sábado, março 13, 2010

PEC, OU A VÃ GLÓRIA DE MENTIR

Ontem, ao cruzar-me com o Maestro António Vitorino de Almeida e a sua bengala castanho-claro, numa das carruagens do Intercidades das 17:39, Oriente, pensei na filha, Inês de Medeiros. Aveiro ou Ovar, aproximava-se já o fim da minha viagem. Preparava-me para a saída. Vislumbrei-o imediatamente, ao fundo de uma das carruagens, em trânsito para o Bar ou para as Latrinas. Ei-lo tímido e cabisbaixo, como muitas divinas figuras públicas, humildes, no seu recato à prova de invasivos sorridentes. Barriga com barriga, cabeça com cabeça, en passant, murmurei: «Maestro!». «Boa tarde!», rosnou-respondeu. Foi então que, além de ter pensado em Inês, tive compaixão dele, o pai. Como Cruela, com os Dálmatas, ou a Bruxa Má, com a Branca de Neve, ou a Madrasta, com a Gata Borralheira, ou a Bruxa Velha da Casa de Chocolate no meio da Floresta, com Hansel und Gretel, José Sócrates possuía a sua filha-troféu. Até ela, actriz, em serviço do seu detentor-actor, defendia a vã glória de mentir. Compadeci-me, por isso mesmo, redobradamente, do pai. Mentir no negócio-controlo da TVI não escandaliza. O PEC, afinal, aumenta impostos, no PEC, o investimento público afinal é mau, com o PEC, o TGV, afinal, pode ser revisto e os salários, afinal, podem congelar assim como as reformas. Tudo isto ao mesmo tempo que se diz aos portugueses que os impostos não subirão. As hordas de subsidiados e a Classe Média, cada vez mais mínima, podem continuar a votar no partido certo. E é assim que Inês de Medeiros, a actriz, se interpõe, numa espécie de Síndrome de Estocolmo, em favor do seu captor moral: considera que, se Sócrates mente, isso não é grave. Com efeito, se eu fosse pai disto teria um certo orgulho envergonhado.

5 comentários:

Anónimo disse...

"Bota" inspiração nisto...! Mas olha, tinhas ganho mais se em vez de continuares tivesses ficado por AVEIRO PARA PAGARES UM COPO! Ainda gostava de saber como é que alguem como a Inês de Medeiros pode ser deputada da nação...não pondo em causa o seu valor intelectual, sinto-me a viver numa republica das bananas.

joãoeduardoseverino disse...

Filha de peixe sabe nadar. O pai disse na rádio que mal tem dinheiro para comer... a mentira já está institucionalizada com o Zé Latão ao volante.

joshua disse...

Fica combinado para uma próxima, meu caro Rui. Quanto à Inês, para desfazeres todas as dúvidas, vê a entrevista na Sábado. É de estarrecer o tom, o estilo, a "presuntividade" presunçosa das bacoradas. Abraço.

Caro João, é isso e mais nada. Sabem todos muito. Abraço.

radical livre disse...

no meu tempo de Coimbra havia uma paródia à Castro de António Ferreira

d.Pedro:"-Inês! Inês!, quem te matou?"
Inês no caixão: "-foi o Pacheco"

Anónimo disse...

Já agora dizem-me almas bem informadas em Aveiro que por altura do regresso dos mancebos da pesca do Bacalhau os tribunais enchem. Só nessa altura recebem notificações.

Esposas dos mesmos degladiam-se em frente a magistrados usando linguagem codificada:
- Sua comilona, sua porca .. tu és uma comilona!

- Mas Sras acalmem-se. Por favor digam-me agora o que querem dizer com comilona.

- O Sra Juíza. É ela que anda a "comer" o meu marido e a poupar o dela.