José Sócrates é a que tem de ser. Em vão procurará furtar-se aos factos e apodar de "santa aliança" o humilde esforço dos partidos por revelar o que está oculto e farejar o que cheira mal. Se essa tarefa deixa nervosos os intocáveis e contumazes do custume, paciência.

1 comentário:

a.marques disse...

Está tudo acagaçado. Todas os redutos estão povoados de fantasmas. Já sobram remendos nos esticados lençois brancos destas almas.