quinta-feira, setembro 23, 2010

A OPRESSÃO TECNOLÓGICA

«A desautorização dos professores há muito que vem decapitando as escolas. Os melhores professores, aqueles que desprezam o eduquês e se regozijam com cada avanço dos alunos no sentido da liberdade que só a cultura confere, esses vão-se reformando em catadupas, ignorando penalizações monetárias. Preguiçosos? Corporativistas? Deles foi traçada essa imagem pelo miserável poder político e pela miserável imprensa que o promove.Vão ficando os jovens, assustados pela sua situação precária, os acomodados/serventuários do dito poder, transformados em "his master´s voice" e, como todos os capatazes, ainda mais agressivos do que a voz que os comanda. Restam os amargos, consumidos por um "supremíssimo, íssimo, cansaço".Depois do "Magalhães", é agora a altura de avançar em força para os "quadros interactivos" e foi já ordenado que TODOS os professores frequentem acções de formação nesse âmbito. Entretanto, eu, que de forma fundamentada sustento há décadas que a civilização da imagem tende a destruir a civilização do livro, gostaria de publicar uma lista exaustiva das obras literárias e dos autores que foram sendo retirados dos programas de Português.De Fernão Lopes a Mário de Sá-Carneiro, há de tudo... Penso que todos os professores que considero dignos desse nome ficarão gratos ao Professor Manuel Maria Carrilho pela clareza e frontalidade com que desmontou este tenebroso mito do "tecnológico". Há demissões que devem ser encaradas como honrarias e esta foi uma delas. E citando um comentador"mais não digo, que o nojo é muito".»

2 comentários:

Manuel Rocha disse...

Este tipo de discurso provoca-me sempre enormes perplexidades. Então, quem é que desde há décadas produz os programas escolares ? Quem é que escolhe os manuais ? Quem é que os elabora ? Eu julgava que eram professores, mas devo estar enganado...Esclareçam-me, por favor: estou enganado ??

Bmonteiro disse...

«quem é que desde há décadas produz»
Estou convencido que mais que professores, 'antigos' professores, rendidos ao conforto dos gabinetes e progressivamente a leste da realidade das escolas, do trabalho de campo.
Com a necessidade de apresentar trabalho, foram inventando e reinventando.
Uma velha maleita das burocracias, que passam a tudo fazer para se justificarem.
Se sem uma liderança forte e esclarecida, que não existe há décadas, numa espécie de auto gestão, diz-me a minha costela de sociólogo.
BMonteiro