sábado, dezembro 11, 2010

PISA COM EXTREMO CUIDADO

Detestei ver o PSD, no Parlamento, a cair na armadilha do desportivismo político, saudando os resultados do PISA, quando avultam e sobejam demasiadas evidências da tremenda degradação do Ensino de há dez anos para cá. Não se pode baixar a guarda, ainda que ingloriamente. Na vidinha socialista, a estratégia foi brilhante, uma espécie de troca por troca: quadros interactivos e computadores a rodos nas Escolas e o vexame do julgamento público da classe docente, com a conhecida humilhação e irrelevância social levadas muito a peito pela Medusa Maria de Lurdes Rodrigues. Agora, é o Paraíso: limpeza da velha guarda de professores experientes e naturalmente selectivos, para o bem e para o mal; docentes pressionados pelo sucesso falacioso; maior número de professores descartáveis, precários, escravos, e por isso "absolutamente motivados" para sobreviver. Mas será que o plausível PSD aplaudente não lê o Paulo?: «Um conselho, em especial àqueles colunistas que foram mesmo jornalistas há muito tempo e que há muito tempo confundem jornalismo com telefonemas, almoços e jantares: façam algum trabalho de campo… descubram que escolas participaram no PISA 2009, comparem com as de 2006 e 2003 e depois digam-me lá se desta vez o ranking médio das escolas não foi mais elevado. Não sou dos que acham que a amostra foi maltratada; pelo contrário, acho que desta vez é que a coisa foi tratada com o devido cuidado. Não são estes resultados que são uma enorme surpresa, talvez os anteriores é que tenham sido abaixo do possível.» Paulo Guinote

2 comentários:

floribundus disse...

no Porto 1955-57 havia uma loira conhecida por 'pito dourado'.
mais tarde apareceu o 'apito'.
estes fascistas não se cansam de apitar.
instrução pública só para as estatísticas falseadas

Manuel Rocha disse...

Joshua,
Tu e PG têm um óbvio problema emocional com os respectivos umbigos. Então só agora é que se lembraram de questionar as amostras anteriores do PISA ?! Porque não o fizeram logo quando não se inibiram de lhes usar os resultados anteriores para atribuir à governação as responsabilidades pelos maus desempenhos ?! E as amostras feitas nos outros países são boas ou más ?! Sim, é que, repara, disso dependem as médias, as posições relativas nos rankings e tudo o mais, certo ? Em que ficamos ?
É curioso que tu ali mais acima ( a propósito do 2711) te atices, e bem, contra o carneirismo acrítico que por aí prolifera e depois o cultives com seguidismos como este. Os estudos estatísticos que promovem comparativos têm desde sempre imensas fragilidades. Mas, seja o PISA ou o IDH, não se contestam com palavreado emocional mas com estudo dos seus fundamentos. Só assim é que se conseguem sobre eles posições coerentes. Se se demonstra que não representam a realidade, então, a menos que a metodologia se altere, nunca a representam. Não é só às vezes, “por acaso”, como diz o outro pastor da tua adoração.