sexta-feira, setembro 17, 2010

O TROÇO FRAUDE-FALÊNCIA

Agora que o Governo anula o concurso público internacional relativo à construção da linha do Transporte de Grande Velocidade (TGV) no troço Lisboa-Poceirão, segundo um despacho publicado hoje em Diário da República, confirma-se o que há muito fora abafado e expõe-se a que limites de fraude eleitoral se pode chegar num País que nem parece europeu. A Crise serve de desculpa. Mas o colapso é da ordem dos valores. A nossa Crise é sobretudo moral porque os políticos de fato Armani se comprazem na Mentira, no Irrealismo e na Imprudência. Consentem na Fraude, trucidando, se possível, qualquer honesto mensageiro da nossa iminente falência ao explicar as suas causas. Pode-se continuar a brincar aos políticos, a meter dinheiro em Mentiras? Pode. Em Portugal, pode. Pode-se subsidiar barragens de fogo em marketing político para justificar obras desproporcionais, faraónicas e afinal não haver dinheiro? Pode. Em Portugal, pode. Um País financeiramente exangue não tem vícios. Mas pode ter circo. Pode ter escroques e cretinos e por isso mesmo ser levado ao abismo como se, naufragar por naufragar, ao menos que seja em beleza. O despacho é assinado pelo secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, em nome do ministro de Estado e das Finanças, e pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça, após ter afiançado, uma e outra vez, qualquer coisa de muito diferente. O diabo engraçou connosco desde que as nossas velas se enfunaram em direcção à Índia.

7 comentários:

manuel gouveia disse...

Fomos à Índia porque a madeira e a mão-de-obra dos marinheiros era barata. Fomos, como hoje vamos ao Lidl, porque, as especiarias, eram mais baratas do que no supermercado ao fim da rua.

Anónimo disse...

Fico à espera de ouvir com que argumentos vai o Governo contra-argumentar que, afinal, é possível faltar a compromissos contratualmente assumidos (nomeadamente com a Espanha). E faltámos com ou sem o pagamento das tais ferozes penalidades e indemnizações de que se falava na altura? Ou não estaria, pura e simplesmente, esta saída devidamente acautelada pelos nossos bons advogados, como se convém em qualquer contrato, pela cláusula de salvaguarda da excessiva onerosidade do cumprimento da obrigação ?
Não sei bem.
Fico à espera da explicação dos iluminados de serviço.
Virginia

Miguel Gomes Coelho disse...

AGORA?????

Tiago Gonsalves disse...

Mas que interesses terão levado o governo a, num sábado, sem alardes, adjudicar a construção do troço Poceirão - Caia quando já era admitido que este troço Lisboa - Pocerão não seria construído? A quem serve vir de Espanha até ao Poceirão? A ninguém, claro.

Luis Melo disse...

TGV: Ler, lembrar, reflectir, pensar, confirmar, julgar

Chegou o anúncio de que o Governo irá suspender mais um dos troços do TGV. Depois do Porto-Vigo e do Lisboa-Porto, é agora a vez do Lisboa-Poceirão. Já só falta o troço Poceirão-Caia.

Sobre este assunto já falei várias vezes, e há muito tempo. Primeiro, em Outubro 2008, questionei sobre o porquê de não se continuar a investir no Alfa Pendular em vez de partir para o TGV e depois, em Abril 2009, questionei sobre os critérios apresentados pelo governo na escolha dos percursos, da estratégia e do retorno.

Sendo assim, não me vou repetir. Convido-os apenas a ler ou reler os meus posts e também a…
… Relembrar o que Manuela Ferreira Leite disse na campanha para as legislativas 2009
… Reflectir sobre o porquê de muitos de vós não terem votado PSD
… Pensar se não teria sido melhor votar PSD
… Confirmar que José Sócrates anda – com 1 ano de atraso – a fazer tudo o que vários vaticinavam
… Julgar se o mundo está sempre a mudar de 15 em 15 dias
… Questionar a capacidade deste governo e deste Primeiro-Ministro

Claro que já de seguida virão os socratianos (como o João Galamba) dizer que o TGV não foi cancelado, foi adiado por 6 meses. Como se o problema da dívida portuguesa, ou a crise económica, fosse desaparecer nessa janela curta de tempo.

Enfim. É gente desonesta intelectualmente, sem carácter ou personalidade, que mentiu aos portugueses. Gente que apesar destas trapalhadas todas não tem um pingo de vergonha na cara, e ainda vem com uma enorme cara de pau tentar atirar mais areia aos olhos dos portugueses.

Daniel Santos disse...

eu acreditava que a capital de Portugal era Lisboa. Afinal o dinheiro dos portugueses não vai para Lisboa, mas sim para a capital Poceirão.

Anónimo disse...

Acreditam que o PSD faria melhor?
Ah! Já sei, vocês que El Rei. Tadinhos!